
Depois de 16 anos, chega ao fim a produção do Renault Clio na Argentina, lá conhecido como Clio Mio. O movimento é uma preparação da marca para dar espaço ao Kwid, compacto com ares de SUV que será apresentado no Salão do Automóvel e que chega às lojas no ano que vem. Além do complexo em Santa Isabel (Argentina), o Clio ainda é produzido na Colômbia, embora abasteça apenas o mercado nacional.
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O adeus do Renault Clio de segunda geração não foi oficial. Uma imagem começou a circular em grupos de WhatsApp, com parte dos empregados da linha do Clio declarando o fim de forma improvisada, com uma placa que diz “Último Clio – 549.948”. A Renault Argentina não quis falar a respeito, afirmando que irá se pronunciar no futuro sobre o fim da produção do Clio, que segundo sites argentinos, foi adiantado por brigas com o sindicato.
Produzido por 16 anos, o Renault Clio vendido na América do Sul ainda era a versão de segunda geração – na Europa, estão na quarta geração. Passou por reestilizações que tentavam manter o hatchback alinhado com o resto da marca e relevante nas vendas. A última mudança, feita em 2012, trouxe parte da nova identidade visual da marca, mudando a grade frontal.
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Atualmente vendido por R$ 34.985, o Clio viu um aumento nas vendas em 2013, ajudado pelo momento de mudança dos outros compactos. Começou a perder ritmo em 2014, quando passou a ocupar a penúltima posição no ranking de vendas dos carros de entrada, superando apenas o Peugeot 207 que estava em fim de estoque. No ano passado, emplacou apenas 14.929 unidades. Desde o início do ano até agosto, vendeu 10.040 unidades, perdendo até mesmo para o estreante Fiat Mobi , que está nas lojas a pouco mais de três meses.
Já existe uma movimentação na fábrica argentina para compensar a saída do Clio. O complexo irá montar a dupla Logan e Sandero , para diminuir a dependência do país vizinho em relação ao Brasil. Outros dois modelos terão mudanças na produção. A Renault já investe para atualizar a linha de produção para fabricar o Dacia Dokker , que irá aposentar o Renault Kangoo . Outra possibilidade é a mudança de geração do sedã Fluence, que irá se tornar o Megane Sedan .
Sai Clio, entra Kwid
No lugar do Renault Clio, teremos o Kwid , projeto global que começou a ser vendido primeiro na Índia. A marca irá divulgar o compacto como um “SUV de entrada”, aproveitando o visual aventureiro e a altura do modelo, embora esteja mais próximo de um Sandero Stepway do que do Duster . Iremos conhecer o Kwid no Salão do Automóvel, entre os dias 10 e 20 de novembro, enquanto o início das vendas fica apenas para 2017.
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Mesmo sem chegar às concessionárias brasileiras, o Kwid já entrou em polêmicas. A versão indiana foi testada pelo Global NCAP e tirou nota zero para segurança no teste de colisão, mesmo na configuração com airbag de motorista. Só melhorou o desempenho após receber reforços estruturais, que aumentaram a nota de zero para uma estrela, do máximo de cinco estrelas. A Renault Brasil garante que o Kwid nacional será melhor, com quatro airbags de série (dois frontais e dois laterais) e estrutura muito mais reforçada.
Para a versão de entrada, contará com um novo motor 1.0 de três cilindros da Aliança Renault-Nissan. Estreia no Kwid, com 75 cv de potência, para depois ser usado para equipar Sandero , Logan e os Nissan March e Versa , com mais potência. Rumores no setor automotivo apontam a possibilidade do motor 0.8 indiano, com 62 cv e que faz 25,17 km/l, vir ao Brasil para a versão mais cara do Kwid . Pode ganhar também o câmbio automatizado Easy-R.
Terá uma estratégia diferente do Renault Clio. Em coletiva realizada em agosto, Carlos Ghosn, chefão do grupo Renault-Nissan, disse que o Kwid será competitivo e com um bom custo-benefício, mas não irá buscar o título de carro mais barato do Brasil. Por isso, não espere por preços abaixo dos R$ 35 mil. O mais provável é que fique na casa dos R$ 38 mil, da mesma forma que o Chevrolet Onix Joy, se distanciando dos subcompactos como Fiat Mobi e Volkswagen Up!.