Motorista de App
Rovena Rosa/Agência Brasil
Motorista de App

Motoristas de aplicativo que rodam com carro financiado têm lucro por hora menor do que aqueles que trabalham com veículo próprio quitado, segundo levantamento da GigU. A diferença varia de R$ 5,47, no Rio Grande do Sul, a R$ 9,73, no Amapá, e pode se aproximar de R$ 13 por hora em recortes específicos.

No Espírito Santo, por exemplo, motoristas com carro quitado registram lucro médio de R$ 23,35 por hora. Entre os que usam veículo financiado, o ganho cai para R$ 13,09, diferença de R$ 10,26 por hora.

Em uma jornada de 200 horas mensais, essa diferença representa mais de R$ 2 mil a menos no bolso de quem trabalha com carro financiado, de acordo com o levantamento.

Custos mensais chegam a R$ 5,1 mil

Segundo a GigU, motoristas com carro financiado operam com custos totais que variam entre R$ 3.800 e R$ 5.100 por mês. Para quem usa veículo quitado, os custos ficam entre R$ 1.200 e R$ 2.900.

A diferença não se limita ao valor da parcela. O levantamento aponta que o financiamento também pode elevar despesas com seguro, IPVA e manutenção, especialmente quando o veículo é mais novo ou exige serviços em concessionárias.

Mais do que a parcela mensal, o financiamento desencadeia um efeito em cadeia nos custos. Veículos mais novos tendem a exigir seguros mais caros, frequentemente com coberturas amplas exigidas pelas financeiras. O IPVA é mais elevado, e a manutenção, em muitos casos, migra para concessionárias, com preços superiores Luiz Gustavo Neves, CEO e cofundador da GigU


Diferença aparece em vários estados

No Ceará, motoristas com carro próprio têm lucro médio de R$ 18,34 por hora. Entre os que usam veículo financiado, o valor cai para R$ 9,07. Ao fim do mês, a diferença supera R$ 1.800 em uma jornada de 200 horas.

Em São Paulo, maior polo de mobilidade do país, motoristas com carro próprio na região metropolitana operam com margem de 58% e lucro de R$ 20,73 por hora. No caso dos financiados, a margem fica em 42,7%, com lucro de R$ 17,08 por hora.

Em Minas Gerais, o ganho por hora cai de R$ 20,64 para R$ 12,36 quando o motorista troca o carro quitado pelo financiado. No Paraná, a diferença vai de R$ 20,84 para R$ 13,38.

Motos também têm impacto do financiamento

O mesmo padrão aparece entre motociclistas de aplicativo, segundo a GigU. No Ceará, quem roda com moto própria registra lucro médio de R$ 17,33 por hora, contra R$ 8,85 no caso de moto financiada.

No Paraná, o ganho por hora dos motociclistas cai de R$ 20,93 para R$ 10,64 quando há financiamento. A plataforma aponta que, embora a moto tenha custos operacionais menores, o peso do crédito continua relevante na margem final.

“Isso não significa que o financiamento deva ser descartado. Para muitos, é a única forma de acesso à atividade. Mas a diferença de desempenho indica que a decisão precisa ser tratada como estratégica, e não apenas como etapa de entrada”, afirma Neves.


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