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Hatch compacto mostra claros sinais de evolução para manter a liderança nas vendas, mas existem detalhes que ainda podem melhorar

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Carlos Guimarães/iG
Chevrolet Onix Premier: aspecto mais sofisticado que o da geração anterior entre os principais destaques

Rodar mais de 1.300 quilômetros tanto na cidade quanto na estrada com o novo Chevrolet Onix rendeu uma série de conclusões sobre a segunda geração do carro mais vendido do Brasil. A primeira delas é que o hatch ficou com aspecto mais arrojado. Não foi apenas um frentista que elogiou a novidade nas vezes que tivemos que abastecer a versão topo de linha, cujo preço sugerido parte de R$ 69.990.

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"Ficou bonito o novo Onix", disse um colega enquanto digitava na bomba de combustível."Esse não é o primeiro carro desse que aparece aqui hoje, ficou parecido com o Cruze hatch", comentaram em outro posto. Pelo visto, o visual do GM deve ter agradado. De fato, as lanternas traseiras lembram mesmo as do Cruze de dois volumes da primeira geração. E o aspecto geral do carro condiz com a dose (bem) maior de sofisticação adotada.

Na frente, há luzes diurnas de LED embutidas nas extremidades do para-choque. Além disso, a linha de cintura ficou mais alta, dando um ar de robustez extra ao carro, cuja traseira passou a ganhar mais detalhes e um estilo esportivo, algo reforçado por itens como as rodas de aro 16 montadas em pneus 195/55R 16 (Continental Power Contact 2, na unidade avaliada). Com 23 cm a mais que o Onix anterior, o novo tem mais presença, embora o entre-eixos não tenha aumentado muito, passando apenas de 2,53 m para 2,55m.


Ainda por fora, entre os destaques, estão os retrovisores externos com bom ângulo de visão e com a luz embutida do sistema de alerta de ponto cego. Mas bem que a GM poderia oferecer o recolhimento automático, algo cada vez mais útil nas vagas apertas de condomínios e shoppings e que alguns concorrentes têm, entre os quais, o Hyundai HB20 Diamond Plus.

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Carlos Guimarães/iG
Hodômetro parcial indica 1309,5 km rodados desde que saímos com o carro da fábrica da GM

No interior, fica ainda mais evidente o quanto o Chevrolet Onix evoluiu nessa nova geração, principalmente na versão topo de linha. Levaram bastante a sério a questão da segurança, com aviso de cinto desatados para todos os ocupantes, airbags frontais, laterais e de cortina, controles de estabilidade e tração, ancoragem ISOFIX para cadeiras infantis, bancos dianteiros com encostos de cabeças incorporados à estrutura, faróis com refletores duplos, entre outros equipamentos.

Foi a central multimídia que consagrou o primeiro Onix e, nessa nova geração, o compacto passa a ter disponível um dos melhores sistemas do gênero hoje em dia. A tela é de alta resolução e, entre outros recursos, conta com acesso à internet a bordo, o que foi coseguido com uma parceria com a Claro.

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Os planos vão de R$ 29,90 a R$ 84,90, oferecendo 2, 5, 10 e 20 GB de capacidade para conexão. Tenho dois filhos adolecentes, que aprovaram a qualidade do sinal, acessando músicas no You Tube. Mas fiquei de olho e notei que há bastante oscilação, chegando a passar de 4G para 3G em alguns momentos. Entretanto, o sistema funciona bem com a antena que capta melhor o sinal do que qualquer aparelho de celular hoje em dia.

O porta-malas de 275 litros, porém, é apenas razoável. E notei que o comando do tipo "um toque" em todas as janelas precisa que o acionamento dos botões seja feito com certa vontade para funcionar. Porém, o acabamento me pareceu adequado para a faixa de preçodo carro e levando em conta o que oferecem os concorrentes. Na unidade avaliada, pintada de branco, parte do painel veio bege e a outra cinza, dando um certo ar de sofisticação.


Como anda o Chevrolet Onix Premier

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Divulgação
Chevrolet Onix da nova geração pode ser internet a bordo entre os vários equipamentos sofisticados disponíveis


A versão Premier vem com o novo motor 1.0, de três cilindros, turbo, que rende 116 cv e bons 16,8 kgfm a 2.000 rpm. Pois bem, é moderno e eficiente, com variador de fase na admissão e escape, mas é preciso saber mantê-lo dentro da faixa ideal de utilização, quando responde bem ao comando do acelerador. Isso porque nos pareceu que toda força aparece de uma vez, sempre acima dos 2.000 rpm. Abaixo disso, falta fôlego.

Vale lembrar que avaliamos a versão automática, com caixa de seis marchas, que permite trocas sequenciais, mas apenas por meio de um incômodo botão na própria alavanca, o que acaba desencorajando assumir o controle das trocas. O que pode ajudar é que, pelo menos na estrada, para subir o giro do motor com facilidade, basta dar um rápido toque mais forte o acelerador para provocar uma redução (efeito kick-down). Depois, basta seguir o embalo.

Ao ganhar rotação, aparece aquele ronco característico dos motores de três cilindros, com certo tom esportivo. Mas nessa versão turbo é melhor ir devagar com o andar se não quiser gastar muito combustível. De acordo com o Inmetro, o carro faz 8,3 km/l de etanol na cidade e 10,7 km/l na estrada, dando uma média de 9,5 km/l. Pelo computador de bordo, ficou registrada uma média de 9,6 km/l nos mais de 1.300 km que rodamos.

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Carlos Guimarães/iG
Versão topo de linha é caprichada. Note o detalhe azul na inscrição "Turbo"

Com etanol, ainda de acordo com o Inmetro, com apenas etanol no tanque de 44 litros, o carro fica com uma autonomia teórica da estrada de 470,8 km e de 365,2 km na cidade. Com gasolina, esses números passam para 664,4 km e 523,6 km, respectivamente, o que é apenas aceitável. Econômico mesmo é o novo Onix com motor 1.0, aspirado, de três cilindros, um dos 5 modelos que menos gastam hoje em dia no Brasil .

De resto, no que se refere à estabilidade, o carro agrada bastante, transmitindo segurança em qualquer situação. Aliás, dirigir o Chevrolet Onix Premier ficou bem mais agradável na comparação com a geração anterior pela posição de dirigir perfeita, com o ponto H (base do acento) onde sempre deveria estar. Bom também é o volante de três raios de boa empunhadora e a direção precisa, leve nas manobras e que vai ganhando peso com o aumento da velocidade.

Ponto positivo também para os freios, que embora tenham tambores no eixo traseiro sempre mostraram eficiência em todas as situações que enfrentamos com o carro. Há que se elogiar até a calibragem do hidrovácuo, na medida certa, o que permite encontrar a força necessária para uma boa frenagem com facilidade, sem risco de causar trancos. Enfim, qualidades é que não faltam para o Chevrolet Onix se manter no topo da lista dos modelos mais vendidos do País.

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Conclusão

O novo Chevrolet Onix Premier acaba de chegar às lojas. Depois de rodar bastante com o carro, o saldo é bastante positivo. Belo design, vários equipamentos sofisticados disponíneis (até internet a bordo) e conjunto bem acertado. Faltam só alguns detalhes para ficar perfeito, como o motor com uma curva de torque mais plana, retrovisores com rebatimento automático e hastes no volante para trocas sequenciais.

Ficha técnica

Chevrolet Onix Premier

Motor: 1.0, três cilindros, turbo, flex

Potência : 116 cv a 5.500 rpm

Torque: 16,8 kgfm (E) / 16,3 (G) a 2.000 rpm

Transmissão: Automático, seis marchas, tração dianteira

Suspensão:Independente (dianteira e traseira)

Freios: Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira

Pneus: 195/55 R16

Dimensões: 4,16 m (comprimento) / 1,73 m (largura) / 1,47 m (altura), 2,55 m (entre-eixos)

Tanque : 44 litros

Porta-malas: 275 litros

Consumo: 12,9 km/l (cidade) /15,1 km/l (estrada) com gasolina

0 a 100 km/h: 10,1 segundos

Vel. Max: 187 km/h