Ford Territory Titanium 2026 tem visual renovado e é vendido no Brasil em versão única
Fernando Naccari/iG
Ford Territory Titanium 2026 tem visual renovado e é vendido no Brasil em versão única

O Ford Territory Titanium 2026 é daqueles carros que fazem mais sentido quando você entende a proposta antes de olhar apenas para potência, consumo ou preço. Ele não quer ser o SUV médio mais rápido, nem o mais econômico, nem o mais barato. O que ele tenta entregar é uma experiência mais próxima de um veículo premium, com bastante espaço, bom acabamento, rodagem macia e um pacote de equipamentos generoso.


No Brasil, o Territory é vendido em versão única, Titanium, por R$ 219.900. Para compra direta, o preço informado é de R$ 199.000. E é justamente nessa faixa que a análise fica mais interessante, porque ele passa a encarar não apenas SUVs médios a combustão, mas também opções híbridas e modelos chineses cada vez mais competitivos.

Design e espaço interessantes

Visualmente, o Territory 2026 ficou mais sóbrio depois do facelift apresentado em 2025. A dianteira mudou bastante, com nova grade, faróis redesenhados, para-choque revisto e uma assinatura luminosa que deixou o SUV com aparência mais madura. Ele perdeu um pouco daquele visual mais afilado da configuração anterior, mas ganhou presença. Em alguns ângulos, especialmente na dianteira, lembra até uma leitura mais compacta do Ford Explorer.

Nova dianteira do Ford Territory Titanium 2026 reforça a proposta mais premium do SUV médio
Fernando Naccari/iG
Nova dianteira do Ford Territory Titanium 2026 reforça a proposta mais premium do SUV médio


O carro também tem porte. São 4,68 m de comprimento, 1,93 m de largura com os retrovisores rebatidos, 2,17 m com os retrovisores abertos, 1,70 m de altura e 2,72 m de entre-eixos. A altura livre do solo é de 17,9 cm. É um SUV grande, com dimensões próximas às de modelos como o GWM Haval H6, embora o rival chinês leve vantagem em porta-malas e entre-eixos.

Ford Territory Titanium 2026 mede 4,68 metros de comprimento e tem 2,72 metros de entre-eixos
Fernando Naccari/iG
Ford Territory Titanium 2026 mede 4,68 metros de comprimento e tem 2,72 metros de entre-eixos


Espaço é um dos pontos fortes

Para mim, um SUV familiar precisa começar por espaço interno e porta-malas. Nesse ponto, o Territory entrega bem. O porta-malas tem 448 litros, volume suficiente para uma viagem em família ou para uso cotidiano sem sofrimento. Com os bancos traseiros rebatidos, a capacidade chega a 1.422 litros.

Porta-malas do Ford Territory Titanium 2026 tem 448 litros e abertura elétrica
Fernando Naccari/iG
Porta-malas do Ford Territory Titanium 2026 tem 448 litros e abertura elétrica


Outro ponto positivo é a presença do estepe temporário. Pode parecer detalhe, mas em tempos de carros que apostam apenas em kit de reparo, ter um estepe para resolver um pneu furado ou rasgado em viagem ainda faz diferença.

O que me incomodou foi o acabamento do porta-malas. A base e a parte traseira dos bancos são carpetadas, mas as laterais usam plástico exposto. Na prática, se você carregar malas rígidas, caixas ou objetos com cantos vivos, a chance de riscar essa área é grande. Para um SUV que tenta transmitir uma sensação mais sofisticada, esse detalhe destoa.

No banco traseiro, a experiência é muito boa. Há bastante espaço para pernas, boa altura para cabeça e saída de ar-condicionado dedicada. O carro também traz duas entradas USB-C para quem viaja atrás. O único porém é justamente ser tudo USB-C, o que pode exigir adaptador para quem ainda usa cabos USB convencionais.

Banco traseiro do Ford Territory Titanium 2026 tem saídas de ar-condicionado e entradas USB-C
Fernando Naccari/iG
Banco traseiro do Ford Territory Titanium 2026 tem saídas de ar-condicionado e entradas USB-C


Interior tem conforto de sobra

Por dentro, o Territory passa uma impressão de carro mais caro. A parte superior das portas tem material emborrachado, há costuras aparentes em laranja no painel, nas portas, nos bancos e no volante, e o acabamento geral é bem resolvido.

Cabine do Ford Territory Titanium 2026 aposta em bom espaço interno, acabamento caprichado e teto panorâmico
Fernando Naccari/iG
Cabine do Ford Territory Titanium 2026 aposta em bom espaço interno, acabamento caprichado e teto panorâmico


Os bancos dianteiros têm ajustes elétricos, aquecimento e ventilação. Esse é um dos pontos altos do carro. No uso diário, principalmente em uma cidade como São Paulo, banco ventilado faz diferença real. O ar-condicionado é digital de duas zonas, e o teto solar panorâmico ajuda a reforçar a sensação de amplitude da cabine.

O painel de instrumentos é digital e customizável, com diferentes informações de viagem, consumo, pressão dos pneus e sistemas de segurança. A central multimídia também tem boa apresentação, mas há um detalhe de usabilidade que me incomodou: quando Android Auto ou Apple CarPlay estão espelhados, a barra inferior do ar-condicionado desaparece. Para ajustar a climatização pela tela, é preciso voltar à interface original do carro ou usar os comandos físicos de atalho.

Ford Territory Titanium 2026 traz painel digital, central multimídia e ar-condicionado digital de duas zonas
Fernando Naccari/iG
Ford Territory Titanium 2026 traz painel digital, central multimídia e ar-condicionado digital de duas zonas


Não chega a ser um problema grave, porque há botões dedicados para funções principais, mas é uma escolha de interface que poderia ser mais intuitiva.

Modos de condução ficam escondidos demais

A maior falha de usabilidade do Territory, para mim, está nos modos de condução. O carro oferece quatro programas: Normal, Eco, Esportivo e Trilha. O problema é o caminho para acessá-los pela central.

Você precisa sair do espelhamento, entrar em configurações do veículo, depois em segurança do veículo e só então alterar o modo de direção. Não faz sentido um ajuste de condução ficar escondido dentro de um menu de segurança. Em outros carros, essa função costuma ter um botão físico ou um atalho claro no console central.

A solução é configurar o atalho no volante. Aí, sim, dá para alternar os modos de forma mais rápida. Mas isso deveria ser nativo, simples e evidente. Em um carro de mais de R$ 200 mil, ergonomia digital também conta.

Motor atende, mas não empolga

O Territory usa motor 1.5 EcoBoost turbo a gasolina, com 169 cv e 25,5 kgfm de torque. A transmissão é automatizada de dupla embreagem e sete marchas, sempre com tração dianteira.

Quando se fala em câmbio de dupla embreagem em um Ford, é normal lembrar do histórico ruim do antigo PowerShift. Mas aqui a história é outra. Este câmbio tem embreagem banhada a óleo e, no uso urbano, funciona muito bem. As trocas são suaves, quase imperceptíveis em vários momentos, a ponto de lembrar a linearidade de um CVT.

Console central do Ford Territory Titanium 2026 tem seletor giratório de câmbio, auto hold e carregador por indução
Fernando Naccari/iG
Console central do Ford Territory Titanium 2026 tem seletor giratório de câmbio, auto hold e carregador por indução


No dia a dia, o Territory não parece fraco. Mesmo com 1,7 tonelada, ele tem respostas adequadas e entrega desempenho suficiente para uso urbano e rodoviário. Eu não senti falta de potência em uma condução normal.

O problema aparece mais em retomadas e ultrapassagens. Como não há aletas atrás do volante, você depende totalmente da lógica do câmbio. Em subidas, ele se vira bem. Em ultrapassagens, mesmo no modo Esportivo, existe um pequeno atraso entre o pedido no acelerador e a resposta efetiva do conjunto. Não chega a comprometer, mas tira um pouco da sensação de controle.

Rodagem é macia, talvez até demais

A suspensão é claramente calibrada para conforto. O Territory tem uma rodagem macia, quase de “sofá”, com aquela característica que lembra muito SUVs americanos e chineses. Em pisos ruins, lombadas e deslocamentos urbanos, isso agrada bastante.

Ford Territory Titanium 2026 usa rodas de 19 polegadas com pneus 235/50 voltados ao uso em asfalto
Fernando Naccari/iG
Ford Territory Titanium 2026 usa rodas de 19 polegadas com pneus 235/50 voltados ao uso em asfalto


Mas, no meu gosto pessoal, ela poderia ser um pouco mais firme. Em curvas mais rápidas ou mudanças de direção em rodovia, a carroceria rola mais do que eu gostaria. Não é um comportamento inseguro, mas exige que você dose mais o ritmo do que faria em um SUV com acerto mais europeu ou mais firme.

É uma questão de preferência. Quem busca conforto e maciez provavelmente vai gostar bastante. Quem gosta de um carro mais conectado ao asfalto talvez ache o Territory um pouco molenga.

Pacote de segurança é bom

Em equipamentos, o Territory Titanium entrega um pacote competitivo. Ele traz seis airbags, câmera 360 graus, alerta de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa e piloto automático adaptativo com função stop and go.

Esse último ponto é importante. O ACC com stop and go ajuda bastante no trânsito pesado, porque consegue acompanhar o fluxo em baixa velocidade. Em um SUV familiar, usado muitas vezes em rotina urbana, esse tipo de recurso melhora muito a experiência.

O carro também conta com freio de estacionamento eletrônico, auto hold, carregador por indução, abertura elétrica do porta-malas, rodas de 19 polegadas com pneus 235/50 e acabamento externo com detalhes cromados e em preto brilhante.

Consumo é o maior ponto de atenção

No meu uso, o consumo foi o ponto que mais pesou contra o Territory. Em ciclo urbano, com bastante trânsito, consegui média de 8,2 km/l. Na estrada, fiz 9,4 km/l. Considerando que o carro é somente a gasolina, são números que exigem atenção de quem roda muito.

O Inmetro informa 8,8 km/l na cidade e 11,2 km/l na estrada. Ou seja, meu resultado urbano ficou próximo do oficial, mas o rodoviário ficou abaixo do esperado. E aqui entra a questão de mercado: nessa faixa de preço, já existem SUVs híbridos com consumo melhor e desempenho superior.

O GWM Haval H6 HEV, por exemplo, aparece como um concorrente muito forte quando se olha custo-benefício, potência, consumo e tecnologia. Também entram na conta modelos como Toyota Corolla Cross, Honda HR-V em versões mais caras e o recém-chegado CAOA Changan CS75, que tende a pressionar ainda mais esse segmento.

Vale a compra?

O Territory Titanium 2026 é um SUV confortável, espaçoso, bem equipado e com acabamento acima da média dentro da faixa de preço. Ele é agradável de dirigir no uso diário, tem boa posição ao volante, entrega muito conforto para a família e transmite uma sensação de veículo mais sofisticado do que alguns rivais diretos.

Mas ele também tem pontos claros de melhoria. A interface dos modos de condução poderia ser mais intuitiva, faltam aletas para trocas manuais, o consumo não empolga e a suspensão macia demais pode incomodar quem gosta de uma tocada mais firme em estrada.

No fim, eu vejo o Territory como uma boa opção para quem prioriza conforto, espaço, acabamento e pacote de equipamentos. É um carro que faz sentido para quem quer um SUV médio com pegada mais premium, sem necessariamente buscar o menor consumo ou o melhor desempenho da categoria.

A grande questão é que o segmento mudou. Hoje, por preço parecido, já existem rivais eletrificados, mais potentes e mais eficientes. Por isso, o Territory atual é um bom SUV, mas parece estar esperando a peça que falta para ficar realmente competitivo: uma versão híbrida.

Se a Ford trouxer esse conjunto ainda em 2026, como já é esperado, o jogo muda bastante. O Territory tem porte, conforto, acabamento e conteúdo para vender mais do que vende. Com uma mecânica eletrificada, pode finalmente ter o argumento que falta para encarar os rivais de frente.


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