
O aumento dos custos para manter um carro tem pressionado o orçamento das famílias e ampliado o espaço para alternativas de deslocamento urbano mais baratas. Nesse cenário, os autopropelidos e as bicicletas elétricas vêm ganhando terreno entre consumidores que buscam reduzir despesas com combustível, IPVA, manutenção, seguro e estacionamento.
Dados da Abraciclo mostram que a produção de bicicletas elétricas no Brasil chegou a 5.447 unidades em março, alta de 142,3% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O avanço ajuda a explicar a maior presença desses veículos em trajetos urbanos de curta e média distância.
Custos fixos e variáveis pesam no uso do carro
No orçamento, o peso do carro aparece na soma de despesas fixas e variáveis. Segundo a StreetGo, só o gasto com combustível pode superar R$ 800 por mês. A isso ainda se somam IPVA, revisões, trocas de peças, seguro e estacionamento, conta que, no uso urbano, pode passar com facilidade da faixa de R$ 1 mil mensais.
Nos autopropelidos, a estrutura de custo é bem mais enxuta. A recarga elétrica tem impacto menor do que o abastecimento com gasolina ou etanol, a manutenção tende a ser mais simples e, dentro do enquadramento previsto pela Resolução Contran nº 996/2023, não há cobrança de IPVA nem exigência de licenciamento. É essa diferença que ajuda a explicar por que esses veículos passaram a entrar na conta de quem busca reduzir gastos no deslocamento diário.
Quando o consumidor coloca na ponta do lápis, o carro deixa de ser uma escolha óbvia. O autopropelido surge como uma alternativa viável, com menor custo operacional e mais previsibilidade no dia a dia David Peterle, CEO da StreetGo
Trânsito reforça busca por modais leves
Além do custo, o tempo perdido no trânsito também pesa na escolha do meio de transporte. Em cidades com congestionamento frequente, modais leves ganham competitividade por conseguirem manter deslocamentos mais estáveis em percursos urbanos.
Em São Paulo, por exemplo, a cidade registrou recentemente 1.149 km de lentidão em um único dia, dado que reforça a dificuldade de circulação por carro em horários de pico. Nesse contexto, a possibilidade de usar ciclovias e escapar de trechos mais carregados ajuda a tornar o deslocamento mais previsível.
Regra dispensa CNH e emplacamento em parte dos casos
De acordo com a Resolução Contran nº 996/2023, bikes autopropelidas podem circular sob o enquadramento de bicicleta, desde que respeitem limites técnicos de potência e velocidade definidos pela norma. Nessa condição, não há exigência de CNH, emplacamento ou pagamento de IPVA.
Esse enquadramento ajuda a explicar o menor custo de uso e a expansão do interesse por esses veículos, principalmente entre consumidores que passaram a reavaliar o carro como solução principal para deslocamentos curtos nas cidades.