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Moto fez história com baixo investimento na compra e robustez comprovada. Veja detalhes do recomeço da DT que estava jogada às traças

A Yamaha DT 200R ficou deliciosa de ser pilotada. Uma viagem no tempo
Laner Azevedo
A Yamaha DT 200R ficou deliciosa de ser pilotada. Uma viagem no tempo

É sempre na virada do ano que acontecem as retrospectivas. Nesta primeira semana de 2019, não contarei sobre todas as 52 motocicletas que conhecemos, experimentamos e mostramos aqui no ano que passou, mas sim sobre uma motocicleta que fez história, em seu tempo: a Yamaha DT 200R.

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A Yamaha DT 200R pode ser definida como o ápice de uma carreira de sucesso, que começou ainda no final de 1981 com a DT 180 Trail e terminou no ano 2000, para tristeza daqueles que ainda amavam os motores dois tempos.

Antes de se tornar DT 200, em 1991, a trail da Yamaha já mostrava os sinais de seus dez anos de mercado, depois, é claro, de receber muitas inovações durante esse período. A nova motocicleta era mais bonita, mais potente e tinha algo que os DTzeiros sempre sonharam: motor refrigerado a água. Ironicamente, no entanto, a DT 180 – talvez devido a um explicável “ciúme”, caso fosse humana – sobreviveu até 1997, com virtudes que incluíam baixo investimento na compra, robustez comprovada e, quem sabe, um grande amor pela decana.

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Nem parece que mais de 20 anos se passaram, a Yamaha DT 200R ainda é bela
Laner Azevedo
Nem parece que mais de 20 anos se passaram, a Yamaha DT 200R ainda é bela

Nossa protagonista, a Yamaha DT 200R, chegou em 1994, como uma evolução da DT 200 . As principais diferenças entre as duas “duzentinhas” eram o tanque de combustível de maior capacidade, freio a disco na roda traseira e um visual um pouco mais moderno. A DT 200 foi descontinuada em 1997 junto com a DT 180, de forma que até o fim de seus dias a Yamaha DT 200R reinou sozinha na marca dos três diapasões. Foi a última motocicleta brasileira com motor dois tempos.

A Yamaha DT 200R acabava também com o grande dilema dos motociclistas que sofriam de “toc”: a DT 200, para grande irritação de alguns, tinha o radiador de água na vertical e apenas do lado direito, com direito a um grande e belo captador de ar. Do lado esquerdo, nada! A nova moto resolveu o problema com um desenho geometricamente simétrico.

Não há dúvidas de que a Yamaha DT 200R foi a mais bela trail dois tempos de nossa história. Pelo menos para mim. Fiquei muito satisfeito, então, quando soube que meu amigo Laner estava restaurando uma delas. E aí vai um pouco da história dessa sortuda motocicleta, que tirou a sorte grande ao ser escolhida por um restaurador tão caprichoso.

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Pelo que esta Yamaha DT 200R passou

Relógios tradicionais da Yamaha DT 200R são bem o estilo da marca: analógicos e com cabos
Laner Azevedo
Relógios tradicionais da Yamaha DT 200R são bem o estilo da marca: analógicos e com cabos

O primeiro dono dessa Yamaha DT 200R de 1998 a comprou nesse mesmo ano só pra rodar dentro de seu condomínio, e por esse motivo a usava muito pouco. A parte triste da história é que a motocicleta ficou largada por dez anos, em virtude de uma dívida trabalhista de seu dono, que deixou de cuidar dela. Ao fim da contenda, o segundo dono fez uma restauração mal feita, o que não resolveu em nada os seus problemas de abandono. E aí ela caiu nas mão do Laner.

Com toda a documentação em dia, inclusive a do processo trabalhista, a DT 200R começou a tomar forma. Muitas coisas foram trocadas, inclusive os aros originais de alumínio, que deram lugar a aros japoneses da YZ, com raios de inox. Os cubos foram repintados.
Havia muitos itens cromados, o que não era original. Dessa forma, pedal de partida, de câmbio e de freio, juntamente com muitos parafusos, foram para o lixo. Agora é tudo zincado. O motor, todo original, foi refeito pelo Renato Gaeta.

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Motor dois tempos refrigerado a água na Yamaha DT 200R
Laner Azevedo
Motor dois tempos refrigerado a água na Yamaha DT 200R

Só a pintura do nome Yamaha no couro do banco consumiu 20 horas de trabalho. De cada lado. Nova pintura no guidão e no bagageiro, mangueiras e retentores substituídos, pneus e câmaras, vela, palheta, fluidos, reparos dos freios, enfim, quase tudo novo. Até uma ventoinha original Yamaha, um acessório que se usava na época para auxiliar na refrigeração, foi instalada. Tudo obra do orgulhoso pai da criança, o jornalista especializado Laner Azevedo, que também – não por acaso – é assessor de imprensa da Yamaha e também o autor das fotos.

Mas o risco que ele correu na hora de me emprestar sua belíssima Yamaha DT 200R só depois ele foi avaliar: ele foi firme em recusar ofertas para que sua motocicleta mudasse de garagem.
Nem preciso dizer que a restauração foi primorosa e que, além de muito bem montada, a DT ficou parecendo nova, como aquelas que pegávamos lá na fábrica de Guarulhos para teste, nos anos 90. Firme, toda justa e deliciosa de ser pilotada. Como qualquer bom amante de motores dois tempos gostaria.

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