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Hatch médio está cheio de qualidades, mas está num segmento que está à beira de sumir no Brasil. Saiba como o carro se sai no dia a dia

VW Golf Highline 1.4  da linha 2019 vem com para-choques redesenhados e com sensores para ajudar a estacionar
Carlos Guimarães/iG
VW Golf Highline 1.4 da linha 2019 vem com para-choques redesenhados e com sensores para ajudar a estacionar

Uma pena que os hatches médios, como VW Golf, estejam sucumbindo no mercado brasileiro. De acordo com o balanço mais recente da Fenabrave (Federação dos Distribuidores de Veículos), esse segmento está em queda livre e hoje representa apenas 0,55% das vendas em setembro, porcentagem que fica em 0,67% no acumulado do ano. A principal razão disso é a chegada dos SUVs, que vêm conquistando a preferência de 24,2% dos que compram carro hoje em dia no Brasil.

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Entre os poucos hatches médios que sobraram, o VW Golf (2.277 unidades)  é o terceiro mais vendido, ainda de acordo com a Fenabrave, atrás do Ford Focus (2.455) e do Chevrolet Cruze (4.105). Porém, entre os três, é o melhor. E na versão Highline 1.4 avaliada, consegue reunuir um conjunto que alia uma série de qualidades, principalmente um equilibrio interessante entre bom desempenho e baixo consumo de combustível.  Além disso, a lista de equipamentos é bem recheada. A questão é o preço, que parte de R$ 112.190 na linha 2019, com algumas novidades. 

Por esse valor, tem muita gente que prefere levar um SUV compacto topo de linha, como o Hyundai Creta Prestige 2.0 (R$ 103.990), Honda HR-V Touring (107.990), ou Nissan Kicks SL (R$ 97.990). Mas, em nenhum desses utilitários esportivos conseguirá ter um desempenho tão empolgante gastando pouco combustível como o hatch médio da VW.  Não apenas pelo centro de gravidade mais baixo, que garante melhor estabilidade nas curvas, mas também por um conjunto bem acertado, principalmente, entre motor e câmbio.

É bem verdade que desde o momento que o carro está parado até quando começa a se mover existe um certo atraso na resposta ao pisar no acelerador, mas assim que o ponteiro do contagiros passa dos 1.000 rpm quase toda a força máxima vem à tona. São nada desprezíveis 25,5 kgfm a meros 1.500 rpm, o que é o suficiente para uma aceleração vigorosa e ultrapassagens sempre ágeis e seguras. A VW diz que para ir de 0 a 100 km/h são necessários apenas 8,7 segundos, tempo de modelo esportivo

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Pelas hastes atrás do volante é possível fazer trocas sequenciais, o que ajuda numa tocada mais animada. E pode apontar a frente para a tangencia das curvas que o carro segue obediente como um cão farejador, transmitido sempre segurança nas manobras. Entre outros itens, conta com controles eletrônicos de estabilidade e tração e uma suspensão que mantém o carro firme em qualquer situação, mesmo com eixo de torção na traseira, com ajuda das rodas de aro  17 montadas em pneus (Goodyear Efficient Grip) 225/45R 17.

E todo o bom desempenho é combinado com a cerimônia em consumir combustível. Rodamos tanto na cidade quanto na estrada ao volante do Golf 1.4 Highline 2019. O carro estava abastecido com uma mistura de etanol e gasolina, com uma porcentagem maior do derivado de petróleo. No computador de bordo, chegamos a constatar uma média de 16,5 km/l na estrada, pisando de leve no acelerador. Mas, pelo Inmetro, apenas com gasolina, o número oficial é de 13,5 km/l e 11,4 km/l na cidade. De qualquer forma, ficou claro que a equação que envolve desempenho e consumo foi bem resolvida nessa versão do Golf.

 O sofisticado VW Golf Highline 1.4 TSI

VW Golf Highline 2019 vem com partida por botão, luz ambiente até nas portas e acabamento caprichado de série
Divulgação
VW Golf Highline 2019 vem com partida por botão, luz ambiente até nas portas e acabamento caprichado de série

Outro ponto que agradou bastante foi o nível de equipamentos. Vem com luz ambiente, até nas portas. Há também porta-luvas refrigerado,  bancos e volante revestido de couro, ar-condicionado digital com regulagem independente para motorista e passageiro, monitoramento da pressão dos pneus, Stop& Start, sensores nos para-choques, retrovisores eletricamente rebatíveis, entre vários outros itens.

Entre os opcionais, o Golf Highline pode vir com teto solar panorâmico (R$ 4.800) e pacote premium (R$ 9.900), com itens sofisticados como a central multimídia com tela sensível ao toque de 8 polegadas e com GPS embutido, faróis de LED com ajustes dinâmicos, sensor de fadiga, controlador de velocidadede cruzeiro adaptativo, banco do motorista com regulagem elétrica, assistente de estacionamento automático, entre outros.

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O espaço interno acomoda bem cinco ocupantes sem aperto. Inclusive, a distância entrte-eixos (de 2,63 metros), é maior que a de alguns SUVs compactos, como  do Hyundai Creta (2,59 m) e Honda HR-V (2,61 m). Por ser mais baixo, o acesso ao interior é mais fácil no Golf. Em contrapartida, o porta-malas do Volkswagen, de 313 litros, é menor que de ambos os utilitários esportivos (431 litros no Creta e 437 litros), outra razão pela qual os SUVs estão acabando com os hatches médios, bem como a maior capacidade de passar pelo piso mal conservado da maioria das nossas vias no Brasil.

Conclusão

O VW Golf 1.4 Highline ficou ainda mais sofisticado na linha 2019, com novos faróis e lanternas, centrais multimídias modernas, para-choques redesenhados e mais equipamentos de série. Mesmo assim, a questão do preço salgado e a moda dos SUVs acaba apagando o apelo do hatch médio, que continua sendo um dos melhores carros fabricados no Brasil hoje em dia.

Ficha Técnica :  
Preço: R$ 112.190 (sem opcionais)  
Motor:  1.4, turbo, quatro cilindros, 16 válvulas   
Potência: 150 cv a 4.500 rpm    
Torque: 25,5 kgfm a 1.500 rpm    
Transmissão: automático, de seis marchas, tração dianteira    
Suspensão: independente e eixo de torção (traseira)  
Freios: Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira   
Dimensões: 4,26 m (comprimento) / 1,80 m (largura) / 1,47 m (altura), 2,63 m (entre-eixos)   
Tanque : 50 litros    
Consumo: 11,4 km/l na cidade / 13,8 km/l na estrada  (com gasolina)  
Até 0 a 100 km/h: 8,7 s    
Vel. Max: 203 km/h

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