Sedãs topo de linha mostram que podem oferecer o conforto de modelos médios. Mas faltaram itens de segurança no carro da marca japonesa

No Honda,  a frente renovada tem faróis de LED e frente inspirada no Civic. E a parte frontal do Virtus é igual a do Polo
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No Honda, a frente renovada tem faróis de LED e frente inspirada no Civic. E a parte frontal do Virtus é igual a do Polo

Foi-se o tempo que sedãs compactos estavam longe de serem tão confortáveis, equipados e seguros quanto os médios. A chegada do  VW Virtus estabeleceu outros parâmetros no segmento, o que foi mostrado na comparação da versão topo de linha Highline com o Honda City EXL, o mais equipado da nova leva que acaba de chegar às lojas com uma série de mudanças.  As vantagens do modelo da marca alemã em relação ao rival já começam pelo preço, embora esteja num patamar que pode assustar. Parte de R$ 79.990, ante R$ 83.400 do concorrente. 

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Não é nada barato pagar cerca de R$ 80 mil por um sedã compacto, mas o VW Virtus transmite uma idéia de maior valor agregado por uma série de fatores que vamos detalhar a seguir. O tamanho do carro e o espaço disponível é o primeiro fator que chama atenção, principalmente pela distância entre-eixos do Volkswagen (2,65 m ante 2,60 m do Honda). Em números a diferença pode parecer pouca, mas sentado no banco de trás Virtus dá para se sentir em um sedã médio. Sobra uma boa distância para acomodar as pernas, mais do que no City. De acordo com as medições das fabricantes, porém, o porta-malas do Honda é um pouco maior, com 536 litros ante 521 litros do VW. De qualquer forma, em ambos dá para levar a bagagem de cinco ocupantes com folga. 

Perfil que lembra o de um cupê dá um aspecto esportivo ao Virtus, mas prejudica um pouco o espaço para a cabeça atrás
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Perfil que lembra o de um cupê dá um aspecto esportivo ao Virtus, mas prejudica um pouco o espaço para a cabeça atrás

O painel mais moderno do Virtus é outro ponto em que o Volkswagen se sobressai.  Pode ter cluster digital e configurável de acordo com o gosto do freguês como opcional agregado à central multimídia  com tela de alta resolução, de 8 polegadas e com GPS integrado. Faz parte do pacote de itens sofisticados que também inclui indicador de pressão dos pneus, sistema de acionamento automático dos freios pós-acidente, detector de fadiga, câmera de ré, organizador de porta-malas, sensor de chuva, acionamento automático dos faróis e sensor de estacionamento dianteiro. 

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Ok, é um opcional de salgados R$ 3.300, o que faz o preço do sedã da Volkswagen chegar nos R$ 83.200, quase o mesmo que o City topo de linha, que não tem opcionais e conta com um pacote de equipamentos cujas únicas vantagens em relação ao Virtus ficam por conta dos airbags de cortina, dos retrovisores rebatíveis eletricamente e dos bancos revestidos de couro. No Honda, estranhamente, faltam os controles eletrônicos de estabilidade e tração (presentes no Fit EXL 2018) e  apesar da central multimídia ter melhorado em relação à oferecida anteriormente, ainda está num nível abaixo da do rival da VW.  Para poder visualizar a tela durante os dias ensolarados é preciso acionar (toda vez) o modo que aumenta o brilho da tela, que poderia ter melhor resolução.

Mudou pouco a traseira do City 2018, apenas detalhes no para-choque e nas lanternas entre os principais itens
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Mudou pouco a traseira do City 2018, apenas detalhes no para-choque e nas lanternas entre os principais itens

Nos dois sedãs o sistema de ar-condicionado é digital, a direção com assistência elétrica e o volante vêm revestido de couro, mas há mais comandos no Virtus, que conta com computador de bordo bem mais completo que informa tudo o que você precisa saber sobre o funcionamento do carro, o que inclui autonomia, temperatura do motor, tempo de viagem, entre vários outros dados. No City, a tela fixa mostra apenas hodômetros parcial e total, além da hora e a temperatura externa.

E na hora de acelerar?

 É no quesito conjunto mecânico que o Volkswagen mostra sua principal diferença em relação do Honda. No Virtus, o motor é o moderno 1.0, turbo, de três cilindros, que tem injeção direta de combustível, com duplo comando de válvulas com variadores de fase na admissão e no escape, entre outros recursos. Gera 128 cv e bons 20,4 kgfm de torque a meros 2.000 rpm, ante 116 cv e sofríveis 15,6 kgfm a altos 4.800 rpm no City, que merecia ter um motor mais eficiente. Para piorar a situação do Honda quando o assunto é desempenho, o câmbio automático é o pacato CVT, ante a ágil caixa de seis marchas do Volkswagen.

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Na prática, ao pisar no acelerador do Virtus a resposta é quase imediata, com boa dose de fôlego aparecendo desde as primeiras marcações do caontagiros.  Já no City é preciso ter paciência e cautela nas ultrapassagens. E ir devagar com o andor, já que o carro roda com conforto e silêncio ao pisar de leve no pedal da direita. Se insistir em subir o giro do 1.5, de quatro cilindros, o nível de ruído sobe bastante e não na mesma proporção que aumenta a agilidade. Entretanto, nos pareceu que melhoraram o isolamento acústico do Honda, cuja suspensão também evoluiu um pouco por ter absorvido bem as irregularidades do piso no dia a dia. Mesmo assim, o Virtus é melhor de dirigir e com mais agilidade. Conforme os dados das fabricantes, o VW faz de 0 a  100 km/h em 9,9 segundos e pode atingir 194 kmh, contra 11,3 s e 175 km/h do Honda.

Rodando na cidade, conforme as medicos do Inmetro, o City é um pouco mais econômico que o Virtus, embora o Volkswagen tenha melhor autonomia em qualquer situação por ter um tanque maior, de 52 litros, ante o de 46 litros do rival. Portanto, em trecho urbano, o Honda faz 8,5 km/l de etanol e 12,3 km/l de gasolina, ante 7,8 km/l e 11,2 km/l do VW, respectivamente. Porém, na estrada, ambos praticamente se equivalem e o Virtus pode rodar em torno de 759 quilômetros com o tanque cheio de gasolina, ante cerca de 667 litros do City, ainda levando em consideração os dados do Inmetro.

 Andamos com os dois carros tanto na cidade quanto na estrada e a melhor relação entre peso e potência do Volkswagen (9,3 kg/cv ante 9,8 kg/cv do Honda) tornou as ultrapassagens mais seguras e transmitiu mais confiança nas curvas. Além disso, não apenas pela estrutura mais moderna e rígida, mas também por ter controles eletrônicos, o Virtus se mostrou mais estável por ter, inclusive, vetorização de torque.  Por sua vez, notamos no City apenas melhoras no acerto da suspensão e do isolamento acústico na na linha 2018, que poderia ter evoluído mais, seguindo, pelo menos, todos os padrões de equipamentos do Fit. 

Conclusão

 Não é à toa que o VW Virtus já chegou ao mercado com bons volumes de vendas. Em fevereiro, de acordo com os números da Fenabrave (Federação dos Distribuidores de Veículos), o modelo da marca alemã teve 1.455 unidades vendidas, superando não apenas o Honda City (746), mas outros rivais como o Chevrolet Cobalt (1.219). Tem um conjunto bem acertado, espaço interno generoso e uma lista de equipamentos sofisticados encontrados antes apenas em segmentos superiores. Não resta dúvida que o City evoluiu, mas não o suficiente para superar o rival da Volkswagen.  




Ficha técnica - Honda City EXL

Preço:  a partir de R$ 83.400

Motor: 1.5, quatro cilindros, flex

Potência: 116 cv (E) / 115 cv (G) a 6.000 rpm

Torque: 15,3 kgfm (E) / 15,2 kgfm a 4.800 rpm

Transmissão:  Câmbio automático, CVT, tração dianteira

Suspensão:Independente (dianteira) e eixo de torção (traseira)

Freios: Discos ventilados na dianteira e tambor na traseira

Pneus: 185/55 R16 

Dimensões: 4,45 m (comprimento) / 1,70 m (largura) / 1,49 m (altura), 2,60 m (entre-eixos)

Tanque : 46 litros

Porta-malas: 536 litros 

Consumo: 12,3 km/l (cidade) /14,5 km/l (estrada) com gasolina

0 a 100 km/h: 11,3 segundos 

Vel. Max: 175 km/h


Ficha técnica - VW Virtus Highline TSI

Preço:  a partir de R$ 79.990

Motor: 1.0, turbo, três cilindros,  flex

Potência: 128 cv a 5.550 rpm

Torque: 20,4 kgfm a  2.000 rpm

Transmissão:  Automático, 6 marchas, tração dianteira

Suspensão:Independente (dianteira) e eixo de torção (traseira)

Freios: Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira

Pneus: 205/55 R16 

Dimensões: 4,48 m (comprimento) / 1,75 m (largura) / 1,47 m (altura), 2,65 m (entre-eixos)

Tanque : 52 litros

Porta-malas: 521 litros

Consumo: 10,2 km/l (cidade) /14,6 km/l (estrada) com gasolina

0 a 100 km/h: 9,9 segundos 

Vel. Max: 194 km/h

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