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Em alguns anos, seu carro irá reabastecer durante o trajeto e você esquecerá que existem postos de gasolina. Entenda como funciona

Chevrolet Bolt: único exemplar do elétrico da GM no Brasil tem chances de vir a ser fabricado no Mercosul futuramente
Caue Lira/iG
Chevrolet Bolt: único exemplar do elétrico da GM no Brasil tem chances de vir a ser fabricado no Mercosul futuramente

Este é um daqueles carros que vão explodir a sua cabeça em todos os níveis. Também passa a ocupar o topo da lista dos carros mais legais que já dirigi, e olha que já tive a oportunidade de acelerar um Nissan GT-R ,de 700 cv, na pista. O carro de hoje não bebe gasolina, tampouco etanol e diesel. Ele também não emite gases tóxicos na atmosfera, e você poderá se acostumar com a ideia de ter um desse daqui algumas (muitas) décadas. Finalmente, tive a oportunidade de levar um carro elétrico para casa. Neste caso, um belo Chevrolet Bolt. Esta é a única unidade que a GM trouxe para o Brasil, e no pouco tempo que estive em contato com ele, já deixou aquela vontade de “quero um”.

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É difícil não ficar muito empolgado com um carro elétrico. Contávamos os dias para retirá-lo com a Chevrolet. Mas essa não é minha primeira experiência com um deles. Já tive a oportunidade de guiar Nissan Leaf, Fiat 500e e uma voltinha no Tesla Model S. Entretanto, todas essas ocasiões não passaram de um pequeno “rolê” nos arredores da redação. Também gosto muito do Prius, a opção mais em conta para quem quer uma vida parcialmente eletrificada no Brasil, mas o Chevrolet Bolt tem algo a mais.

Deixo a fábrica da Chevrolet, em São Caetano do Sul (SP), com 123 km de autonomia - pouco mais de um quarto de “tanque”. Para que a experiência fique ainda mais interessante, programo o Bolt no modo de regeneração. Você já imaginou como é acelerar e frear no mesmo pedal? É exatamente isso que ele faz, aproveitando a desaceleração das frenagens (ou a energia cinética que é perdida em carros convencionais) para recarregar a bateria.

É um trajeto de exatos 20 km entre a fábrica da Chevrolet e a nossa redação, na zona sul de São Paulo. Não tive a menor vontade de acelerar o Bolt, apenas curtir o passeio enquanto ficava entretido com este verdadeiro tablet instalado no painel. Devemos dizer que chega até a ser um pouco perigoso pela distração, pois o Bolt parece desafiar o motorista a dirigir da forma mais econômica possível. Aproveitando as descidas e frenagens para recarregar a bateria, chego na zona sul de São Paulo, com 119 km de autonomia.

Chocado?

“Mas como assim! Rodou 20 km e perdeu apenas quatro de autonomia?”, você deve se perguntar. Sim, é exatamente isso que aconteceu. Dirigir o Bolt pode exigir certo esforço no começo, mas no terceiro semáforo já dá para entender como as coisas funcionam com ele. A central multimídia de 10,2 polegadas mostra um diagrama com a carga e a energia que está sendo usada. Se o condutor está utilizando o motor elétrico, ondas de energia saem da bateria em direção ao motor. No caso das frenagens com reaproveitamento de energia cinética, as ondas saem da roda em direção à bateria, mostrando que ela está sendo recarregada. A central também exibe informações do computador de bordo e as imagens das câmeras espalhadas pelo carro, que podem gerar visão de 360°.

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O interior do Bolt é de plástico duro com materiais de ótima qualidade. O revestimento dos bancos em dois tons, com couro perfurado na parte preta, reforça as características futuristas deste carro que, pasmem, custa mais que a versão de entrada do Camaro nos Estados Unidos. Fizemos um breve vídeo mostrando alguns dos detalhes mais interessantes do Bolt, que você pode conferir abaixo:

Ele também pode ser bem arisco. Sabe esse clichê chato de que o torque máximo está disponível a sei lá quantas rotações? Isso não existe nos carros elétricos. Eles sempre lhe entregarão potência total desde o início, e sabendo que o Bolt possui 230 cv de potência e 36,7 kgfm de torque, não dá para não querer experimentar um pouco mais desse "monstrinho oculto". Pressiono a sola do meu tênis Vans contra o acelerador com veemência e sinto as costas grudarem no banco. Não chega a ser o desempenho de um esportivo, mas é como se Han Solo tivesse acionado a velocidade da luz na Millenium Falcon contra o híperespaço. Ainda mais com o zunido agudo que só carros elétricos emitem, digno de filme de ficção científica. O Bolt é capaz de atingir 100 km/h em 6,5 segundos, de acordo com a fabricante.

Hipster

Ainda restavam algumas dúvidas sobre ele. Por exemplo, o quanto de bateria conseguiria carregar em uma descida.  Levo o Bolt para a Vila Madalena, bairro conhecido pela quantidade de ladeiras, e deixo-o “despencar” no modo de recarga. Em 300 metros de descida, o Bolt foi capaz de regenerar dois quilômetros de autonomia. Ótimo número, não?

Conforme a fabricante, o Bolt pode rodar, em média 383 quilômetros até precisar de recarga. Mas isso pode aumentar bastante conforme o modo de direção selecionado, o trajeto, a temperatura ambiente entre uma série de coisas. Mas mesmo em São Paulo, não temos infraestrutura suficiente para encarar uma viagem fora dos grandes centros urbanos, um dos fatores que torna inviável a venda do modelo no País. Por curiosidade, o McDonald’s hipster da Av. Henrique Schaumann, na Cerqueira César, é um dos postos de recarga disponíveis.

De qualquer forma, o Bolt pode ser recarregado de três maneiras diferentes. A primeira, em tomada de 120 volts como as usadas em residências, que carregam o equivalente a 6,4 km de autonomia a cada hora, completando totalmente a carga entre 50 e 60 horas. Portanto, se você chegar em casa depois do trabalho, colocar o Bolt para carregar e só sair com o veículo na manhã seguinte, terá carga suficiente para rodar o dia todo. Há também a opção do carregador especial que funciona com 240 volts, que precisa de apenas 9,5 horas para recarga completa. Por fim, locais públicos possuem um carregador especial que reduz o tempo para três horas.

Rota 2030

Estilo que combina as linhas de um hatch com as das minivans o torna prático com um toque jovial
Cauê Lira/iG Carros
Estilo que combina as linhas de um hatch com as das minivans o torna prático com um toque jovial

Como mencionamos, a GM não tem planos de vender o Bolt no Brasil. Mas podemos tirar algo bom neste início de 2018. Conforme apurado pela reportagem de iG Carros, a Rota 2030 que está sendo adiada há meses vai realmente entrar em vigor no Brasil dentro das próximas semanas. Trata-se de uma série de medidas para o desenvolvimento do setor e estabelecer um planejamento de longo prazo que viabilize os tão necessários investimentos para que a indústria nacional se desenvolva como um todo.

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Além disso, estão estudando uma simplificação na cobrança de impostos e a redução de IPI de carros híbridos e elétricos que não são fabricados no Brasil. Dessa forma, o Chevrolet Bolt poderia ser um pouco mais viável para o mercado brasileiro. O carro parte de US$ 36 mil (R$ 117 mil), o que é acima do ideal até mesmo para os padrões americanos. Considere que o Camaro de entrada custa US$ 25 mil com o mesmo motor do Equinox vendido aqui. Mas, pelo menos, o resto do mundo pode desfrutar deste meio-monovolume, meio-hatchback. Com todos os impostos, o Bolt passaria a custar aproximadamente R$ 300 mil no Brasil, o que é inviável. 

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