
Um Lamborghini circulando em meio a um alagamento durante uma forte chuva em Balneário Camboriú, Santa Catarina, na noite de 30 de dezembro de 2025, chamou atenção nas redes sociais.
O vídeo mostra o superesportivo avançando lentamente por uma rua tomada pela água, em um cenário que está longe de combinar com a proposta do carro.
Qual Lamborghini aparece no vídeo?
O modelo flagrado é um Lamborghini Huracán, superesportivo equipado com motor V10 aspirado, posicionado na parte central traseira. Dependendo da versão, são mais de 600 cavalos de potência enviados às rodas por meio de um câmbio automatizado de dupla embreagem.

Toda essa engenharia foi pensada para entregar desempenho em pista e estabilidade em alta velocidade. O vão livre do solo é muito baixo, em torno de 11 centímetros, e as tomadas de ar ficam próximas ao chão, exatamente onde a água se acumula em situações de alagamento urbano.
O que o vídeo não mostra, mas preocupa
Ao entrar em uma lâmina d’água desse tipo, o principal risco é a aspiração de água pelo motor. Quando isso acontece, ocorre o chamado calço hidráulico, falha que pode empenar bielas, danificar pistões e inutilizar completamente o propulsor. Em um Huracán, isso significa um prejuízo que facilmente ultrapassa o valor de um carro popular zero-quilômetro.
Além do motor, há outros pontos críticos. Módulos eletrônicos, sensores do câmbio, sistemas de tração e até componentes do escapamento podem sofrer danos mesmo que o carro continue funcionando após sair do alagamento. São problemas que muitas vezes aparecem dias depois, fora do alcance de garantias ou seguros mais restritivos.
Mesma marca, números que explicam tudo
O episódio poderia ter representado um risco significativamente menor caso o carro envolvido fosse outro Lamborghini. Um modelo como o Urus, por exemplo, reúne características técnicas que ampliariam a margem de segurança em situações como essa e com desempenho esportivo similar.
Do ponto de vista dos números, o Huracán utiliza um motor V10 5.2 aspirado, com 640 cv a 8.000 rpm e 57,6 kgfm a 6.500 rpm, acelerando de 0 a 100 km/h em 3,2 segundos. Toda essa performance é acompanhada de uma arquitetura típica de superesportivo, com motor central, tração traseira e foco total em reduzir centro de gravidade. O resultado aparece na carroceria: vão livre entre 10 cm e 13,5 cm, pneus de perfil extremamente baixo, com 74 mm de flanco na dianteira e 92 mm na traseira, e componentes posicionados muito próximos do solo.
No Urus, a lógica é similar no desempenho, mas algumas benesses. O SUV adota um conjunto V8 biturbo 4.0, com 620 cv a 6.000 rpm e 81,6 kgfm já a 2.250 rpm, além de tração integral permanente. Mesmo com 0 a 100 km/h em 3,6 segundos, número próximo ao do Huracán, a base estrutural muda completamente. O vão livre do solo é variável, indo de aproximadamente 15,8 cm até cerca de 24,8 cm, graças a suspensão pneumática adaptativa. Os pneus, também muito maiores, trabalham com flancos de 128 mm na dianteira e 126 mm na traseira, oferecendo muito mais tolerância em irregularidades e lâminas d’água.

Na prática, isso significa que, enquanto no Huracán poucos centímetros de água já podem atingir entradas de ar, chicotes elétricos e sensores críticos, o Urus opera com uma margem de segurança bem mais ampla. Não se trata de vocação para enchentes, mas daria um pouco mais de segurança em situação similar.