
A Stellantis, conglomerado que controla marcas como Fiat, Jeep, Ram e Chrysler, anunciou nesta quinta-feira a suspensão temporária de 900 trabalhadores em cinco instalações nos Estados Unidos. A medida surge como resposta imediata às novas tarifas de importação anunciadas pelo presidente americano.
A decisão também inclui a paralisação da produção em duas unidades de montagem, uma no México e outra no Canadá. As ações foram comunicadas aos funcionários através de uma carta assinada por Antonio Filosa, diretor de operações da Stellantis para as Américas.
No documento, o executivo explicou que a empresa "continua avaliando os efeitos de médio e longo prazo dessas tarifas em nossas operações, mas também decidiu tomar algumas ações imediatas". A notícia impactou significativamente o valor das ações da empresa, que fecharam com queda de 9,3% em Nova York.
Impacto nas fábricas norte-americanas
A unidade de Windsor Assembly no Canadá, responsável pela produção dos minivans Chrysler Pacifica e Voyager, além do Dodge Charger Daytona, ficará paralisada por duas semanas. Aproximadamente 4.500 trabalhadores serão afetados pela interrupção temporária.
A montadora de Toluca no México, que fabrica o Jeep Compass e o Jeep Wagoneer S, ficará parada durante todo o mês de abril. Segundo a empresa, os funcionários mexicanos continuarão se apresentando ao trabalho e receberão seus salários, mas não produzirão veículos.
As cinco instalações americanas afetadas pela suspensão incluem as estamparias de Warren e Sterling, além das fábricas de transmissão e fundição em Indiana e Kokomo. A medida foi classificada como "devastadora" por Romaine McKinney III, presidente do sindicato local que representa os trabalhadores da fábrica de estamparia.
A situação agrava o já baixo moral dos funcionários, que enfrentaram um ano de demissões e programas de desligamento voluntário resultantes da estratégia de redução de custos implementada pelo ex-CEO Carlos Tavares, segundo o representante sindical.
O presidente do sindicato United Auto Workers (UAW), Shawn Fain, criticou duramente a decisão em comunicado, afirmando que "a Stellantis tem o dinheiro, a capacidade, os produtos e a força de trabalho para empregar milhares de membros adicionais do UAW em Michigan, Indiana e além. Essas suspensões são uma escolha completamente desnecessária que a empresa está fazendo".
As medidas surgem após o governo americano ampliar as tarifas para uma base de 10% sobre todas as importações, com taxas ainda maiores para alguns países. Essas cobranças se somam aos 25% de impostos sobre todas as importações de automóveis anunciados na semana passada, que causaram ondas de choque em toda a indústria automobilística global.
Quase metade dos carros vendidos no ano passado nos Estados Unidos – o maior importador mundial de automóveis – foram trazidos do exterior, de acordo com a empresa de pesquisa GlobalData. A Stellantis produz localmente apenas metade dos veículos que vende no mercado americano, incluindo caminhões Ram e Jeeps.
Fonte: Reuters