
A prática de dirigir mais e aceitar mais corridas está relacionada com ganhar mais dinheiro? Segundo dados do GigU, startup de assistência para motoristas e entregadores, as duas ações não necessariamente andam lado a lado.
Apuração de dados
A plataforma afirma que motoristas de aplicativos (como Uber ou 99), que aceitam corridas na capital de São Paulo, registram um lucro de R$ 15,57 por hora, com margem líquida de 43,6%. Porém, a situação não se repete em cidades como Barretos ou São José do Rio Preto, afastadas da Região Metropolitana, onde o lucro rende apenas R$ 10,11, com uma margem de 33%.
A diferença de R$5,46, acumulada ao longo de uma jornada de 200 horas de trabalho, pode não parecer significativa. Entretanto, isto equivale a quase R$1 mil a menos para os motoristas. Em apenas um ano, o impacto registrado é de R$13 mil.
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“Capitais e regiões metropolitanas concentram maior volume de corridas, maior incidência de tarifas dinâmicas e presença mais forte de categorias premium, como Comfort e Black, que elevam o tíquete médio. Além disso, a densidade urbana reduz o tempo ocioso entre chamadas, permitindo um maior número de viagens por hora” Luiz Gustavo Neves, CEO e co-fundador da GigU
Outros estados do Brasil
Em Minas Gerais, o padrão se repete: nas áreas mais populosas, o lucro para os motoristas é de R$ 16,05 por hora, enquanto no Triângulo Mineiro o rendimento cai para R$9,36, uma diferença de R$ 6,69 por hora. Já no Rio de Janeiro, o rendimento médio na capital chega a R$ 18,49 por hora, enquanto em regiões como Angra dos Reis e Volta Redonda, o registro é de R$ 12,24.
O cenário construído nesta indústria é que o CEP do motorista importa para um melhor rendimento. Em todos os estados onde ocorreram as análises, as diferenças apresentam uma grande disparidade, indicando que o problema não está no modo de trabalho dos motoristas, mas sim em uma característica estrutural deste modelo de serviço.
Cidade x interior
No interior, a situação tende a ser mais ambígua: o menor volume de corridas costuma impactar diretamente no lucro médio, porém, custos adicionais como manutenção, combustível e menores deslocamentos pesam menos, ajudando a sustentar as atividades nestas regiões.
Contudo, este cenário não é comum em todos os lugares. Em Pernambuco, por exemplo, motoristas que atuam fora das capitais registram um desempenho de R$ 10,02 por hora, enquanto nas cidades mais afastadas, o lucro é de R$ 9,41. No Sul do país, na cidade de Londrina, o lucro supera o de Curitiba (R$ 15,65), registrando R$ 16,05 por hora.