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Marca americana faz acordos e deve voltar a investir no País. Mas setor tem longo caminho para ser eficiente, competitivo e sobreviver, diz consultor

Linha de montagem da GM do Brasil, que vai lançar novos modelos no País, onde está se reestruturando
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Linha de montagem da GM do Brasil, que vai lançar novos modelos no País, onde está se reestruturando

Os novos acordos que a GM do Brasil tem feito para redução de custos e se adequar à realidade do mercado automotivo atualmente vai gerar novos investimentos no País em suas fábricas locais. Em breve, a matriz da marca americana deverá aprovar a liberação de R$ 10 bilhões para as unidades de produção de onde sairão novos modelos.

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Mas o exemplo da GM do Brasil em se esforçar para enfrentar as dificuldades encontradas no mercado automotivo brasileiro serve de alerta para o que o sócio da consultoria A.T Kearney Brasil, Mark Essle, chama de "o canário da mina automotiva". Trata-se de uma série de questões ligadas aos entraves que impedem que a cadeia automotiva no País seja tão eficiente como deveria.

Assim como em diversos países do mundo, no Brasil vivemos a nova era da mobilidade, em que há novos paradigmas que implicam na maior mudança que a indústria automotiva já passou em todos os tempos. E isso significa que as fabricantes precisam se moderninzar e fazer novos investimentos  para sobreviverem no cenário global.  No mercado brasileiro, mais especificamente, Essle explica quais são os principais desafios a serem enfrentados de imediato.

"Um dos pontos fundamentais que não apenas a GM, mas outras fabricantes precisam enfrentar no Brasil está ligada à soma de encargos e ineficiências da cadeia como um todo", diz Essle em seu artigo, que complementa explicando que "temos no País um pesado imposto de importação de até 14% sobre os preços de matérias primas, elevados custos de logística (acima do mercado internacional), alto conteúdo de impostos de 30% a 36% do valor de venda do veículo, entre outros problemas".

GM do Brasil e os desafios futuros 

Carlos Zarlenga, presidente da GM do Brasil e do Mercosul alerta sobre os novos desafios da indústria automotiva
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Carlos Zarlenga, presidente da GM do Brasil e do Mercosul alerta sobre os novos desafios da indústria automotiva

 Tudo isso tem levado a uma infinidade de empresas (não apenas do setor automotivo) sem previsão de lucros e distantes de um retorno adequado ao capital aplicado. Dentro desse contexto, o presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, chegou a alertar que os resultados financeiros de várias montadoras no Brasil mostram prejuízos de centenas de milhões de dólares e que suas matrizes enviaram, apenas em 2018, US$ 15 bilhões, ou algo em torno de R$ 50 bilhões.

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Afora as questões de ineficiência da cadeia automotiva, seja por causa da falta de infraestrutura, altos impostos e taxas, também é preciso enfentar no Brasil a grande transformação que se desenha no horizonte de 5 anos para a indústria automobilística. Será preciso de adaptar aos novos tempos em que as pessoas estão deixando de ser proprietárias de carros, mas assinantes de serviços de mobilidade.

Nesse novo cenário entram carros elétricos e autônomos, além de aplicativos de mobilidade, entre outros itens que exigem investimentos de centenas de bilhões de reais que o negócio atual das fabricantes precisará ter para pagar essa conta. Ainda segundo Essle, "estamos numa encruzilhada em que é necessário reiventar o setor, tornando-o competitivo  mundialmente ou corremos o risco de vermos sucumbir um parque industrial que emprega mais de 500 mil famílias no Brasil".

O fechamento da fábrica da Ford em SP

Ford fechará fábrica em São Bernardo do Campo (SP), ao contrário da GM do Brasil, manterá unidades de produção no País
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Ford fechará fábrica em São Bernardo do Campo (SP), ao contrário da GM do Brasil, manterá unidades de produção no País

No ano em que completa 100 anos de fundação no Brasil, a Ford decide fechar sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP), o que implica no fim da produção dos caminhões das linhas Cargo, F-4000 e F-350, além do hatch compacto Fiesta, que passa a ser encontrado nas lojas apenas enquanto durarem os estoques. 

Haverá redução de mais de 20% dos custos ligados ao quadro de funcionários em toda a região da América do Sul. Além disso, a Ford irá se concentrar na sua linha de SUVs de picapes e expandirá suas parcerias, como a que foi criada com a Volkswagen.

Para que outras fabricantes não tenham também que fechar fábricas no Brasil , Essle diz, em entrevista à reportagem de iG Carros, que " o modelo atual em vigor na indústria automotiva, que foi estabelecido entre as fabricantes e o governo, está com os dias contados e precisa mudar". Ele explica que, hoje em dia, no Brasil, privilegia-se o conteúdo local e não se permite exportar os produtos brasileiros para o mercado global. 

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Portanto, ainda conforme Essle, "a sociedade precisa reformular o sistema tributário e outros custos que reduzem a competitividade dos produtos brasileiros no mercado global. Impostos, taxas, entre outros encargos, fazem com que os veículos no Brasil sejam, em média, em torno de 40% mais caros", diz ele.

Essa mudança à qual se refere Essle e alertada pela GM do Brasil,   precisa ser colocada em prática. Levará um tempo e implicará num grande esforço em conjunto, mas, entre outras questões, está em jogo cerca de 1,2 milhão de empregos da cadeira automotiva no Brasil. Apenas no setor de autopeças, são aproximadamente 210 mil empregos,  220 mil nas concessionárias, 120 mil em serviços e assim por diante.