Nicola Di Luccio
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Nicola Di Luccio: amor pela velocidade fez com que ele inventasse uma turbina, a que batizou de Turbonic - isso em 1963

A necessidade é a mãe da invenção, e isso norteou a vida de Nicola Di Luccio, dono de uma tradicional oficina na Rua Frei Caneca, quase em frente ao portão do antigo presídio.

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Nascido em Agropoli, no Sul da Itália, em 1926, ele formou-se em mecânico em plena Segunda Guerra. Pela manhã, ia ao instituto tecnico de sua cidade e, à tarde, aprendia na prática nas oficinas que transformavam velhos Fiat 509 em picapes e blindados improvisados. Terminado o conflito, as coisas se tornaram ainda mais difíceis. Havia muita fome e nenhum Balilla ou Topolino para consertar.

Americanos e soviéticos começaram a se estranhar e, antes que estourasse outra guerra, Nicola veio para o Rio, em 1947. Aqui, ele trabalhou com os representantes Fiat de então. Depois, aderiu aos carros da francesa Simca, que, à época, produzia modelos Fiat sob licença. Aos 27 anos de idade, montou sua própria oficina, na Frei Caneca 474.

Foi com um Simca Aronde que Nicola descobriu-se piloto, brilhando nos circuitos de rua do Maracanã, de Botafogo e da Esplanada do Castelo durante a década de 50. O amor pela velocidade fez com que ele inventasse uma turbina, a que batizou de Turbonic - isso em 1963, dez anos antes de a BMW e a Porsche lançarem seus primeiros motores turbocomprimidos.

Graças à sua fama em afinar Fiat e Simca, foi apelidado de “Paganini dos motores”, uma referência ao compositor e violinista italiano de ouvido extraordinariamente sensível. Nos anos 60, tornou-se mecânico autorizado Willys. Tinha orgulho de seus aparelhos de teste de última geração.

Quase um flex

Nicola não gostava de ficar parado. Na década de 80, ao ver o filho mais velho se formando em Medicina, decidiu, ele também, cursar o ensino superior, já com 54 anos de idade. Fez, então, duas graduações: Direito e Administração.

Em 1990, faltou álcool nos postos e Nicola bolou um espaçador entre as velas e o cabeçote: baixava-se a compressão e o carro podia usar gasolina temporariamente. Era quase um flex...

Nicola, até os seus 93 anos, frequentava diariamente sua velha oficina Rua Frei Caneca, fazendo manutenção de carros de coleção e exercendo o ofício que sempre foi sua grande paixão.

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Desde o início da pandemia, não se conformava com o confinamento, em não poder frequentar sua oficina. Em 26 de maio, ele morreu em casa, enquanto dormia. Viúvo de Brígida, ele deixa três filhos, sete netos e um bisneto. "A mecânica é um eterno aprendizado", filosofava Nicola , personagem dos anos de ouro do automobilismo carioca.

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