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Há dois meses na prisão, seria impossível Ghosn aceitar a nomeação. Como resultado, houve complicações nas relações entre as montadoras da aliança

Carlos Ghosn, ex CEO mundial da Renault-Nissan, renuncia a presidência da Renault, por estar preso há 2 meses
Nicolas Tavares/iG Carros
Carlos Ghosn, ex CEO mundial da Renault-Nissan, renuncia a presidência da Renault, por estar preso há 2 meses

O empresário Carlos Ghosn, preso no Japão há dois meses, apresentou hoje sua renúncia como presidente da Renault, horas antes do conselho do grupo francês se reunir para para destituí-lo e nomear uma nova equipe diretiva. Em sequência, Jean-Dominique Senard, que até agora era responsável pela fabricante de pneus Michelin, foi escolhido como o substituto para o cargo. Senard fará dupla com Thierry Bolloré, que já esteve exercendo essa função em caráter provisório desde a prisão de Ghosn, para supervisionar a atividade diária da Renault como diretor-geral e responsável executivo da companhia.

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Jean-Dominique Senard é quem assume como presidente do conselho da Renault
Divulgação
Jean-Dominique Senard é quem assume como presidente do conselho da Renault

O anúncio da renúncia de Carlos Ghosn , de 64 anos, foi feito pelo ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, que participa do Fórum Econômico de Davos. O empresário, que presidia a aliança Nissan-Mitsubishi Motors-Renault, é acusado de sonegar 5 bilhões de ienes (170 milhões de reais) em imposto de renda entre 2010 e 2015. Ghosn também é suspeito de sonegação de renda entre 2015 e 2018, de abuso de confiança, assim como de desviar dinheiro de uma conta da Nissan para um amigo saudita.

O primeiro desafio da nova cúpula da Renault será restabelecer a confiança com Nissan, já que a crise gerada pela detenção do brasileiro em Tóquio, no dia 19 de novembro do ano passado, colocou em evidência os atritos entre os parceiros da aliança que constituem junto com a Mitsubishi. As diferenças nas estratégias, perspectivas e visões têm sido outros fatores de origem a uma série de outros desentendimentos.

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Os japoneses assumem com dificuldade a atual situação em que a Renault é sua primeira acionista destacada, com 43% do capital, enquanto a Nissan tem unicamente 15% das ações da Renault, e sem direito de voto. Entretanto, a maior situação de desconforto está no fato de que o principal acionista da Renault é o próprio Estado francês, que tem 15% e 22% dos direitos de voto. Com isso, a diplomacia corporativa e as operações da empresa acabam por se desalinhar.

Ascensão de Carlos Ghosn e a aliança

Carlos Ghosn ao lado da primeira geração do Leaf, o carro 100% elétrico mais vendido do mundo, e o Renault Zoe
Divulgação
Carlos Ghosn ao lado da primeira geração do Leaf, o carro 100% elétrico mais vendido do mundo, e o Renault Zoe

Descendente de franceses e libaneses, Carlos Ghosn nasceu em Porto Velho (RO) em 1954. Iniciou sua carreira na França, à frente da Michelin e foi presidente da Nissan entre 2001 e 2017. O executivo saiu do cargo no ano passado em função da aliança com Renault e Mitsubishi, mas permaneceu no conselho. Durante seus anos de atividade, ficou popular por sua conduta de cortar gastos e retomar a lucratividade da empresa. Vale lembrar que a Nissan estava à beira da falência quando Ghosn assumiu o cargo.

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Hoje, a Aliança Nissan-Renault-Mitsubishi de Carlos Ghosn é um dos maiores grupos automotivos do mundo, disputando a liderança com Toyota e Volkswagen. No fechamento do primeiro semestre de 2018, foram 5,5 milhões de veículos vendidos em todo o mundo, registrando crescimento de 5,1% em relação ao ano anterior. A Renault viu as vendas de modelos como Clio e Captur subirem, enquanto X-Trail e Qashqai foram os grandes destaques da Nissan. A contribuição da Mitsubishi nos resultados veio do lançamento do Eclipse Cross, o novo SUV médio.

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