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Uma viagem desde os clássicos do passado até os superesportivos do presente. Confira detalhes desse nicho de mercado

Cadillac Eldorado dos anos 50 é um dos ícones dos carros de luxo antigos, de tempos que não voltam mais
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Cadillac Eldorado dos anos 50 é um dos ícones dos carros de luxo antigos, de tempos que não voltam mais

Num tempo em que o carro não tinha quase nada de popular, quem dominava as ruas eram os carros de luxo que chamavam atenção pelo tamanho. Estou falando dos anos 50 e 60, principalmente, nos Estados Unidos em que muitos carros marcaram época. A lista inclui clássicos como o Buick Super, o Cadillac Eldorado, o Chevrolet Corvette e o Ford Thunberbird.

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 Hoje, os carros de luxo são raridade. Mas, no Salão de Detroit (EUA), foi apresentado o novo Toyota Avalon, que trouxe uma pitada de ousadia ou quem sabe uma inspiração no passado. O sedã tem 4,98 metros de comprimento e pode chegar já em 2018 ao Brasil. Mas tirando o tamanho, obviamente, ele não guarda semelhanças com os carros antigos. Ao contrário dos tempos atuais, os anos 50 foram marcantes porque era uma época de expansão pós-Segunda Guerra Mundial. A indústria era estimulada e a produção de bens de consumo voltou a ganhar força. Esses carros têm praticamente a minha idade e é espantoso notar quanta coisa mudou em mais de 60 anos. Se antes Ford, GM e Chrysler lideravam a expansão por estarem no território americano, símbolo da retomada, com o passar dos anos os concorrentes voltaram com força.

O Toyota Avalon tem linhas sóbrias no exterior, característica que costuma atrair os norte-americanos
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O Toyota Avalon tem linhas sóbrias no exterior, característica que costuma atrair os norte-americanos


 Hoje, especificamente no Brasil, a líder de marcas premium é a Mercedes- Benz. A marca alemã fechou 2017 com a maior fatia do mercado. Foram 12.474 unidades emplacadas por aqui. As maiores concorrentes foram a BMW e a Audi. Mas essa briga ainda traz Land Rover, Volvo, Porsche e Jaguar. Isso sem falar nos superesportivos como Ferrari, Lamborghini e Aston Martin. Aliás, a Aston Martin tem acompanhado James Bond nas telas do cinema e da uma boa ideia do que estou descrevendo. A diferença entre o modelo de luxo DB5 dirigido pelo ator Sean Connery, em 1964, no clássico 007 contra Goldfinger é gritante para a versão DB10, de 2016, utilizada em 007 contra Spectre, que traz Daniel Craig no papel do espião mais famoso do mundo. O DB5 é certamente o mais icônico dos carros do 007. Mas o DB10 também virou peça de colecionador, já que teve apenas dez unidades produzidas. Tudo isso ajudou a criar uma mística em volta da marca Aston Martin.

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Aston Martin DB5 do filme
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Aston Martin DB5 do filme "Goldfinger", do agente secreto James Bond

 Já que citei dois filmes, vale lembrar uma série de TV marcante: Mad Men (2007-2015). O publicitário Don Draper, interpretado por Jon Hamm, não era propriamente um fanático por carros. Mesmo assim, grandes clássicos foramusados para mostrar os costumes do começo da década de 60. Um tempo  em que o terno era traje quase obrigatório, bebidas alcoólicas eram servidas nas salas dos executivos, as marcas de cigarros sustentavam as agências e a TV era um item de luxo. Na série, uma raridade roubou a cena: um Cadillac Imperial Crown (1964).

A trajetória do Ford Galaxie

Quanta coisa mudou. O interessante é que a introdução da Ford na indústria automotiva brasileira praticamente começou com um carro de luxo, o Galaxie 500 que este ano faria 51 anos. O começo dessa história foi na fábrica da montadora no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Com a inspiração do modelo lançado nos Estados Unidos, a primeira unidade saiu da linha de montagem em fevereiro de 1967, marcando um momento histórico para a produção nacional.

Primeiro automóvel de passeio da Ford, o Galaxie tinha um porte avantajado com 5,30 metros de comprimento, 2,0 metros de largura e 3,0 metros entre eixos. O resultado era um enorme balanço, que não incomodava ninguém.

Certamente era um dos charmes do carro que tinha para-choque, calotas, frisos, grade e retrovisor cromados, além dos faróis redondos sobrepostos. O primeiro motor veio da picape F.100, um V8 de 164 cavalos. Outra inovação foi que, em 1969, a montadora oferecia a versão LTD com motor V8 de 190 cv e foi o primeiro veículo fabricado no Brasil com câmbio automático, então chamado hidramático. Dois anos depois, lançou a versão superluxuosa, chamada Landau, nome originado das antigas carruagens francesas de luxo.

O Landau era o carro dos executivos e participei de alguns momentos marcantes desse carro. Um deles foi quando a Ford apresentou o primeiro automóvel de luxo movido a álcool em 1980, com um motor de 302 polegadas cúbicas de cilindrada. Essa versão representava uma economia ao abastecer o enorme tanque de 107 litros.

Ford Galaxie Landau: o sedã que foi vendido no Brasil entre 1967 e 1983, inclusive com motor V8, movido a etanol
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Ford Galaxie Landau: o sedã que foi vendido no Brasil entre 1967 e 1983, inclusive com motor V8, movido a etanol

 Para se ter uma ideia, o Fusion, que é a aposta atual da Ford no segmento de carros de luxo, tem um tanque de 62 litros. E um detalhe significativo, enquanto o Landau era uma das apostas de produção local, o atual Fusion é importado do México devido a subsídios de acordos bilaterais entre os países. Mesmo assim, esse modelo na categoria de veículos executivos de luxo tem sofrido para emplacar.

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 Voltando ao Landau, o azul clássico foi a cor de lançamento. As inovações incluíam fechadura com comando elétrico do porta-malas, suspensão traseira com estabilizador e cintos dianteiros do tipo retrátil de dois pontos. Cheguei a participar de uma caravana com o Landau que percorreu mais de mil quilômetros. O objetivo era apresentar as novidades do modelo ao público.

Um Landau foi também o Papamóvel utilizado pelo Papa João Paulo II em sua visita a Curitiba em 1980. Com a crise do petróleo, o modelo foi definitivamente aposentado em abril de 1983. Virou item de coleção, mas teve uma bela trajetória. Pensando bem, a história de todo carro de luxo daria um bom filme.

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