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Preços elevados e segurança pública criam barreiras para um mercado tão específico. Saiba como funciona o mercado de conversíveis no Brasil

Chevrolet Camaro conversível, esportivo com tecnologia de última geração e 461 cv de potência
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Chevrolet Camaro conversível, esportivo com tecnologia de última geração e 461 cv de potência

Num país com grande faixa litorânea e ensolarado a maior parte do ano, os carros conversíveis se tornam objeto de desejo para muitos. Mas no Brasil eles, definitivamente, não emplacam. Muito pelo preço dos modelos disponíveis ou pelo problema de segurança pública, já que quem compra carros de alto luxo prefere que sejam blindados. Atualmente, o Chevrolet Camaro Conversível é anunciado no seu site de vendas por R$ 346 mil. Com tecnologia de última geração, ele tem um motor de respeito: 6.2 litros de cilindrada, que gera 461 cavalos de potência.

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Nos Estados Unidos, um Camaro Conversível parte de US$ 33.695. Para quem ganha em dólar e tem todas as facilidades de linhas de crédito americanas, não chega a ser um enorme absurdo, inclusive, quando comparamos com os preços praticados aqui. Na conversão, ele sai por quase R$ 109 mil. Três vezes menos do que o valor no Brasil. Claro que temos que entrar na longa discussão de altos impostos de importação e muitos outros custos brasileiros, mas isso já mostra como a diferença é grande no preços dos conversíveis .

 A BMW também tem no Brasil o modelo Série 4 Cabrio Sport com preço a partir de R$ 311.950. Seu turbo, tem potência de 252 cv. Na lista de importados, um dos que surgem com menor valor é o Mini Cooper S Cabrio, que sai por R$ 168.390. Com motor 2.0 turbo, tem uma potência de 192 cv. E aqui vale uma curiosidade, a denominação cabrio que vem de cabriolet. É um termo originário do francês para se referir às carruagens. Nos dias de hoje, são os conversíveis. Cavalos muito mais caros é que movimentam estas máquinas.

Mini Cooper S Cabrio tem motor 2.0 turbo e potência de 192 cv, anunciado por R$ 168.390
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Mini Cooper S Cabrio tem motor 2.0 turbo e potência de 192 cv, anunciado por R$ 168.390


 Para quem gosta de utilitários esportivos sem capota, o Range Rover Evoque Conversível é a opção disponível no mercado brasileiro e custa em torno de R$ 300 mil. Tem uma cabine de alto luxo, mas enfrenta uma trilha off-road, mesmo que leve. Sob o capô desse SUV, um motor 2.0 turbo de 240 cavalos, além de ter tração integral (AWD).

Range Rover Evoque Conversível, utilitário esportivo sem capota para uso na cidade e fora-de- estrada
Divulgação
Range Rover Evoque Conversível, utilitário esportivo sem capota para uso na cidade e fora-de- estrada


 Conversíveis de colecionadores

 Os preços desses veículos mostram que o mercado de conversíveis é para poucos. Mas o mais interessante é que no início da produção nacional, algumas marcas investiram no segmento de carros conversíveis.

 No final dos anos 60, a Volkswagen lançava o Karmann Ghia conversível. Foi um projeto conjunto, que já existia na Europa, com a mecânica VW, design italiano do estúdio Ghia e a estamparia da empresa alemã Karmann. Para a produção brasileira, que durou até fins de 1970, foi criada também uma fábrica no Brasil.

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Foram poucas unidades vendidas e hoje o Karmann Ghia é uma raridade disputado por colecionadores. Aproveitando o sucesso da versão esportiva do cupê Escort, em 1985, a Ford iniciava a produção nacional do XR3 Conversível, original de fábrica. O processo de produção era muito similar ao feito pela VW e um tanto complexo para um veículo de série. A mecânica era Ford, a Karmann Ghia montava o chassi, a montadora americana fazia pintura e retornava à alemã para o acabamento e qualidade final.

Escort XR3, o conversível brasileiro de sucesso e objeto de desejo nos dez anos de produção no País
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Escort XR3, o conversível brasileiro de sucesso e objeto de desejo nos dez anos de produção no País

Embora as fábricas fossem muito próximas em São Bernardo do Campo (SP), é natural que este sistema produtivo acabava por encarecer o veículo. Mesmo assim, e eu posso testemunhar sobre essa afirmação, o XR3 Conversível logo se transformou em objeto de desejo dos brasileiros. A motorização começou com o 1.6, a etanol, de 82 cv e passou por mudanças com a introdução de versões 1.8 e 2.0. O modelo teve também uma reestilização.

 Com a abertura do mercado para os importados, a Ford tirou de linha o modelo em 1995 e nunca mais teve um conversível no Brasil. Nem o esperado Mustang trará, pelo menos no momento, a versão conversível, com a montadora optando apenas em vender o modelo cupê com capota.

Mas voltando ao passado, a Chevrolet também teve seu conversível relativamente nacional no Brasil. Foi o Kadett GSI que nasceu por aqui na onda do sucesso do Ford. Mas a sua produção era ainda mais complicada. A estrutura conversível do GSI era fabricada pelo estúdio Bertone, na Itália, e vinha para a fábrica da GM em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, para a instalação da mecânica do Kadett e a montagem final do veículo vendido como um carro exclusivo. Um grande diferencial é que ele foi lançado no Brasil com um motor 2.0, de 121 cv que marcou o início da geração de injeção eletrônica no país, abandonando os carburadores.

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 Sabemos que os americanos são grandes admiradores dos conversíveis e eles surfam na onda até mesmo no aluguel desses carros. Quem já teve a chance de ir, por exemplo, para a Florida ou Califórnia, nos Estados Unidos, vê com certa frequência esses veículos nas ruas. E não são apenas os moradores. Muitas locadoras oferecem dezenas de modelos. Numa garagem do aeroporto você é capaz de ver enfileirados vários Mustangs Conversíveis como se fosse um feirão de veículos. A diária sai em média US$ 42, quase R$ 136. Vai depender do gosto do cliente e do dinheiro no bolso, claro.

Mustang Conversível, ícone da indústria automotiva, pode ser alugado, nos Estados Unidos
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Mustang Conversível, ícone da indústria automotiva, pode ser alugado, nos Estados Unidos

 No Brasil, por enquanto, os conversíveis ainda são pouco comercializados. Estão longe de figurar em rankings de vendas. E olha que o texto aqui girou muito em torno de valores e história, porque se o assunto entrar na segurança pública aí é que se tornam, realmente, difíceis de as vendas deslancharem.

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