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Chevrolet Onix, Ford Ka, Toyota Etios e VW Gol estão entre os cinco carros mais vendidos no parceiro do Mercosul

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Chevrolet Onix: produzido no Brasil e segundo colocado na Argentina

Sete carros brasileiros dominam o mercado argentino. Por carro brasileiro, evidentemente, entenda-se carro fabricado no Brasil, pois nenhuma marca 100% nacional produz autoveículos em grande escala no país. Por isso, cada vez que existe um ruído entre o governo brasileiro e qualquer governo argentino (atual ou futuro), a indústria automobilística treme.

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Não se pronuncia em público, mas acende o sinal amarelo nos bastidores. Isso tem uma explicação: as exportações da indústria automobilística instalada no Brasil dependem da Argentina como o planeta depende da floresta amazônica, para ilustrarmos outro assunto que colocou o governo brasileiro em evidência internacional.

Segundo a consultoria Focus 2 Move, sete entre os nove carros mais vendidos na Argentina são fabricados no Brasil. O primeiro a aparecer é o Chevrolet Onix , seguido do Ford Ka. Somente as picapes Toyota Hilux (líder do mercado) e VW Amarok (oitava colocada) são fabricadas na própria Argentina. Os demais cinco carros brasileiros na lista dos nove mais vendidos seguem essa ordem: Toyota Etios, Volkswagen Gol, Peugeot 208, Renault Sandero e Renault Kwid.

Segundo a Anfavea (Associação Brasileira dos Fabricantes de Veículos Automotores), o Brasil domina 63,1% do mercado argentino. Por isso, nesse momento em que a indústria brasileira tenta se tornar competitiva nas exportações, é preciso ter tato e alguma cautela nas relações internacionais. Os negócios não gostam quando a ideologia – à esquerda ou à direita – toma a dianteira nas questões internacionais.

Além disso, novamente segundo a Anfavea, as exportações brasileiras para a Argentina subiram de 23% para 38% de 2006 a 2018 (período analisado). Em compensação, houve queda nas vendas para os EUA (de 18% para 13%), para a União Europeia (de 14% para 10%) e para o México (de 13% para 8%).

Quanto o Brasil ganha com as exportações

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Participação dos carros brasileiros no mundo: Argentina é um mercado importante.

No ano passado, o Brasil produziu 2,893 milhões de autoveículos (carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus), mas exportou só 643 mil desse volume. De 1961 a 2018, somente em sete temporadas o Brasil exportou mais de 700 mil autoveículos. E apenas em dois anos (2005 e 2006) as exportações ficaram na casa dos 800 mil autoveículos.

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Nos 58 anos divulgados pela Anfavea, as primeiras exportações ocorreram em 1961, quando o Brasil vendeu 380 ônibus para o exterior. Em 1965 vieram as primeiras exportações de caminhões, com a venda de nove unidades. Somente em 1969 o Brasil fez a primeira exportação de carros de passeio, vendendo três unidades.

Em 1970, houve a primeira exportação de comerciais leves, com a venda de 78 veículos. Como se vê, a tradição brasileira na exportação de autoveículos é recente e precisa ser conduzida com muito esforço e bom senso.

A maior exportadora de veículos do Brasil é a Volkswagen, que vendeu 103.810 unidades no ano passado. Muito próxima a ela vem a General Motors , que exportou 102.582 veículos Chevrolet em 2018. Como o governo brasileiro anda em pé-de-guerra com a França, vale dizer também que a Renault é a terceira maior exportadora do Brasil, com 101.558 carros vendidos no ano passado.

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Volkswagen Gol: criado por brasileiros e amado por argentinos, ajudando a marca campeã de exportações

Hoje, no mundo globalizado, os Estados-nação perderam poder perante as empresas transnacionais, como é o caso da Volkswagen, da GM e da Renault. Das três, a GM já ameaçou sair do Brasil, fato que, se ocorrer, causará um impacto importante na economia brasileira.

Considerando a balança comercial automotiva, o Brasil arrecadou no ano passado um total de US$ 8,819 bilhões com as exportações de autoveículos. Desse total, nada menos de US$ 5,288 bilhões vieram da Argentina. O México contribuiu com US$ 433 milhões. Mas, mesmo assim, é muito mais relevante do que os EUA (com quem o atual governo brasileiro se dá bem), pois os americanos importaram apenas US$ 19 milhões em autoveículos brasileiros. A balança com a União Europeia também é pífia para o lado brasileiro, com apenas US$ 26 milhões exportados para o Velho Mundo. Participação da China? Zero.

Os melhores anos nas exportações de carros

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Renault Kwid, um dos mais vendidos na Argentina: leva bandeira da França na terceira maior exportadora de autoveículos

Outro exemplo de que a indústria automobilística não quer saber de guerra ideológica com ninguém é o histórico de exportações do Brasil. Como dissemos, somente em 2005 (com 897.144 autoveículos exportados) e em 2006 (com 842.812 exportações) a indústria brasileira esteve na casa dos 800 mil. Fora esses dois anos, somente em mais cinco ocasiões os carros brasileiros exportados ficaram na casa dos 700 mil. Em 2004, foram 758.787 unidades. Em 2007, houve uma pequena queda em relação ao ótimo 2006, para 789.365, repetida em 2008 com 734.534 exportações.

Depois da crise de 2009, provocada pela quebra do Banco Lehman Brothers, nos EUA, houve uma recuperação das exportações em 2010. Naquele ano, a indústria brasileira conseguiu vender 767.432 autoveículos. Nos últimos anos, como se sabe, as crises política e econômica se tornaram uma coisa só e as fábricas brasileiras chegaram a operar com menos da metade de sua capacidade produtiva. Em 2017, houve recuperação nas exportações, que atingiram 784.749. Este número não se repetiu em 2018 e não se repetirá em 2019.

Muito mais do que tratar todos os assuntos como questão ideológica, os brasileiros precisam entender que as crises são cíclicas nas economias capitalistas. Como ondas, elas vêm e vão, independentemente de quem esteja no governo.

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Afinal de contas, seja com viés mais à esquerda ou mais à direita, temos vários exemplos de momentos bons e momentos ruins para a economia –administrada sob o atual paradigma do neoliberalismo desde 1990, sem interrupção. No caso dos carros brasileiros , agora é hora de implementar o programa Rota 2030 e não de comprar briga com nações que podem ser parceiras de um país desesperadamente necessitado de paz e diálogo, não de verborragia e confusão.