
A Justiça francesa iniciou o julgamento de executivos e engenheiros ligados ao escândalo do dieselgate envolvendo a Volkswagen.
O caso diz respeito a carros a diesel comercializados na França com dispositivos que detectavam quando o veículo estava em teste oficial de emissões, ajustando temporariamente o funcionamento do motor para reduzir os níveis de óxidos de nitrogênio. Em condições reais de uso, os índices de poluição eram significativamente superiores aos limites regulatórios.
Acusações e possíveis penalidades
Promotores franceses acusam o grupo de enganar consumidores e autoridades regulatórias ao vender veículos que não cumpriam as normas ambientais fora dos testes laboratoriais. O julgamento pode resultar em multas elevadas e na obrigação de pagamento de indenizações.
O processo ocorre anos após a revelação do escândalo em 2015, quando autoridades dos Estados Unidos identificaram a existência do software irregular. Desde então, a Volkswagen já pagou bilhões de euros em multas e acordos judiciais em diferentes países.
Na França, o Ministério Público investiga o impacto sobre centenas de milhares de veículos vendidos no território nacional. A legislação local prevê sanções criminais para fraudes corporativas que causem prejuízo a consumidores e danos ambientais.
Contexto do dieselgate
O dieselgate provocou mudanças profundas na indústria automotiva global. Após o escândalo, a União Europeia endureceu regras de homologação e criou testes de emissões em condições reais de condução, conhecidos como RDE (Real Driving Emissions, ou Emissões em Condições Reais de Condução).
A Volkswagen reformulou sua estratégia industrial e passou a acelerar investimentos em eletrificação como parte de um processo de reestruturação. Mesmo assim, o caso segue em tramitação judicial em diferentes jurisdições.
O julgamento francês representa mais um capítulo das consequências legais do escândalo que abalou a reputação da montadora alemã e alterou o rumo da indústria europeia.