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A partir da linha 2020, motor a gasolina de 211 cv é exclusividade do Coupé. Confira as impressões ao volante da nova versão do SUV da marca alemã

Mercedes-Benz GLC arrow-options
Cauê Lira/iG Carros
Mercedes-Benz GLC ganha nova central multimídia com recurso de inteligência artificial

O Mercedes-Benz GLC é puro status, mas faltava tecnologia e apelo. Com a reestilização recente na Alemanha, a marca de Stuttgart decidiu mexer no tabuleiro do grandalhão no Brasil, reposicionando algumas versões e lançando a versão diesel. A partir de agora, o motor gasolina será exclusividade do Coupé na linha GLC  - que traremos para nossa redação em um segundo momento.

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Com a mudança completa da linha, o preço também subiu. Antes anunciado por R$ 270.900 (na antiga versão 250 Highway, a gasolina), os modelos diesel já partem de R$ 294.900 no modelo Off-Road e R$ 329.900 na versão Enduro, que avaliamos nesta matéria.

Antes de tudo, palmas para as mudanças no visual do GLC. Os faróis mais ovalados que compõem a nova identidade visual da Mercedes-Benz caíram como uma luva no GLC .

Enquanto BMW e Audi apostam no mesmo conceito de dianteira para automóveis e SUVs, a estrela de três pontas decidiu criar uma intersecção no design. Por outro lado, o time de engenharia perdeu a oportunidade de melhorar a traseira que ainda divide opiniões. Não me agrada, mas gosto é gosto…

Por dentro, o SUV que era careta recebeu muita tecnologia. A nova central multimídia sensível ao toque (apresentada no Classe A, com 10 polegadas) se faz presente, com uma interface bem intuitiva, responsiva e interessante. Além de integrar os pareamentos para Apple CarPlay e Android Auto,há um mousepad no centro do console para facilitar a navegação.

Uma dos destaques do sistema é o novo recurso MBUX de assistência. Basta dizer “Hey, Mercedes”, aguardar a resposta e pedir para que o carro reduza a temperatura do ar-condicionado. Fizemos uma breve demonstração da interface no vídeo abaixo.

O cluster também é 100% digital (com 12,3 polegadas) abandonando a antiquada telinha que ficava entre os mostradores de velocidade e conta-giros analógicos. Para atrair um público mais descolado, o GLC também passou a integrar iluminação ambiente com luz de LED, com muitas opções de cores para customização. Todos esses recursos ajudaram muito no processo de “descaretização” do GLC, mas será que o carro continua agradável ao volante com motor diesel?

Comprovamos nas ruas

Mercedes GLC 220d arrow-options
Divulgação
Silêncio na cabine e agilidade para enfrentar as grandes cidades são características marcantes do Mercedes GLC 220d

Quando entrar pela primeira vez no GLC Enduro, o primeiro item que deverá chamar atenção é o isolamento acústico. Mesmo com o novo 2.0 turbodiesel, o SUV continua silencioso e sem vibrações incômodas. Por si só, isso já descarta aquele aspecto de “caminhão” que alguns utilitários mais robustos trazem. Aqui, estamos falando de um automóvel urbano.

O modelo entrega 194 cv e 39 kgfm entre 1.600 e 2.800 rpm - mais que suficiente para a cidade e estrada. O câmbio G-Tronic, de nove marchas, pode alterar seu comportamento de acordo com o modo de condução selecionado pelo motorista. Durante o fim de semana em que fiquei com o GLC, pude atestar a eficácia de todos.

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No modo esportivo, o grandalhão de 1.800 kg aumenta o intervalo entre as trocas de marcha, permitindo a aceleração de 0 a 100 km/h em meros 7,9 segundos. Vale lembrar que o GLC também conta com aletas para trocas de marcha atrás do volante, deixando sua tocada na estrada ainda mais interessante.

Este SUV, aliás, se mostra ideal para aqueles que curtem passear com a família. Além do amplo espaço interno para quatro adultos e uma criança viajarem com conforto, o porta-malas tem capacidade para 550 litros. O sistema de som premium desenvolvido pela Burmester tem 13 alto falantes, mas a qualidade não chega a emocionar.

Mercedes GLC 220d arrow-options
Divulgação
O cluster - que antes era analógico com uma pequena tela ao central - é 100% digital e configurável

No modo de economia de combustível,  o sistema de transmissão tem preferência por rotações baixas - mas as trocas de marcha acabam ficando mais lentas. Enquanto utilizava esse recurso na cidade, o GLC tardava a entender que estava entrando em uma subida, por exemplo. Nada que um toque na aleta para redução de marcha não resolva, mas é um tanto quanto incômodo fazer isso nos aclives.

Ainda que o GLC tenha 4,69 metros de comprimento e 2,02 m de largura, não tive dificuldades para manobrá-lo. Além de contar com bom raio de giro pelo tamanho, o SUV traz câmera 360° para facilitar a vida nas vagas mais apertadas do shopping.

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Mais apelo

Tanta tecnologia fazia muita falta no Mercedes-Benz GLC , que tentará se enquadrar em um novo segmento. Os principais rivais do trio de ferro alemão (Audi Q5 e BMW X3) não oferecem opções diesel, dessa forma, resta saber se o Mercedão será capaz de bater o Volvo XC60 Diesel nas vendas. Atributos não faltam.

Preço:  R$ 329.900
Motor: 2.0, turbodiesel
Potência: 194 cv 
Torque: 39 kgfm entre 1.600 e 2.800 rpm
Transmissão: automático, 9 marchas, tração integral
Suspensão: McPherson (dianteira), braços sobrepostos (traseira)
Freios: discos ventilados (dianteira e traseira)
Porta-malas: 550 litros
Dimensões: 4,67 m (comprimento), 1,89 m (largura), 1,64 m (altura), 2,87 m (entre-eixos)
0 a 100 km/h: 7,9 segundos
Vel. máx: 210 km/h (limitada eletronicamente)