A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã voltou a pressionar o mercado internacional de energia e levou o petróleo Brent para US$ 101,95 por barril nesta terça-feira, 17 de março, segundo a Reuters. A alta ocorre em meio a novos ataques iranianos nos Emirados Árabes Unidos e à continuidade das restrições no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Segundo a a mesma publicação, o Brent subiu 1,7% no dia, enquanto o petróleo nos Estados Unidos avançou 1,5%, para US$ 94,91 por barril. O mercado reagiu ao risco de interrupções mais longas na oferta global, depois de a agência informar que a redução do fluxo no Estreito de Ormuz e os ataques a instalações energéticas elevaram a percepção de escassez.
No diesel, o efeito tem sido ainda mais forte. A Reuters informou que o mercado desse combustível está mais exposto ao conflito e que as interrupções em Ormuz podem retirar de 3 milhões a 4 milhões de barris por dia da oferta global do produto.
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Brasil sente pressão de preços, mas não vê falta de produto
No Brasil, a guerra já afetou o preço do diesel. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou em 13 de março que o reajuste anunciado pela estatal foi determinado pelo conflito no Oriente Médio. Segundo a companhia, os preços passaram a ser acompanhados diariamente diante da instabilidade internacional.
A Petrobras informou na mesma ocasião que não há previsão de reajuste da gasolina e declarou que tem mantido as entregas às distribuidoras, inclusive com fornecimento acima do pactuado. A estatal também afirmou que não há falta de combustíveis nem justificativa para aumentos abusivos ao consumidor final.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis informou em comunicado de 8 de março que monitora o abastecimento de diesel em todo o país. Segundo a ANP, o Rio Grande do Sul, que havia registrado dificuldades pontuais de aquisição, contava com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular, com produção e entrega em ritmo normal pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas (RS).
Em 10 de março, o diretor-geral da ANP, Arthur Watt, afirmou que a agência não via risco de desabastecimento no mercado brasileiro. Segundo ele, os principais produtores seguiam com estoques regulares e entregas normais, sem gargalo físico de abastecimento nacional naquele momento.
Dependência de importações mantém mercado atento
A exposição do Brasil é maior no diesel. A Reuters apurou que cerca de 25% do combustível consumido no país é importado. Em outra reportagem, de 9 de março, a agência apontou fatia próxima de 30%, o que mantém o mercado doméstico sensível à alta internacional e ao custo de reposição.
Esse quadro já vinha sendo sentido no campo. A publicação relatou que produtores rurais registraram aumento no custo do diesel e problemas pontuais de entrega, especialmente no Sul, em meio à colheita de soja e ao plantio de milho. Ainda assim, a ANP e a Petrobras sustentam que não há falta generalizada de combustíveis no país.