Os veículos eletrificados já respondem por 25% das vendas mensais de carros 0 km em uma grande rede de concessionárias de São Paulo. O dado, equivalente a cerca de 200 unidades por mês dentro de um total de 800, ajuda a mostrar como híbridos e elétricos deixaram de ser nicho em parte do varejo automotivo e passaram a disputar espaço de forma mais direta com modelos a combustão.
O movimento local aparece em um mercado nacional que também acelerou. Em 2025, o Brasil fechou o ano com 223.912 veículos leves eletrificados vendidos, alta de 26% sobre 2024, segundo a ABVE.
Em 2026, a curva seguiu em crescimento. A ABVE informa que o primeiro bimestre somou 48.591 eletrificados, com avanço de 90% sobre o mesmo período de 2025. Em fevereiro, esses modelos responderam por 14% das vendas domésticas de leves, depois de terem alcançado 15% em janeiro.
Varejo já sente mudança de comportamento
Segundo dados do Grupo Viamar, o peso dos eletrificados já supera com folga a média nacional registrada em 2025. A empresa afirma que híbridos e elétricos representam hoje um quarto das vendas de 0 km do grupo, concentradas sobretudo no ABC paulista.
Ainda segundo o grupo, a revenda ainda aparece como um dos temas mais sensíveis para quem considera migrar para um eletrificado, mas o varejo já tenta responder a essa resistência com estratégias de recompra e valorização do usado.
Recarga deixa de ser barreira absoluta
Outro temor recorrente está na infraestrutura. Os dados mais recentes da ABVE para recarga pública e semipública mostram 14.827 eletropostos no país, distribuídos por 1.363 municípios. Desse total, 2.430 já eram carregadores rápidos em fevereiro de 2025, uma expansão de 60% em relação a novembro de 2024.
A leitura do setor é que a ampliação da rede ajuda a reduzir a ansiedade de autonomia, especialmente fora das capitais. A ABVE também apontou que a infraestrutura já alcançava 25% dos municípios brasileiros no início de 2025, com avanço mais forte no Norte, Centro-Oeste e Nordeste.
Novas normativas facilitaram a instalação de carregadores em condomínios antigos, impulsionando a infraestrutura necessária para acompanhar a crescente demanda. Vale destacar a forte ação da iniciativa privada na instalação de eletropostos. Certamente 2026 será divisor de águas para essa expansão Caio Ramos, Diretor Regional de Vendas da BYD Viamar
O avanço das vendas também mexe com outro estereótipo do setor. Segundo a Viamar, a maior parte dos compradores de eletrificados atendidos pela rede está na faixa de 40 a 60 anos, com presença relevante de consumidores acima de 60.
Bateria e custo de uso seguem no centro da decisão
Além da revenda e da recarga, a durabilidade das baterias continua entre as dúvidas mais comuns. Ramos afirma que a bateria Blade, usada pela BYD, tem durabilidade estimada em 5.000 ciclos completos de carga. Considerando uma média de 300 km por recarga integral, a estimativa apresentada por ele é de cerca de 1,5 milhão de quilômetros ao longo da vida útil.
Na ponta do lápis, a conta também tem pesado a favor da eletrificação. O estudo realizado pelo grupo estima que o custo por quilômetro de um elétrico pode ser até 74% mais barato do que em modelos a combustão, argumento que se soma aos incentivos fiscais e ao aumento da oferta.