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Desde o primeiro câmbio automático, cada vez mais a tecnologia substitui o homem na condução

Os modelos da Volvo estão entre os que têm  opção de funcionarem como carros autônomos  em alguns momentos
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Os modelos da Volvo estão entre os que têm opção de funcionarem como carros autônomos em alguns momentos

Muita gente torce o nariz para os carros autônomos, uma tendência considerada irreversível até para as mais conservadoras das montadoras. Mas o processo de tirar do motorista decisões sobre o carro já vem desde antes da Segunda Guerra Mundial, com os primeiros câmbios automáticos.

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Em nome do conforto e da segurança, a inteligência artificial vem cada vez mais assumindo papéis na condução dos veículos, caminhando para um ponto em que, nos carros autônomos , o motorista será dispensável. O esforço da automação ganhou fôlego a partir dos anos 1950, durante a Guerra Fria. Veículos militares sem motorista foram por décadas o sonho de consumo para Forças Armadas de vários países, e hoje isso está próximo da realidade militar e civil.

 Para os saudosistas e entusiastas da velha e boa pilotagem, falar sobre esse tema parece até heresia. Mas basta ver a quantidade de carros automáticos nas ruas para ver que poucos querem pilotar hoje em dia.

Em breve, uma geração de motoristas não saberá como trocar de marchas usando pedal e alavanca. E em poucas décadas, uma outra geração não saberá nem o que fazer com um volante nas mãos. Essa garotada usará serviços de motoristas humanos (fase de transição que já vivemos hoje com a proliferação de aplicativos), depois usará robôs-táxis totalmente autônomos num futuro não muito distante.

Confira a marcha da automação nessa breve linha do tempo :

- 1939: Toda a linha Oldsmobile, da GM, passa a contar com câmbio automático opcional, ao custo de 57 dólares. Era o fim da obrigatoriedade do pedal de embreagem e de trocas constantes de marcha na alavanca.

- 1958 : Chrysler lança o primeiro controlador de velocidade de cruzeiro (o popular piloto automático) nos modelos Imperial, New Yorker e Windsor. Ele mantinha a velocidade constante em estradas, sem precisar do acelerador.

- 1997: Toyota Celsior estreia controle adaptativo de cruzeiro, que mantém distância segura em relação ao veículo da frente.

- 2000: Linha de veículos comerciais Mercedes Actros adota primeiro sistema que alerta o motorista caso ele esteja mudando de faixa sem sinalizar.

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- 2001 : Adeus freio de mão! BMW Série 7 inaugura sistema de estacionamento que não precisa da ação do motorista. Basta ligar ou desligar o carro.

 - 2003: Honda Insight é o primeiro modelo com frenagem emergencial. Em caso de colisão iminente, os freios são acionados para reduzir o impacto (primeiro passo para sistemas que tentam evitar a colisão).

- 2003 : Toyota Prius lança primeiro sistema que estaciona o carro automaticamente em vagas paralelas. Depois viriam os que permitem estacionar também em vagas perpendiculares.

Entre os protótipos de carros autônomos, destaca-se o Stanley, de 2005, que rodou 200 km sem precisar de motorista
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Entre os protótipos de carros autônomos, destaca-se o Stanley, de 2005, que rodou 200 km sem precisar de motorista

- 2005 : Protótipo Stanley (um VW Touareg repleto de radares e sensores), da Universidade de Stanford, completa desafio de percorrer de forma 100% autônoma mais de 200 km de um percurso com muitas variações de terreno, o Darpa Challenge, patrocinado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

- 2016: Caminhão da Uber, escoltado por carros de segurança, faz primeira entrega de um carregamento de latas de cerveja sem auxílio de motorista, depois de rodar quase 200 km.

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- 2018: Primeira fatalidade com carro autônomo. Uma ciclista morreu atropelada por um Volvo XC90 da Uber no Arizona, com um monitor humano a bordo. Depois disso, a Uber suspendeu testes em rodovias públicas nos EUA e Canadá até segunda ordem.

Os cinco níveis dos carros autônomos

A Ford já faz uma série de testes com carros autônomos nos Estados Unidos em níveis variados de automação
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A Ford já faz uma série de testes com carros autônomos nos Estados Unidos em níveis variados de automação

Apesar de alguns acidentes, muitas montadoras e seus parceiros da era digital estão promovendo testes com veículos autônomos. Alguns em circuitos fechados, outros cercados de maiores cuidados, em vias públicas. Conheça os cinco níveis de automação para entender esse fenômeno da mobilidade, segundo a padronização da SAE (Society of Automotive Engineers), publicada em 2014 nos EUA:

Nível 0: Nenhuma automação, embora possa haver no carro controle de cruzeiro (não adaptativo) ou sensores de colisão.

Nível 1: O carro tem ao menos um assistente ativo, que possa tomar certas decisões em lugar do motorista. Exemplos: controle de cruzeiro adaptativo, que mantém distância segura do veículo à frente, ou assistente de manutenção de faixa.

Nível 2: Veículos com dois ou mais assistentes eletrônicos ativos que possam controlar (total ou parcialmente) a aceleração, a frenagem ou o volante. Esse nível já é muito comum em importados premium vendidos no Brasil.

Nível 3: Veículo é capaz de assumir o controle total e operar partes de uma viagem sem intervenção do motorista. Requer pacotes avançados de sensores e uma central de inteligência sofisticada para manter os ocupantes seguros. O motorista deve permanecer vigilante em caso de falha. O Audi A8 poderá ser o primeiro carro com esse nível à venda, mas a marca alemã ainda aguarda homologação para tanto.

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Nível 4: Ainda não há veículos desse nível à venda, capazes de completar uma jornada sem intervenção do motorista, ou mesmo operando sem um motorista . Mas há algumas restrições, como estar confinado a uma determinada área geográfica (longe do off-road, porexemplo) ou com velocidade limitada. Um veículo desse nível tem volante e pedais para que um humano possa eventualmente assumir o controle.

Nível 5: A grande meta dos desenvolvedores de autônomos. Em tese, um veículo desse tipo pode rodar em qualquer condição razoável de terreno, sem limitações geográficas ou de velocidade. Tem capacidade de tomar decisões em milésimos de segundo no tráfego e interagir plenamente com o ambiente. Não requer nem o posto de comando para o motorista, nem, volante, joysticks ou pedais.

Portanto, os carros autônomos mais sofisticados ainda estão chegando ao nível 3. Mas os pesados investimentos em radares, sensores, inteligência artificial e conectividade podem acelerar o processo de tirar de cena os motoristas. A chegada em breve da conexão 5G será um passo enorme nesse caminho.

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