Questão dos acidentes de trânsito deveria ser mais analisada pelas autoridades, segundo FENIVE
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Questão dos acidentes de trânsito deveria ser mais analisada pelas autoridades, segundo FENIVE

A Federação Nacional da Inspeção Veicular ( FENIVE ) alerta autoridades públicas de que o problema do trânsito deve ser encarado como epidêmico. A diretoria da Federação esteve em Brasília onde participou de reuniões com diversos órgãos e autoridades que atuam no setor de trânsito e transportes para cobrar antigas demandas do segmento de inspeção veicular e resgatar assuntos que acabaram sendo deixados de lado por causa da pandemia.

O presidente da instituição, Everton Pedroso, relata que foi pessoalmente à Brasília para resolver alguns assuntos que estavam pendentes na esfera federal. Segundo ele, uma das principais agendas foi marcada com a equipe da Secretaria Nacional de Trânsito ( Senatran ) – antigo Departamento Nacional de Trânsito ( Denatran ), elevado recentemente à nova categoria.

Além de questões referentes ao cumprimento da legislação já existente, Pedroso explica que a entidade solicitou um posicionamento com relação a assuntos que estão sem encaminhamento há muito tempo e que, além de colocar em risco a vida das pessoas, também provoca confusão no segmento.

Um desses exemplos é o caso dos caminhões basculantes, que são as “caçambas”. De acordo com a Resolução 859 do Conselho Nacional de Trânsito ( Contran ), esses modelos deveriam contar com um dispositivo de segurança para evitar o acionamento da caçamba enquanto o veículo estiver em movimento.

Sem esse recurso, a parte móvel do veículo pode levantar acidentalmente a qualquer momento. “Apesar dessa medida estar em vigor, não existe fiscalização e preocupação dos órgãos de trânsito ou qualquer tipo de punição para quem provocar um acidente por falta de regularização do dispositivo”, pontua o presidente.

Questão do GNV

Regularização dos kits de GNV devem receber mais atenção dos órgãos de trânsito
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Regularização dos kits de GNV devem receber mais atenção dos órgãos de trânsito

A frota de veículos movidos a gás natural veicular ( GNV ), que se encontra em situação irregular, foi outro assunto que ganhou espaço nas reuniões da diretoria da FENIVE nos órgãos federais.

O diretor executivo, Daniel Bassoli, conta que o assunto foi discutido tanto na Senatran, quanto em reuniões com parlamentares que integram a Frente de Defesa do Trânsito Seguro. O objetivo, segundo o diretor, foi chamar a atenção dos deputados para as pendências da Senatran e ainda entregar a minuta do projeto de lei sobre aumento das sanções para veículos GNV irregulares.

“Existem muitas instalações clandestinas de GNV no Brasil e geralmente são esses casos que acabam fazendo vítimas. É uma situação fácil de se resolver, mas depende da ação política”, comenta o diretor executivo.

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“O trânsito brasileiro já enfrenta inúmeros problemas, que começa com a imprudência de muitos motoristas e as condições precárias das vias. Os veículos não podem ser um fator a mais nesse cenário negativo, precisam ser um item de segurança para a população”, ressalta.

O diretor cita ainda o exemplo dos veículos sinistrados. São casos em que os carros estão envolvidos em acidentes de “média ou grande montas” – quando ficam seriamente danificados ou inutilizado s, mas acabam sendo recuperados de forma inadequada, mesmo nos casos em que deveriam sair de circulação, e revendidos posteriormente, inclusive pelo valor de mercado.

Acidentes por problemas mecânicos

Cerca de 1,35 milhão de pessoas morrem por ano no mundo no trânsito. Parte disso se relaciona a falhas mecânicas
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Cerca de 1,35 milhão de pessoas morrem por ano no mundo no trânsito. Parte disso se relaciona a falhas mecânicas

De acordo com dados oficiais da Polícia Rodoviária Federal, retirados do Datatrans , todos os anos os acidentes causados por falhas mecânicas oscilam sempre entre 5 e 7%. A entidade acredita que este número é muito maior, devido à falta de estatísticas e investigação dos acidentes.

Em todo o mundo, cerca de 1,35 milhão de pessoas morrem a cada ano em decorrência de acidentes no trânsito , segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas.

A entidade aponta os veículos inseguros como um dos principais fatores de risco à vida, ao lado de outras questões graves como erros humanos, excesso de velocidade e condução sob influência de álcool.

“Aí estão desde os carros com GNV irregular , sem condições de trafegar devido à falta de manutenção e inspeção veicular, até aqueles envolvidos em acidentes e que, por descuido das autoridades, ainda estão em circulação”, enfatiza Everton Pedroso.

De acordo com Bassoli, a intenção é destravar esses assuntos junto às autoridades para que, em 2022, seja possível abrir espaço para o debate de outras questões essenciais ao segmento.

“Não podemos ficar eternamente discutindo os mesmos assuntos. Algumas questões não evoluem há anos, o que provoca um atraso para toda a sociedade. Denúncias devem ser apuradas, soluções informatizadas devem ser desenvolvidas e ações firmadas no Pnatrans devem finalmente sair do papel”, diz Bassoli.

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