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Fábricas continuam paradas, pelo menos, até junho, quando a maioria das fabricantes planeja uma volta gradual às atividades

A situação do setor automotivo é dramática, pelo o que foi comunicado à imprensa nesta sexta-feira (8). De acordo com os números divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), os resultados de abril foram atípicos, configuram um quadro bastante desafiador e que terá que ser enfrentado nos próximos anos.

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Para se ter uma idéia, as vendas de automóveis e comerciais leves caíram 76% em abril, de 231,9 mil unidades, para apenas 55,7 mil. A produção foi a menor da história, de somente 1,8 mil unidades, ante 190 mil do mesmo mês do ano passado. E os estoques de veículos já são de 4 meses, sendo 163,4 mil unidades nas concessionárias (88%) e 73,9 mil nas fábricas (44%).

Mesmo assim, pelo menos por enquanto, as fabricantes conseguiram manter estável o nível e emprego, com variação de apenas 0,3% entre março e abril. Porém, a retomada das atividades das fabricantes será lenta e gradual por uma série de fatores, a maioria deles ligados à segurança dos funcionários e clientes. Novos protocolos foram adotados, o que inclui rígidas normas de higienização das fábricas e veículos. Além disso, apenas um turno está sendo adotado e com restrições.

Atualmente existem 55 fábricas paradas no Brasil, com 95 mil funcionários sem trabalhar. E a recuperação do setor fica mais difícil com a crise política que se instalou no Brasil. De acordo com o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, "infelizmente, pessoas da classe política não perceberam a situação e a gravidade da crise. Precisamos de uma ação coordenada", disse ele.

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Uma das consequências disso é a redução nos índices de confiança, que despencou para 50% em abril. Além disso, espera-se uma queda no PIB de mais de 4% em 2020, o que influi na disparada do dólar, que está no patamar de R$ 6, aumentando os custos de produção das fabricantes, já que boa parte dos componentes dos modelos atuais são importados. Aliás, algumas fabricantes já estão tendo que subir preços, o que deverá prejudicar ainda mais as vendas de novos.

Crise política também afeta setor de veículos

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Novos procedimentos estão sendo adotados nas fábricas, como apenas um turno e várias medidas para garantir a saúde dos funcionários


Em entrevista à reportagem de iG Carros, o presidente da Anfavea nos disse que mesmo com o Banco Central ter gasto R$ 50 bilhões em reservas para conter a alta do dólar, ainda temos a disparada nas cotações. Além disso, a entidade está em negociações com o governo para conseguir, sem subsídio, com juros aceitáveis, um crédito para garantir uma ajuda no processo de recuperação do setor automotivo. Essa ajuda de crédito está ligada a garantias atreladas aos ativos das fabricantes, que aguardam uma resposta.

Perguntado sobre o aumento das vendas diretas, Moraes nos disse que ainda não dá para afirmar se isso se tornará uma tendência, mas que já houve a devolução de 160 mil unidades de motoristas de aplicativos que não conseguiram pagar os veículos alugados. Portanto, será preciso aguardar os próximos meses para verificar como o mercado se comporta.

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De qualquer forma, estamos em uma verdadeira revolução do setor automotivo, em que já estão sendo adotados novos procedimentos nas vendas, com foco nas vendas online de veículos , com atendimento personalizado e com medidas para garantir a saúde e a segurança dos clientes. Até mesmo os salões estão ameaçados. Existe o risco de deixarem de existir, pelo menos no formato tradicional.

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