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A Harley-Davidson FXDR é a mais redical das motocicletas da família Softail

 Harley-Davidson FXDR tem mesmo um visual bandido,que combina arrojo como esportividade
Paulo Imai
Harley-Davidson FXDR tem mesmo um visual bandido,que combina arrojo como esportividade

Só de olhar de perto para a nova Harley-Davidson FXDR, a ideia de força bruta surge na mente. Essa é a intenção. Fazendo parte do conceito Power Cruise da marca, o mesmo que definia a H-D V-Rod, a FXDR é a única Harley a não adotar um nome próprio, ficando conhecida apenas pelas quatro letras.

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Sobre a mesa superior da suspensão dianteira, uma pequena placa mostra essas mesmas letras com o “R” destacado em vermelho, sugerindo alguma coisa como “racing”. De competição, talvez a Harley-Davidson FXDR tenha herdado alguma coisa das arrancadas, tipo uma drag-bike. O largo pneu traseiro de240 mm de largura realmente sugere isso. Os dois semi-guidões são fixados diretamente nas bengalas da suspensão, mesmo princípio adotado pelos famosos tomaseli de competição.

A tendência atual das motocicletas musculosas, que tem na Ducati XDiavel um ótimo exemplo, é quase uma releitura da mítica motocicleta do Akira, personagem dos mangás dos anos 80, e que agora conta com uma representante da marca norte-americana. A finada V-Rod não era bem assim, pois era mais sofisticada e menos brutal. Aguardamos por aqui mais um rival da FXDR nesse segmento, a recém-lançada no Europa Triumph Rocket III , que se transformou de uma road cruiser em uma power cruiser .

A nova Harley-Davidson e mais crua, apesar do acabamento primoroso. Muito preto fosco – mesmo na versão de cor branca – e componentes minimalistas formam a sua personalidade. Não há mostradores no painel de instrumentos, apenas um pequeno display digital com números pequenos para indicar a velocidade e outras poucas informações.

A roda traseira da Harley-Davidson FXDR é uma obra de arte, assim como uma série de outros detalhes
Divulgação
A roda traseira da Harley-Davidson FXDR é uma obra de arte, assim como uma série de outros detalhes

Uma das virtudes da FXDR é fazer parte do line-up normal da marca para 2019, utilizando o mesmo motor Milwaukee Eight 114 que equipa outros modelos normais, montado no mesmo quadro Softail. O que a difere são os componentes especiais de alumínio e compósito que lhe conferem um peso amenizado e, principalmente, um visual muito, mas muito agressivo.

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A comparação da H-D FXDR com a já conhecida H-D Breakout, que já está no line-up há algum tempo mas também chega renovada para 2019, é inevitável. Lado a lado, elas mantém muitos pontos em comum, em especial as dimensões (a FX é um pouco mais longa e um pouco mais alta) e o jeitão alongado. Até a inclinação do garfo dianteiro é a mesma, 34º de cáster. Só que a suspensão dianteira da FXDR é invertida, enquanto a da Breakout é convencional, assim como outros detalhes de acabamento. A Breakout, ao lado da FXDR, até parece um tanto simplória.

Um item controverso é o para-lama traseiro da FXDR, fixado na balança da suspensão traseira juntamente com o suporte da placa. É uma solução estética que normalmente não aprovo, mas não posso negar que nessa Harley o resultado visual é muito bom.

Caixa do filtro de ar de grande capacidade na Harley-Davidson FXDR, cujo preço parte de R$ 82.200
Divulgação
Caixa do filtro de ar de grande capacidade na Harley-Davidson FXDR, cujo preço parte de R$ 82.200

A rabeta traseira, também bastante estilizada, é curta e termina antes do eixo traseiro, e não há lugar para um eventual garupa. No seu lugar, existe um pequeno porta-objetos com uma tampa plástica que não pode ser travada. Com um pouco de vontade, no entanto, essa tampinha pode ser substituída por um desconfortável estofado para uma carona de emergência, sem qualquer conforto. O kit, que inclui as pedaleiras, é um item acessório original e deve ser adquirido separadamente. Complementa o visual fora do comum da traseira da motocicleta a belíssima roda preta fechada, de alumínio.

O que dizem por aí da FXDR, e de algumas motocicletas ousadamente radicais que existem por aí, é que ela é do tipo apaixone-se ou esqueça-a. Se visualmente as opiniões tendem a convergir, na pilotagem o assunto muda. É claro que o ronco do belo escapamento 2-em-1, que tem o catalisador no cabeçote, mais ainda o som do ar sendo sugado pela enorme caixa do filtro de ar, inspiram uma pilotagem bem divertida, na qual os 16 kg de torque são sempre intimados a comparecer em quase todas as acelerações um pouco mais longas.

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Mas a posição do piloto é igualmente radical, com os braços e as pernas jogados lá na frente e a bunda tentando encaixar no banco, que por sinal seria bem confortável se pudesse ser totalmente utilizado. Quem sabe funcione para um piloto de maior estatura. Ruim para quem optou por manter na motocicleta uma posição ereta, com as costas praticamente na vertical e com os joelhos dobrados. Eu não encararia uma viagem muito longa com a H-D FXDR. Talvez se houvesse uma opção de pedaleira recuada, como havia na versão Street Rod da V-Rod...

Acelerando a Harley-Davidson FXDR

Painel minimalista na Harley-Davidson FXDR inclui um pequeno mostrador digital entre os principais componentes
Divulgação
Painel minimalista na Harley-Davidson FXDR inclui um pequeno mostrador digital entre os principais componentes

Quanto ao seu comportamento dinâmico, é claro que uma motocicleta de entre-eixos longo (1.735 mm) e cáster acentuado não pode ser um primor nas curvas, principalmente as de menor raio, mas a FXDR não assusta. Com preparação e vontade, é possível brincar em uma estrada um pouco virada.

As suspensões colaboram. No meio dos carros, no trânsito apertado das grandes cidades, o guidão largo exige um pouco das habilidades do malabarista e do contorcionista, mas ela tem excelente equilíbrio e, com um pouco de pratica e cuidado, ninguém vai se apertar.

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A Harley-Davidson FXDR é a mais caras das motocicletas de família Softail, custando R$ 82.200 na cor preta brilhante e R$ 82.800 nas outras cinco cores, a branca, a vermelha, a preta, a cinza e a cobre, todas elas de acabamento fosco.