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Volkswagen é, novamente, enquadrada no Dieselgate por software fraudulento. Fabricante diz que irá recorrer da decisão

Volkswagen Amarok SE: versão também está incluída entre as que foram equipadas com motor a diesel fora dos padrões
Nicolas Tavares/iG Carros
Volkswagen Amarok SE: versão também está incluída entre as que foram equipadas com motor a diesel fora dos padrões

Em um novo episódio da série Dieselgate, a Volkswagen é condenada a pagar R$ 1 bilhão aos donos da picape Amarok por danos materiais e morais, segundo decisão da Primeira Vara. O valor corresponde a R$ 64 mil por veículo, entre os 17.057 proprietários de Volkswagen Amarok que trazem o software fraudulento que altera dados de emissão. A montadora já anunciou que vai recorrer da decisão.

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A indenização, de acordo com o juiz Alexandre Mesquita da Primeira Vara Empresarial do Rio de Janeiro, corresponde ao pagamento de R$ 54 mil por danos materiais, e mais R$ 10 mil por danos morais para os donos dos veículos equipados com motor 2.0 turbodiesel. Esta não é a primeira vez que a Volkswagen Amarok, fabricada na Argentina, é multada por aqui. Em março, as autoridades do IBAMA aplicaram uma multa de R$ 50 milhões para a Volkswagen do Brasil. Como as regras ambientais de emissões dos hermanos são mais permissivas que no Brasil, a Volkswagen da Argentina não foi penalizada.

O escândalo

O escândalo do dieselgate fez com que a Volkswagen sofresse uma perda de €1,5 bilhão em 2015
Divulgação/Volkswagen
O escândalo do dieselgate fez com que a Volkswagen sofresse uma perda de €1,5 bilhão em 2015

O Dieselgate explodiu em 2015, causando um grande terremoto dentro do Grupo Volkswagen. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos descobriu a existência de um software instalado nos veículos da Volkswagen que altera os números de emissões de poluentes apenas quando os carros são submetidos a testes.

A modificação no software do sistema de injeção eletrônica causava uma diminuição temporária na emissão de óxido de nitrogênio nos laboratórios, para atender aos padrões regulatórios. Porém, com o lançamento dos veículos ao mercado, os aparelhos eram desligados. Mais de 11 milhões de carros da marca foram equipados com software que mascara emissões de poluentes.

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Pouco tempo depois, a Volkswagen assumiu a culpa pelo ocorrido e, no dia seguinte, o presidente global do grupo, Martin Winterkorn, renunciou ao cargo. Os abalos do Dieselgate continuam sendo sentidos até hoje por fabricantes do mundo todo. O Dieselgate chegou a respingar em outras montadoras. Volvo, Renault, Jeep, Hyundai, Citroën e Fiat também foram investigadas.

Redenção

Volkswagen Kombi original ao lado do I.D. Buzz, que deverá chegar ao mercado a partir de 2020, com emissão zero
Divulgação
Volkswagen Kombi original ao lado do I.D. Buzz, que deverá chegar ao mercado a partir de 2020, com emissão zero

Para compensar o Dieselgate, a Volkswagen está investindo pesado em carros elétricos. O protótipo I.D. foi mostrado no Salão de Paris (França), antecipando a visão da marca sobre os veículos do futuro. Um SUV e uma versão moderna da carismática Kombi também estão nos planos, e devem surgir a partir de 2020.

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“Em 2020, começaremos a introduzir uma família inteira de carros elétricos no mercado. Todos são baseados na nova arquitetura que foi desenvolvida especialmente para esse tipo de veículo”, explica Dr. Hebert Diess, presidente do conselho da Volkswagen. “O I.D. representa essa nova era do carro moderno”.

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