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Novo sedã derivado do Polo mostra que tem espaço de sobra e conjunto bem acertado. Mas, cobra bem por isso. Confira a avaliação completa

Volkswagen Virtus Comfortline: versão intermediária já tem um pacote interessante de equipamentos de série
Carlos Guimarães/iG
Volkswagen Virtus Comfortline: versão intermediária já tem um pacote interessante de equipamentos de série

Não é de hoje que a cada geração que passa os carros vão ficando maiores. E não foi diferente com o Volkswagen Virtus, que entra no lugar do Polo Sedan, modelo vendido no Brasil até meados de 2015. O novo Volkswagen está com quase mesmo tamanho do Jetta atual e surpreende tanto pelo espaço interno próximo de um carro médio quanto pela eficiência do conjunto mecânico, composto motor 1.0 turbo flex, de três cilindros, e pelo câmbio automático de seis marchas.

VW Virtus quer vingar num segmento que nunca foi forte no Brasil. E conseguirá?

 Entretanto, na versão Comfortline TSI, como a avaliada, o preço sugerido parte de salgados R$ 73.490 e pode chegar a R$ 78.440 com o pacote mais completo de opcionais, valor acima dos principais rivais, como Fiat Cronos Precision 1.8 AT (R$ 69.990), Honda City EX (R$ 77.900) e Chevrolet Cobalt Elite (R$ 73.890), todos sem itens extras.  Ainda teremos a oportunidade de comparar, lado a lado, o novo sedã da marca alemã com alguns dos principais rivais. Por enquanto, porém, dá para adiantar que o conjunto do Volkswagen Virtus também está acima da média dos concorrentes pelas impressões que temos deles.

 Exceto pela vibração que aparece,  quando o motor ainda está frio, ao engatar a ré, para sair da garagem, o Virtus se mostra um carro bem acertado. O que mais agrada no dia a dia é a eficiência do motor 1.0 turbo, de apenas três cilindros, capaz de render 128 cv e bons 20,4 kgfm de torque a meros 2.000 rpm. Na prática, são números que se traduzem em agilidade nas ultrapassagens e respostas rápidas aos comandos do acelerador aliada a uma economia de combustível animadora. Com apenas gasolina no tanque, conforme os dados do Inmetro, o sedã pode fazer 11,5 km/l na cidade e 14,6 kgfm na estrada.

 As relações de marcha bem escalonadas, o bom isolamento acústico, e a estrutura leve e rígida o suficiente para ajudar no funcionamento da suspensão  são outros pontos a serem elogiados no sedã e que fazem a diferença ao volante. Se for preciso adotar uma tocada mais animada, basta levar a alavanca do câmbio para a direita e ir trocando as marchas pelas hastes atrás do volante. Nesse modo, o ajuste prioriza o desempenho, tirando a ordem de manter o ponteiro do contagiros o mais baixo possível para economizar combustível. Além disso, nas curvas, o bom acerto do conjunto transmite confiança, ajudado pela boa distribuição do peso entre os eixos. Até pela questão do desempenho, o Virtus parece ser um carro maior do que realmente é.

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Chegamos a pegar uma boa estrada, cheia de curvas sinuosas com o Virtus. O porta-malas estava cheio e, mesmo assim, o sedã se comportou como gente grande quando o assunto é desempenho, mesmo sob chuva e piso molhado. Entre outros itens, o carro avaliado estava com controles eletrônicos de estabilidade e tração, itens de série nas versões com motor TSI. O único detalhe que incomodou foi o falso aviso de perda de pressão no pneu dianteiro esquerdo. Chegamos a verificar a calibragem e estava tudo certo. E perguntamos à Volkswagen a razão pela qual esse aviso pode aparecer indevidamente , se passar por algum buraco pode levar ao alerta, ou algo do gênero. Porém, ainda estamos aguardando uma resposta, que será publicada assim que chegar.

Espaço de sedã médio

Interior poderia ter acabamento mais caprichado, mas tem comandos bem posicionados e desenho de bom gosto
Divulgação
Interior poderia ter acabamento mais caprichado, mas tem comandos bem posicionados e desenho de bom gosto

De qualquer forma, o carro agradou bastante também pelo espaço interno e pela boa central multimídia com tela sensível ao toque. Comandos bem localizados e facilidade de ajustar a posição ideal de dirigir são outros dois atributos do Virtus, que precisa apenas de um acabamento um pouco mais caprichado para ficar de acordo com o preço. No caso do Comfortline, os bancos tem aspecto bem simples, revestidos de tecido, mesmo material usado nas laterais das portas. Há vários componentes de plástico no painel, mas a parte mais próxima do motorista é preta brilhante, o que dá um certo ar de requinte, de bom gosto. 

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Aviso de pressão do pneu com baixa pressão foi acionado, mas tratou-se de um alarme falso
Carlos Guimarães/iG
Aviso de pressão do pneu com baixa pressão foi acionado, mas tratou-se de um alarme falso

O volante multifuncional tem boa empunhadura, mas vem com uma fina camada de material que imita couro. Por outro lado, a partida é por botão e o ar-condicionado digital tem regulagem de meio em meio grau e os porta-objetos são volumosos, assim como o porta-malas de 521 litros. O que pode atrapalhar na acomodação da bagagem é apenas o chamado “pescoço de ganso”, ou seja, as alças da tampa que invadem a área de carga e acabam amassando o que estiver por perto se não tomar cuidado. Em contrapartida, além de ser espaçoso, o porta-malas ainda tem o fundo removível e que pode ser fixado em dois níveis, de acordo com o que for mais conveniente.

Quem vai sentado no banco traseiro conta na versão Comfortline 1.0 TSI com saídas de ar, o que ajuda a manter a temperatura no nível ideal. Há também cintos de segurança de três pontos para os três ocupantes, bem como encostos de cabeça. Ponto positivo ainda para os encostos rebatíveis, que permite levar objetos longos, como bicicletas e pranchas.

Conclusão

 Além do conjunto mecânico eficiente e bem acertado, o Virtus é um sedã bastante seguro e espaçoso. Mas podia ter acabamento mais caprichado pelo preço que custa, o que pode ser melhorado ao longo dos anos, uma vez que o carro acaba de chegar ao mercado, onde vai enfrentar fortes concorrentes, inclusive novos, como o Fiat Cronos e a versão sedã do Toyota Yaris, previsto para ser lançado em meados do ano.

Mas apesar de ter preço acima dos principais rivais, o Volkswagen Virtus não chega a valer o mesmo que um sedã médio, segmento cujos preços começam em R$ 73.990, no caso do Mitsubishi Lancer HL e R$ 92.690 se for o Toyota Corolla GLi, modelos básicos que não estão no mesmo patamar de equipamentos do modelo da Volkswagen, que vem com itens como faróis com acendimento automático, câmera de ré, sensores nos para-choques para ajudar nas manobras de estacionamento, entre outros.

Ficha Técnica - Volkswagen Virtus Comfortline 

Preço: a partir de R$ 73.490 

Motor:  1.0, três cilindros, turbo flex

Potência:  128 cv (E) / 115 cv (G) a 5.500 rpm

Torque:  20,4 kgfm a 2.000 rpm

Transmissão:  Manual, cinco marchas, tração dianteira

Suspensão: Independente, McPherson (dianteira) / Eixo de torção (traseira)

Freios:  Discos ventilados (dianteiros) / tambor (traseiros)

Pneus:  185/65 R15

Dimensões: 4,48 m (comprimento) / 1,75 m (largura) / 1,47 m (altura), 2,65 m (entre-eixos)

Tanque: 52 litros

Porta-malas: 521 litros 

Consumo etanol: 7,8 km/l (cidade) / 10,2 km/l (estrada)

Consumo gasolina: 11,2 km/l (cidade) / 14,6 km/l (estrada)


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