Peugeot 2008 GT Hybrid se destaca pelo visual moderno e pelo bom acerto dinâmico.
Fernando Naccari
Peugeot 2008 GT Hybrid se destaca pelo visual moderno e pelo bom acerto dinâmico.

O Peugeot 2008 GT Hybrid  é uma das opções mais equilibradas entre os SUVs compactos eletrificados à venda no Brasil na faixa de R$ 160 mil.  O modelo traz, como principal atributo, o conjunto híbrido leve 12V que, se não oferece redução significativa no consumo, oferece benefícios como isenção de rodízio em São Paulo e redução de IPVA em algumas cidades .

Na versão GT, o 2008 traz ainda elementos visuais exclusivos, como a grade dianteira com acabamento na cor da carroceria, teto com pintura em dois tons e emblema Hybrid Turbo 200 na traseira. O conjunto óptico tem iluminação em LED e assinatura visual inspirada na identidade atual da Peugeot, com os três traços verticais na dianteira e lanternas escurecidas com efeito 3D.

Mas será que isso é suficiente para ele merecer um lugar na sua garagem? Isso eu te conto na avaliação a seguir.

Design Externo do Peugeot 2008 GT Hybrid

No visual, o Peugeot 2008 GT Hybrid é, sem exagero, um dos SUVs mais bonitos do mercado brasileiro em sua categoria. A base é a mesma plataforma do 208, mas aqui ela ganha proporções mais robustas e um porte que agrada bastante ao vivo. É um carro que chama a atenção sem precisar exagerar.

Na dianteira, a versão GT se diferencia pela grade com acabamento pontilhado na mesma cor da carroceria, criando um efeito visual sofisticado e ao mesmo tempo agressivo. É um conjunto forte, bem resolvido, e que conversa muito bem com a assinatura luminosa em LED. Os três traços verticais que remetem à garra do leão reforçam a identidade da Peugeot, enquanto o farol principal traz efeito 3D com três blocos óticos bem marcados internamente.

Peugeot 2008 GT Hybrid aposta em visual marcante e acabamento refinado na dianteira.
Fernando Naccari
Peugeot 2008 GT Hybrid aposta em visual marcante e acabamento refinado na dianteira.


Há ainda sensores de estacionamento dianteiros e câmera frontal, reforçando a proposta mais sofisticada da versão topo de linha. De lado, as r odas de 17 polegadas dividem opiniões. Particularmente, não estão entre as minhas favoritas no segmento, mas cumprem bem o papel estético. O ponto realmente importante está nos pneus 215/60 R17, de perfil mais alto, que ajudam bastante no conforto de rodagem e na absorção das imperfeições do piso.

Vale apenas a ressalva de que, apesar do apelo de SUV, a vocação do 2008 é totalmente urbana. O ângulo de entrada é curto, pouco acima de 18 graus, e isso exige cuidado em valetas, rampas e desníveis mais pronunciados para não raspar a dianteira.

Na traseira, o visual mantém o padrão já conhecido da linha, sem grandes alterações em relação ao que já vínhamos vendo. As lanternas escurecidas com efeito 3D continuam bonitas, assim como a barra preta ligando os dois lados com o nome Peugeot por extenso ao centro. Os logotipos escurecidos ajudam a reforçar o aspecto premium e, nesta versão, o badge “Hybrid Turbo 200” entrega a principal novidade mecânica.

Traseira do Peugeot 2008 GT Hybrid mantém lanternas em LED e visual sofisticado.
Fernando Naccari
Traseira do Peugeot 2008 GT Hybrid mantém lanternas em LED e visual sofisticado.


O acabamento em dois tons, com a parte superior em preto contrastando com a cor da carroceria, é exclusivo da versão GT e valoriza bastante o desenho do carro. O porta-malas leva 373 litros, volume adequado para o uso diário e até relativamente generoso dentro da proposta. Além disso, há soluções práticas nas laterais para acomodar pequenos objetos. O único cuidado aqui fica por conta do para-choque traseiro mais avantajado, que pode enganar na hora da manobra.

Interior do Peugeot 2008 GT Hybrid

Por dentro, o 2008 GT Hybrid reforça uma das principais qualidades dos Peugeot atuais: a sensação de estar em um carro diferente da maioria. O i-Cockpit 3D continua sendo um dos conceitos mais interessantes do mercado, com volante de pequenas dimensões, painel posicionado mais acima e central multimídia levemente voltada ao motorista. No começo pode parecer estranho, mas depois de algum tempo a ergonomia faz muito sentido.

A cabine transmite boa sensação de envolvimento, quase como se o motorista fosse abraçado pelo carro. Isso conta muito no dia a dia e também na percepção de dirigibilidade. Na versão GT, há volante revestido em couro, bancos em couro e detalhes em costura verde-limão, elemento que identifica os modelos eletrificados da marca.

Volante compacto reforça a proposta esportiva e a ergonomia do i-Cockpit da Peugeot.
Fernando Naccari
Volante compacto reforça a proposta esportiva e a ergonomia do i-Cockpit da Peugeot.

O volante tem boa pegada, traz paddle shifts para trocas manuais e conversa bem com a proposta do carro. O painel de instrumentos digital 3D entrega boa leitura das informações, enquanto a central multimídia de 12,3 polegadas oferece espelhamento para smartphones. Há também carregador de celular por indução em compartimento dedicado.

Interior do Peugeot 2008 GT Hybrid traz i-Cockpit, central multimídia e boa ergonomia.
Fernando Naccari
Interior do Peugeot 2008 GT Hybrid traz i-Cockpit, central multimídia e boa ergonomia.


A alavanca do câmbio CVT é bem resolvida, o freio de estacionamento é eletrônico, mas aqui aparece uma ausência importante: não há auto hold. Parece detalhe pequeno, mas no uso urbano faz diferença, especialmente em trânsito pesado. É um item que deveria estar presente em um carro nessa faixa de preço.

Outro destaque positivo é o teto panorâmico, que ajuda a elevar a sensação de requinte e deixa o interior mais agradável. No banco traseiro, o espaço é bom, sem ser referência no segmento. Há área suficiente para pernas e cabeça para acomodar adultos com conforto razoável. O problema é a ausência de saídas de ar-condicionado para quem vai atrás. Em compensação, existem duas portas USB, uma do tipo A e outra do tipo C.

Test drive do Peugeot 2008 GT Hybrid

Na prática, o Peugeot 2008 GT Hybrid continua sendo movido pelo já conhecido motor 1.0 turbo de três cilindros da família T200, entregando até 130 cv e 20,4 kgfm de torque. O sistema híbrido leve não altera potência nem muda radicalmente a experiência ao volante. A grande diferença está muito mais nos benefícios fiscais e operacionais do que em desempenho ou consumo.

Motor T200 do Peugeot 2008 GT Hybrid prioriza eficiência e boa dirigibilidade no uso urbano.
Fernando Naccari
Motor T200 do Peugeot 2008 GT Hybrid prioriza eficiência e boa dirigibilidade no uso urbano.


E aqui está um ponto importante: o que torna o 2008 especial não é o fato de ser híbrido leve. O que realmente o diferencia é o acerto do conjunto mecânico. Para mim, esse câmbio CVT de sete marchas simuladas está entre os melhores do mercado. Ele foge daquela característica irritante de muitos CVTs, que mantêm o motor em rotações altas e deixam o carro cansativo de dirigir. No 2008, isso não acontece. O funcionamento é suave, eficiente e muito mais agradável.

O câmbio trabalha muito bem com a faixa de torque do motor. O resultado é um carro que responde bem, sem gritar, sem parecer forçado e sem comprometer o conforto. É uma calibração que passa a sensação de refinamento, algo raro em modelos dessa faixa.

Outro grande mérito está no acerto de suspensão e direção. O volante é direto, preciso e rápido nas respostas. A suspensão, por sua vez, encontra um equilíbrio muito feliz entre firmeza e conforto. Não é dura demais, como em alguns rivais que pendem excessivamente para o lado esportivo, mas também não é mole a ponto de prejudicar o controle. O 2008 simplesmente dá prazer ao dirigir, e isso não é algo que se encontre com facilidade no segmento.

Somado a isso, a ergonomia ajuda muito. A posição de dirigir é fácil de encontrar, o volante pequeno contribui para a sensação de agilidade e o banco oferece bom apoio. Tudo parece estar no lugar certo. É um carro que convida o motorista a dirigir, e não apenas a se deslocar.

Mas nem tudo é perfeito. Falta piloto automático adaptativo. O carro tem controle de cruzeiro convencional, leitura de placas de trânsito, manutenção de faixa e frenagem autônoma de emergência, mas não entrega ACC. Em um mercado onde há concorrentes até mais baratos oferecendo esse recurso, essa ausência pesa. Também não há auto hold, como já mencionei, e são duas faltas relevantes para um SUV que quer brigar na faixa superior dos compactos.


Itens de série do Peugeot 2008 GT Hybrid

Entre os principais equipamentos mencionados na avaliação, o Peugeot 2008 GT Hybrid traz:

  • seis airbags;
  • faróis principais em LED com efeito 3D;
  • luzes diurnas em LED com assinatura em três traços;
  • grade exclusiva da versão GT;
  • sensores de estacionamento dianteiros e traseiros;
  • câmera dianteira;
  • câmera de ré;
  • rodas de 17 polegadas com pneus 215/60 R17;
  • painel de instrumentos digital 3D;
  • central multimídia de 12,3 polegadas;
  • espelhamento para smartphone;
  • carregador de celular por indução;
  • volante revestido em couro;
  • bancos em couro;
  • paddle shifts para trocas manuais;
  • freio de estacionamento eletrônico;
  • teto panorâmico;
  • piloto automático convencional;
  • assistente de permanência em faixa;
  • leitura de placas de trânsito;
  • frenagem autônoma de emergência;
  • duas portas USB traseiras, uma USB-A e uma USB-C.

Vale a pena comprar o Peugeot 2008 GT Hybrid?

O Peugeot 2008 GT Hybrid é um daqueles carros que convencem menos pela promessa do catálogo e mais pela experiência prática. O sistema híbrido leve, isoladamente, não transforma o consumo e tampouco muda o desempenho. Nesse aspecto, ele parece mais interessante pelos benefícios fiscais e operacionais, como isenção de rodízio em São Paulo e eventuais reduções tributárias em alguns estados.

Só que reduzir esse carro a isso seria injusto. O 2 008 GT Hybrid é muito bonito, tem bom acabamento, cabine agradável, ergonomia acima da média e um conjunto mecânico extremamente bem acertado. Direção, suspensão e câmbio trabalham em altíssimo nível para a categoria. É um carro gostoso de dirigir de verdade.

O problema é que, por esse valor, o mercado cobra mais conteúdo. E aí entram as ausências de ACC e auto hold, dois itens que fazem falta em um SUV compacto de mais de R$ 160 mil. Então a resposta depende muito do que você valoriza. Se prioridade for condução, conforto de rodagem, design e sensação de refinamento, ele merece estar na lista. Agora, se o foco for o pacote mais completo possível de assistências e conveniências, há concorrentes mais recheados.

Eu considero, sim, o Peugeot 2008 GT Hybrid uma boa compra dentro da sua proposta. Não porque seja o híbrido mais eficiente do mercado, mas porque é, antes de tudo, um carro muito bem acertado.

Ficha técnica do Peugeot 2008 GT Hybrid

  • Motor: 1.0 turbo, 3 cilindros, da família T200, com sistema híbrido leve
  • Combustível: flex
  • Potência: 130 cv
  • Torque: 20,4 kgfm
  • Câmbio: CVT com 7 marchas simuladas
  • Direção: elétrica
  • Tração: dianteira
  • Rodas e pneus: 17 polegadas com pneus 215/60 R17
  • Porta-malas: 373 litros
  • Ângulo de entrada: pouco mais de 18 graus
  • Freio de estacionamento: eletrônico
  • Itens de assistência: frenagem autônoma de emergência, manutenção de faixa, leitura de placas de trânsito e piloto automático convencional
  • Dimensões: 4,30 m de comprimento, 1,77 m de largura (sem espelhos), 1,54 m de altura e 2,61 m de entre-eixos
  • Consumo via Inmetro: 13,0 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada com gasolina / 9,0 km/l (cidade) e 9,6 km/l (estrada) 
  • Preço R$ 163.000
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