Jeep Wrangler Rubicon: asfalto ou estrada de terra? Para ele, tanto faz...Mesmo se você quiser encarar uma trilha radical
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Jeep Wrangler Rubicon: asfalto ou estrada de terra? Para ele, tanto faz...Mesmo se você quiser encarar uma trilha radical

A trilha de Rubicon fica na Califórnia (EUA) e tem 35 quilômetros de extensão. Durante a colonização espanhola, a região era utilizada como rota de comércio para os nativos americanos. Com a unificação do país, o exército passou a ocupar Rubicon para treinamentos militares.

O Jeep Wrangler recebeu este sobrenome por ser o único modelo de série capaz de enfrentar a trilha de Rubicon no mundo. O trajeto é muito complexo, e os motoristas mais habilidosos conseguem superá-la com velocidade média de apenas 8 km/h. Dá para imaginar?

Estamos falando de um ‘senhor Jeep’, o mais caro que você pode adquirir no Brasil, por R$ 453.977. O catálogo nacional ainda conta com as versões Sahara (R$ 369.923), Overland (R$ 404.762) e Especial 80 Anos (R$ 404.76).

O Wrangler é sucessor direto do Willys MB , que foi desenvolvido em 1941 com o objetivo de enfrentar terrenos sinuosos durante a Segunda Guerra Mundial. O projeto recebeu incentivos do governo americano, que solicitou um veículo leve, com tração 4x4 e que fosse capaz de levar 4 soldados e armamento.

A partir daí surgiram muitas variações do Willys, que contou com versões para auxiliar o trabalho de agricultores e até civis que curtiam o visual aventureiro. Este carro é 100% lifestyle .

Na Natureza Selvagem

O Wrangler está para a Jeep como o 911 está para a Porsche: um carro que traz todos os valores da marca. Tudo que surge no catálogo leva estes produtos como base.

No caso do Wrangler Rubicon , abri um sorriso quando descobri que é possível descabiná-lo apenas girando algumas alavancas e removendo a capota. A sensação é de guiar um conversível na selva de pedra.

Os primeiros minutos ao volante foram estranhos. O Rubicon calça grandes pneus 255/75 R17 da BFGoodrich que dão um aspecto de ‘tratorzinho’ para o jipe. É diferente de qualquer SUV urbano da marca, apesar de algumas semelhanças com a linha Trailhawk do Compass.

Ele mal cabe nas estreitas faixas de São Paulo, e o motorista ainda terá que fazer várias correções ao volante para mantê-lo no caminho certo. Em velocidades mais elevadas, o Rubicon mostra que sua vocação é enfrentar terrenos sinuosos em baixa velocidade. Vá com calma nas curvas!

Você viu?

O motor 2.0 turbo bebe gasolina e despeja 272 cv de potência e 40,8 kgfm de torque pelo câmbio automático de oito velocidades. A capacidade de aceleração é surpreendente para um veículo deste porte, pois a fabricante divulga que o Wrangler pode atingir 100 km/h em apenas 9 segundos. Considere que este Jeep tem duas toneladas.

O turbocompressor caiu muito bem no Wrangler , não apenas ao proporcionar bom desempenho e torque cheio a 3.000 rpm. Por conta do tanque - ou seria uma piscina - de 81 litros, a autonomia máxima do modelo chega a 632 km.

Segundo o Inmetro, o modelo pode marcar 7,3 km/l na cidade e 7,8 km/l na estrada, mas obtive números melhores no computador de bordo. 

O Wrangler Rubicon é um milagre da engenharia. Ele traz uma alavanca seletora com quatro modos de tração: 4x2, 4x4 sob demanda, 4x4 integral e 4x4 reduzida. Como se não bastasse, ainda conta com o sistema eletrônico Tru-Lok, que bloqueia os diferenciais traseiros e dianteiros e distribui a potência uniformemente entre todas as rodas. Isso assegura que você nunca fique parado em uma trilha. 

Há como parar o Rubicon? Segundo a Jeep , só se algum obstáculo pegar o assoalho do carro de forma centralizada, tirando as quatro rodas do chão. De resto, você com certeza sairá de todos os terrenos, sejam lamaçais, estradas arenosas e inundadas.

Por ser um utilitário legítimo – ou ‘raíz’ como gostam de dizer na internet – o Rubicon se permite pecar em algumas coisas. O isolamento acústico não é bom, pois os sons do vento batendo no parabrisa e o rugido do motor 2.0 turbo invadem a cabine. O acesso também é complicado sem um estribo, mas a Jeep inclui uma alça lateral para apoiar a mão na hora de subir no carro. 

O sistema de som foi desenvolvido pela Alpine e tem 9 alto-falantes, mas a qualidade do áudio não chega a encher os olhos. Por fim, não há 'descansa pé' para a perna esquerda e as portas para cabos USB e auxiliares ficam expostas no painel, causando um ‘mundo de fios’ no console do carro. Se a Jeep tivesse escondido essas entradas abaixo do apoio de braço, a sensação ao volante seria bem mais prazerosa.

Carro da galera

Sim, é possível desparafusar as portas do Wrangler. Por isso, os comandos dos vidros foram parar no painel
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Sim, é possível desparafusar as portas do Wrangler. Por isso, os comandos dos vidros foram parar no painel

O Wrangler tem a filosofia “all together” da Jeep . Logo que sentei no veículo pela primeira vez, minha vontade foi de ligar para os amigos e dar um passeio pelo litoral de São Paulo. Talvez quando todos tiverem tomado a segunda dose da vacina…

Por R$ 453.977, você não encontrará algo tão divertido quanto o Rubicon . Ainda não dirigi a nova geração do Defender , portanto, não posso opinar sobre ele. Quem sabe em um comparativo futuro, nossos caminhos possam cruzar novamente. Sem dúvidas, um carro que ficará na memória.

Jeep Wrangler Rubicon
Preço: R$ 453.977
Motor: 2.0, gasolina
Potência: 272 cv
Torque: 40,8 kgfm
Câmbio: automático, oito velocidades, tração integral
Suspensão: eixo rígido (dianteira e traseira)
Freios: discos ventilados (dianteira), discos sólidos (traseira)
Proporções: 4,78 m de comprimento, 1,87 m de largura, 1,86 m de altura, 3,01 m de entre-eixos
Porta-malas: 498 litros
Tanque de combustível: 81 litros
Consumo:  7,3 km/l na cidade e 7,8 km/l na estrada
0 a 100 km/h: 9 segundos
Vel. Máx: 195 km/h

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