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Após décadas escondido, modelo acompanhou sua nova releitura no Salão de Detroit (EUA). Confira galeria e detalhes de toda a história do carro

Ford Mustang Bullitt 1968: unidade que participou das cenas do filme de 1968 se mantém 100% original
Reprodução/Consumption
Ford Mustang Bullitt 1968: unidade que participou das cenas do filme de 1968 se mantém 100% original

O Ford Mustang Bullitt volta a ganhar destaque graças à sua apresentação memorável que aconteceu durante o Salão de Detroit (EUA). Para celebrar os 50 anos do filme estrelado por Steve McQueen, a Ford expôs a releitura ao lado do modelo original de 1968, que nunca foi restaurado. Claro, a marca americana não perderia a oportunidade de refazer os passos do esportivo que esteve envolvido em uma das cenas de perseguição mais emblemáticas da história do cinema. Pois bem, caro leitor, chegou a hora de contar a história secreta do Mustang Bullitt.

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Começamos falando de revolução. O filme "Bullitt" estreou no inverno de 1968, protagonizado por McQueen e dirigido por Peter Yates. E foi ideia de McQueen prolongar o tempo de tela de cenas de ação, para intensificar o ritmo deste thriller policial. A tomada que entrou para a história mostra McQueen a bordo do Ford Mustang Bullitt enquanto foge do assassino num Dodge Charger R/T.  Bullitt foi um sucesso de bilheteria, e ainda conseguiu levar o Oscar de Melhor Edição de 1969, graças à cena da perseguição.

Duas unidades do Mustang Bullitt foram utilizadas durante as filmagens. Uma delas, a que mais sofreu com os saltos nas ruas de São Francisco, foi para o ferro velho. A outra continuou aos cuidados da Warner Bros. Pouco tempo depois do lançamento do filme, o icônico Mustang verde escuro desapareceu. Seu último registro ocorreu quando foi comprado por algum funcionário envolvido na produção, em meados de 1974, e logo em seguida, ninguém ouviu falar mais dele. O Mustang Bullitt virou uma lenda, e alguns chegaram a deixar de acreditar que o carro ainda existia.

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Passaram-se décadas até que este tesouro fosse reencontrado e a sua história viesse à tona. O entusiasta Robert Kiernan Jr. comprou o carro após se surpreender com um anúncio na revista Road & Track na metade da década de 1970. O Bullitt saiu de cena, e ficou escondido com a família Kiernan durante 40 anos.

A família conta à casa de leilões Hagarty que o plano inicial era mostrá-lo para o mundo. Até que um dia, alguém arrombou os portões do celeiro em que o carro ficava guardado, roubou o filtro de ar e tirou fotos. “Tivemos que escondê-lo! Não queríamos que nada acontecesse com este carro. Apenas amigos e parentes muito próximos sabiam da existência dele”, diz Sean Kiernan, filho de Robert e novo proprietário do carro após o falecimento de seu pai. “Fizemos pelo bem do Bullitt do meu velho. Mas por muito tempo, fomos julgados como egoístas e arrogantes.”

Mas finalmente, chegou a hora de mostrar o Mustang Bullitt ao público do jeito que veio ao mundo. O esportivo não passou por qualquer restauração ao longo de todos esses anos escondido em um celeiro. “Este carro é mais que um clássico. É um patrimônio cultural”, diz Mark Gessler, presidente da Associação de Carros Históricos dos Estados Unidos.

Do celeiro para Detroit

As duas gerações do Ford Mustang Bullitt lado a lado no Salão de Detroit, foi o que mais chamou atenção no evento
André Jalonetsky
As duas gerações do Ford Mustang Bullitt lado a lado no Salão de Detroit, foi o que mais chamou atenção no evento

McKell Hagerty, presidente da casa de leilões Hagerty, diz que o Ford Mustang Bullitt deve valer aproximadamente US$ 4 milhões (R$ 12 milhões em uma conversão simples). Mas Sean não tem qualquer plano de vendê-lo, como ele mesmo disse para a Ford. O modelo clássico é capaz de entregar 325 cv de potência, derivados de um motor 5.0 V8 - a mesma combinação do Bullitt apresentado em Detroit, com alguns cavalos a menos.

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A nova edição limitada traz um potente 5.0 V8 de 475 cv - 15 cv a mais que a versão GT Premium que chegará ao Brasil em alguns meses. Para domar este conjunto mecânico, há um câmbio manual de seis marchas que, infelizmente, não marcará presença por aqui. A Ford também instalou um novo sistema de escape para enaltecer ainda mais o gargarejo do modelo de 1968. A releitura do Mustang Bullitt é baseada na versão GT Premium que integra diversas conveniências de conforto. O pacote Performance, por sua vez, acrescenta freios Brembo, spoiler traseiro, radiador mais protuberante. É certo que o encontro das duas versões do Mustang Bullitt marcará para sempre a história do Salão de Detroit. Assista abaixo à cena memorável do filme.




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