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Divulgação/Johanes Duarte
A Royal Enfield 650 Interceptor laranja é a minha preferida

Antes de começar a descrever como é pilotar as novas Royal Enfield 650 Twin, é sempre bom relembrar um pouco da história dessa marca secular. A Royal Enfield é a marca de motocicletas mais antiga do mundo em produção ininterrupta, com a primeira motocicleta produzida em 1901, no Reino Unido.

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A Royal Enfield ficou famosa com a Bullet, monocilíndrica que foi produzida desde 1932 até os dias atuais. Já o primeiro motor de dois cilindros paralelos chegou em 1950, com 500 cm3 e depois 700 cm3, equipando a Royal Enfield Meteor. E a Interceptor Twin chegou em 1962 com 750 cm3 e foi produzida até 1970.

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Com guidão alto e postura ereta, a Interceptos é mais confortável


Depois de conquistar o motociclista brasileiro com a linha clássica, as monocilíndricas Bullet, Classic e Continental GT 535, e também com a Himalayan, modelo de uso misto com motor monocilíndrico de 411 cm3, a marca anunciou o início de produção da sua primeira bicilíndrica da era atual, a Royal Enfield Interceptor e a Royal Enfield Continental GT.

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Boa de retas e de curvas, viajar com as Royal Enfield Twin é um prazer

As duas motocicletas compartilham toda a mecânica, do motor de dois cilindros em linha de exatos 648 cm3, com potência de 47 cv e torque de 5,3 kgfm, passando pelo inédito câmbio de seis marchas até o quadro de aço de berço duplo. Suspensões e freios também são iguais nas duas motos, a dianteira sem regulagem e a traseira com dois amortecedores a gás, com cinco posições de pré-carga das molas.

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O visual das naked clássicas de farol redondo é o charme da motocicleta

Mesmo com todas essas coincidências mecânicas, Interceptor e Continental GT não são gêmeas. Pelo menos não univitelinas. Por isso o termo “twin” não é utilizado por esse motivo, mas sim por causa da arquitetura do motor. Com dois pistões trabalhando paralelamente, costuma-se chamá-los de gêmeos, ou Twin. Só que alguns estudiosos mais rígidos consideram que um motor bicilíndrico gêmeo é aquele cujos pistões sobem e descem ao mesmo tempo, como era na nossa tão conhecida Honda CB 400/450. Uma variação nos bicilíndricos é aquele cujos pistões sobem e descem alternadamente, como conhecemos em outra Honda nacional, a CB 500.

Diferenças entre as Royal Enfield 650

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A Royal Enfield 650 Continental GT tem uma posição de pilotagem diferenciada


Nas Royal Enfield 650 Twin, os pistões têm uma defasagem de 270º, um recurso muito utilizado atualmente para realçar a retomada de torque em baixas rorações. A Yamaha usa esse recurso na MT-07, chamando-o de “motor crossplane”. Para compensar a vibração que surgem em pistões trabalhando a 270º, os motores Twin das Royal têm um eixo contra-balanceador.

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As diferenças entre a Royal Enfield Interceptor e a Continental GT são poucas e todas visualmente identificadas. Na Interceptor, o guidão é alto, fixado sobre a mesa superior, e a Continental tem dois semi-guidões do tipo tomazeli, fixados diretamente nas bengalas da suspensão. Os tanques de combustível também são bastante diferentes. E como a pedaleira do piloto é pouca coisa recuada no caso da GT, a posição de pilotagem é um ligeiramente mais confortável na Interceptor.

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Os belos escapamentos cromados completam o belo visual nos dois modelos

A diferença de posição de pilotagem, no entanto, não caracteriza a Continental GT como uma autêntica esportiva, uma vez que os semi-guidões são altos, apesar de estarem presos às bengalas. Como eu mesmo comentei algumas vezes na ocasião da apresentação das motos, para que a Continental se transformasse em uma café racer legítima, os guidões deveria ser bem mais baixos e o banco individual, com uma rabetinha dando o toque visual. Claro que isso tornaria a motocicleta bem menos confortável para passeios, porém mais realista em relação à origem do estilo.

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Das opções para a Continental, a de tanque cromado é a mais bonita


No teste que fiz com as motocicletas, em 400 km de estradas (metade totalmente na chuva), essas diferenças não foram tão importantes, ficando mais patente o banco um pouco menos dolorido na Interceptor. Ambas mereciam bancos mais largos, mais confortáveis.

Na estrada, o motor bicilíndrico deu conta de todas as partes do passeio, sempre respondendo com vigor sempre que solicitado, mesmo em marchas altas e rotações baixas.

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Sem muita frescura, as Twin têm faróis redondos convencionais

Os equipamentos de série são básicos, apenas com o essencial no painel, de boa visualização. Faltou apenas um indicador de marchas, para que não fosse necessário, a todo momento, verificar se a sexta marcha estava engatada, já que a relação é longa e o motor vira baixo mesmo em velocidade de cruzeiro.

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Para resumir todas as virtudes das novas Royal Enfield 650, basta dizer que são excelentes escolhas para uso diário, urbano ou rodoviário, pela simplicidade, pela robustez, pelo prazer de condução e, principalmente, pela beleza. Os dois escapamentos cromados complementam o belo visual nos dois modelos.

Para quem, como eu, gosta do visual limpo das naked clássicas, daquelas que têm o farol redondo convencional, a Royal Enfield Interceptor é “a” motocicleta. E na cor laranja, “Orange Crush”, a mais barata e a mais bonita.

A Royal Enfield Interceptor começa com o preço de R$ 24.990, na cor laranja, e chega a R$ 26.990, dependendo da cor (são seis cores). A Royal Enfield Continental GT começa com R$ 25.990 e chega a R$ 27.990, também dependendo da cor do tanque. São cinco cores, incluindo um tanque cromado.

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