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Se produzidos no país, carros ecológicos não pagarão taxas ao governo. Saiba o que acontece no país vizinho e os planos para o Brasil

Somando impostos, o Prius vendido na Argentina é o mais caro do mundo . Mas os carros ecológicos ficarão mais em conta
Divulgação/Toyota
Somando impostos, o Prius vendido na Argentina é o mais caro do mundo . Mas os carros ecológicos ficarão mais em conta

Alguns executivos das fabricantes dizem que o Brasil (entenda como o governo) não quer carros ecológicos por aqui. Esse tipo de declaração ganha força ao olhar para a Argentina, que acaba de anunciar um novo pacote de incentivos para veículos elétricos , híbridos e movidos a hidrogênio, reduzindo o imposto de 35% para 5% e, dependendo da categoria, com isenção completa de taxas.

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O plano do presidente da Argentina, Mauricio Macri, já havia sido antecipado pela mídia, embora com algumas diferenças. Os primeiros relatos diziam que o benefício seria limitado a 9.000 unidades, enquanto a estratégia oficial é de 6.000 carros ecológicos para os próximos três anos, que devem ser híbridos, abastecidos com hidrogênio, ou 100% elétricos.

Um dos problemas do decreto é a limitação de quais empresas poderão se beneficiar da isenção tarifária, apenas para marcas com fábrica no país: Agrale, Fiat-Chrysler Automóveis, Ford, General Motors, Honda, Iveco, Mercedes-Benz, Nissan, Grupo PSA (Peugeot e Citroën), Ralitor (com marcas chinesas como Baic e Foton), Renault, Scania, Toyota, Volkswagen (incluindo Audi e Seat) e Zanella. A Hyundai, por exemplo, já reclama que não pode participar, embora tenha carros como o ix35 a hidrogênio, o híbrido Ioniq e o Kia Soul elétrico.

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Todos os veículos serão divididos em oito categorias, cada uma com seu imposto. O maior é para os híbridos, que pagarão 5% em taxas. Os elétricos terão uma tarifa de 2%, assim como os modelos com célula de combustível abastecida por hidrogênio. Todos podem ser isentos de todos os impostos caso tenham montagem local, mesmo que seja por SKD ou CKD – quando as peças chegam semi-desmontadas ou totalmente desmontadas, para que o veículo seja montado no país.

O resultado na queda do imposto é visto com otimismo. O híbrido Toyota Prius, o único carro ecológico a venda na Argentina , custa 962.210 pesos, cerca de R$ 195,7 mil em conversão direta. Por aqui, é vendido por R$ 126.600 mil. As fabricantes terão que homologar os veículos e algumas já o fizeram: Nissan Leaf, Porsche Cayenne Hybrid, Renault Kangoo Z.E., Toyota Prius e Volkswagen Touareg Hybrid já possuem licença para serem vendidos. A aliança Renault-Nissan é quem poderá se aproveitar mais do incentivo, pois seu complexo argentino produzia o Kangoo e ainda fabrica o Fluence, que também tem uma versão elétrica.

Luz no fim do túnel

A situação no Brasil é bem diferente. Após anos de lobby por parte das fabricantes e associações ligadas ao meio-ambiente, o Governo Dilma soltou um pacote em 2015 que reduzia apenas o imposto de importação dos carros “verdes” – zerados para os elétricos e de até 7% para os híbridos. Só que eles continuavam pagando todos as outras taxas, como Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS/Cofins e mais.

A esperança para mudar este cenário está no novo regime automotivo, atualmente em discussão. Governo e fabricantes conversam para criar um programa que não seja tão restritivo quanto o Inovar-Auto, que exigia um índice de nacionalização e criou cotas anuais de importação para todas as fabricantes, cobrando 30% a mais de IPI caso ultrapasse o limite, medida que quase matou as marcas de importados como Kia e JAC Motors.

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Uma das mudanças em discussão é mudar a alíquota do IPI, atualmente cobrada de acordo com a cilindrada, para o nível de eficiência energética. Além de beneficiar carros ecológicos, também irá ajudar as fabricantes com motores mais econômicos, como é o caso dos modelos 1.2 da Citroën e Peugeot, que pagam mais impostos do que os 1.0, mesmo que sejam os motores a combustão mais econômicos do Brasil, segundo o Inmetro.

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