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Novo modelo chinês mostra sinais de que a marca está no caminho certo. Mas ainda falta um conjunto mais bem acertado ao novo modelo

JAC T40 chega com desenho caprichado, bom acabamento e preço atraente como principais qualidades na briga com rivais
Carlos Guimarães/iG
JAC T40 chega com desenho caprichado, bom acabamento e preço atraente como principais qualidades na briga com rivais

Não resta dúvida: o JAC T40 é o melhor produto que a marca chinesa já trouxe ao Brasil em todos os aspectos, desde a questão do desenho, passando pelo conjunto mecânico, nível de equipamentos e acerto como um todo. E vai continuar recebendo melhorias, como a versão automática, do tipo CVT, que chegará ao País no início do ano que vem. Por enquanto, avaliamos o carro com câmbio manual, de cinco marchas e tração dianteira. Vamos aos detalhes das nossas impressões da versão mais equipada, oferecida por R$ 58.990.

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Logo de cara, o que chama atenção no JAC T40 é o certo cuidado com o acabamento. O volante de três raios, com os principais comandos do som e do computador de bordo, vem revestido de couro com costuras vermelhas. Além disso, o painel também é revestido, os bancos são confortáveis e existe espaço suficiente para os cinco ocupantes viajarem sem aperto levando suas respectivas bagagens no porta-malas de bons 450 litros. Mas, bem que a central multimídia com tela sensível ao toque, de 8 polegadas, poderia ter mais prática e ágil. Mudar de estação de rádio, aumentar o volume, entre outras funções, sempre acontece com certo atraso nas respostas.

Entretanto, há que se reconhecer que houve uma evolução no multimídia do T40 se comparado a outros modelos da JAC por causa da entrada USB convencional, que não exige adaptações e está bem localizada, no console central. Entretanto, embora tenha câmera de ré, não há GPS.  Por outro lado, os principais botões no volante  lembram os de modelos de prestígio europeus. E os apliques do tipo “black piano” são de bom gosto.  Como não poderia deixar de ser em um carro chinês, os itens de série também fazem parte dos destaques. Entre os principais itens estão: controle eletrônico de estabilidade, câmera acoplada do retrovisor interno que filma em looping, ancoragem ISOFIX para cadeiras infantis, luzes diurnas de LED, faróis com acendimento automático, entre outros.

Como anda o T40

 O belo visual do T40 não condiz com o comportamento dinâmico do carro, que precisa de um conjunto mais bem acertado
Divulgação
O belo visual do T40 não condiz com o comportamento dinâmico do carro, que precisa de um conjunto mais bem acertado

Todo capricho do acabamento, a boa lista de itens de série e o desenho moderno são qualidades do T40 que não acompanham os acertos dos conjuntos, tanto mecânico quanto estrutural do carro. Ao volante, um dos pontos que mais incomodam é o câmbio com relações longas, o que acaba prejudicando bastante nas ultrapassagens. É preciso pisar fundo no acelerador para entrar extrair um fôlego razoável do motor 1.5 flex, que gera bons 127 cv, mas apenas medianos 15,7 kgfm a altos 4.000 rpm.  Além disso, o T40 não tem uma das melhores relações entre peso e torque (73,6 kg/kgfm ante 68,9 do Sandero Stepway e 62,5 do HB20X). Com isso, falta agilidade ao T40, que exige constantes trocas de marcha nas retomadas. Entretanto, os engates são sempre fáceis e precisos 

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Outro ponto que precisa melhorar no T40 é o isolamento acústico. Acelere e vai ouvir claramente o ronco co motor invadindo o interior o do carro. Também falta uma suspensão que aceite passar pela tortura que é a maioria das vias esburacadas, sem reclamar.  Não foi raro ouvir batidas secas ao passar pelo asfalto crocante e mais se parece a superfície lunar. A distância livre do solo de 18 cm é apenas suficiente para o Inmetro reconhecer o T40 como um SUV, mas não pense que vai poder entrar em trilhas por aí. Até para passar em lombadas e valetas é preciso ter uma certa cautela, também exigida nas curvas, enbora o carro venha com controle de estabilidade de série.

Também falta mais eficiência ao conjunto mecânico. Recursos como injeção direta de combustível, sistema start-stop, uso de componentes internos mais leves, sobrealimentação, entre outros, tornariam o motor 1.5 flex mais econômico. De acordo com o Inmetro, o JAC T40 1.5 Flex faz 8,1 km/l de etanol na cidade e 9,3 km/l na estrada, números que passam para 11,3 km/l e 13,3 km/l com gasolina, respectivamente. No dia a dia, porém, notamos que o carro consome mais do que isso e fica devendo um computador de bordo que marque autonomia.

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Na mira de modelos  com certo apelo aventureiro, entre os quais Renault Sandero Stepway, Citroën Aircross, Hyundai HB20X, entre outros, o JAC T40 mostra sinais de evolução se comparados a outros modelos da marca chinesa, mas ainda precisa ter um conjuntio mais bem acertado. Seu ponto forte é a relação entre custo e benefício levando em conta o nível de equipamento, o acabamento interno, o espaço e a questão do estilo tanto por for a quanto por dentro.

Ficha Técnica

Preço:  a partir de R$ 56.990 (versão avaliada de R$ 58.990)

 Motor: 1.5, quatro cilindros, flex

Potência: 127 cv a 6.000 rpm

Torque: 15,7 kgfm a  4.000 rpm

Transmissão:  Manual, cinco marchas, tração dianteira

Suspensão:Independente (dianteira) e eixo de torção (traseira)

Freios: Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira

Pneus: 205/55 R16 

Dimensões: 4,14 m (comprimento) / 1,75 m (largura) / 1,57 m (altura), 2,49 m (entre-eixos)

Tanque : 42 litros

Porta-malas: 450 litros 

0 a 100 km/h: 9,8 segundos 

Vel. Max: 191 km/h

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