Tamanho do texto

Impasse político atrapalhou o acordo que já havia sido fechado no começo de setembro; veja os desdobramentos da negociação entre Ford e Caoa

Lyle Watters arrow-options
Divulgação
Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul está confiante na reestruturação da marca no Brasil

Durante o coquetel de lançamento do novo Mustang Black Shadow, o presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters, revelou que as negociações com o Grupo Caoa para a compra da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) ainda estão em andamento, mas outras empresas também têm interesse.

LEIA MAIS: Caoa Chery confirma novos Tiggo 5X e Tiggo 7 para 2020

“O Grupo Caoa  é um grande parceiro da Ford há muitos anos, e o nosso maior concessionário”, disse Lyle. “A porta sempre estará aberta para negociações, mas no que diz respeito à compra da fábrica de São Bernardo do Campo, talvez seja melhor perguntar diretamente para o Carlos Alberto”.

O executivo continua otimista sobre a reestruturação da Ford, e confirmou que existem outras empresas interessadas na fábrica de São Bernardo . “Companhias, no plural, mas não há nada definido”, fez questão de salientar.

Impasse político

No começo de setembro, a CAOA confirmou a compra da fábrica da Ford. O anúncio da aquisição foi feito pelo governador do Estado, João Doria , e por representantes do grupo brasileiro e da montadora americana.

O aperto de mãos, entretanto, não foi conclusivo, e o negócio voltou ao vale da incerteza. De acordo com o Estadão, há um “impasse político” complicando a negociação, uma vez que o governo teria se comprometido com certos tópicos, mas acabou recuando com a decisão. Atualmente, o Grupo CAOA possui duas fábricas no Brasil, em Anápolis (GO) e Jacareí (SP), atendendo operações de Hyundai, Chery e Subaru.

Fábrica em Camaçari

Ka e Eco arrow-options
Divulgação
Ka e EcoSport, os dois principais produtos da Ford no Brasil, são feitos em Camaçari (BA)

Em 2001, a Ford inaugurou a fábrica de Camaçari na região metropolitana de Salvador (BA). Fruto do investimento de US$ 1,2 bilhão, o complexo industrial ficou responsável pela fabricação do principal produto da marca nos últimos quinze anos: o EcoSport , SUV mais vendido do país por mais de uma década.

LEIA MAIS: Vendas para locadoras e PCD ganham muita força em 2019

Quando o Ka mudou de geração em 2015, sua produção também foi transferida de São Bernardo do Campo para Camaçari, deixando a fábrica paulista restrita à produção do Fiesta e veículos pesados. Com a baixa nas vendas dos caminhões, a marca optou por abandonar o complexo paulista para focar exclusivamente na Bahia.

Brasil em foco

Ford Territory arrow-options
Divulgação
Ainda sem data definitiva, Ford Territory chegará ao Brasil em 2020

A Ford teve um 2019 “morno”, em preparação para uma nova investida de reestruturação próxima década. Para o ano que vem, a marca contará com o novo SUV Territory (para enfrentar Jeep Compass e Volkswagen Tiguan), o Mustang Black Shadow e outros seis lançamentos - incluindo veículos eletrificados.

Quando questionado por nossa reportagem sobre o cronograma de lançamentos para a próxima década, Lyle desconversou. “Não quero estragar a surpresa, mas teremos muitas novidades sobre eletrificação em 2020”.

Reestruturação global

A Ford passa por um processo de reestruturação em todo o mundo, abandonando mercados não lucrativos e fechando fábricas que produzem veículos de baixa demanda. Foi o caso dos complexos industriais de Bordeaux e Blanquedort (França), além da fábrica de São Bernardo.

LEIA MAIS: Conheça 5 modelos inéditos que serão lançados no Brasil em 2020

Alternativas para conter a crise global já estão sendo executadas. Nos Estados Unidos, a marca pretende abandonar os segmentos dos hatchbacks, sedãs e utilitários comerciais. Neste caso, modelos como Fiesta, Focus, Fusion e Taurus estão condenados para dar lugar ao portfólio composto apenas por SUVs, picapes e o Mustang.