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O VW T-Cross Highline 250 TSI é um ótimo SUV compacto. Mas na faixa de R$ 110 mil a R$ 125 mil você compra um sedã médio como o Honda Civic

Motor Show


VW T-Cross azul
Divulgação
VW T-Cross pode chegar a custar o mesmo preço do Honda Civic Touring, com motor 1.5 turbo


O VW T-Cross Comfortline 200 TSI fica nivelado em preço e pacotes com os melhores SUVs compactos, mas já leva vantagem na mecânica e na dirigibilidade. Passando à versão Highline 250 TSI, cobra um pouco mais e supera os rivais “top” em ainda mais quesitos. Todos têm valores no “limite” do segmento, beirando R$ 110 mil.

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E esse é só o preço inicial do VW T-Cross Highline 250 TSI, que pode passar de R$ 125 mil. Aí é bom pensar em prioridades. Pois pelo preço desse VW T-Cross super-rápido e superequipado, você pode optar por um Renegade a diesel 4×4 – se quiser um SUV para aventuras de verdade. E se o que procura é um modelo alto para uso urbano, por pouco mais dá para comprar SUVs maiores, como Jeep Compass e Tiguan Allspace.

Agora, se você não encara estradas de terra e não leva bicicletas ou equipamentos, os SUVs não são a única opção. Porque se sedãs já foram comuns e caretas demais, carros de “tiozão”, e os SUVs surgiram como o “novo”, agora os SUVs viraram lugar-comum. Então em vez de comprar um SUV compacto, que tal um sedã fora do comum?

Honda Civic cinza
Divulgação
Honda Civic Touring tem estilo arrojado diante da maioria dos sedãs médios do segmento no Brasil

Na faixa desse VW T-Cross estão os melhores médios do mercado. Como o Honda Civic , escolhido aqui não só pelo design – sem nada de “tiozão” – mas por ser o melhor da categoria. Essa disputa repete outras entre modelos de mesma marca – Chevrolet Tracker e Cruze, Nissan Kicks e Sentra, etc. O gosto pessoal não deve ser esquecido, mas algumas escolhas são resultado de negociação entre ele e a razão.

CABINE E CONTEÚDO

painel do VW T-Cross
Divulgação
Entre os opcionais do VW T-Cross 2019, destaque para a tela touchscreen de oito polegadas


Ao comparar carros de categorias distintas, costuma-se ter versão top do menor contra a básica do maior. Aí fica mais fácil decidir. Aqui, porém, temos um SUV compacto e um sedã médio com conteúdos similares (confira tabela abaixo). Por R$ 110 mil, só o Civic EXL tem ar bizone, GPS offline e painel digital, por exemplo, e só o VW T-Cross tem chave presencial e retrovisor eletrocrômico.

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Já por R$ 125 mil, o VW T-Cross tem painel digital e alguns itens que o Civic Touring tem (como o retrovisor antiofuscante e faróis full-LED) e outros que não tem (como park assist). O Honda compensa com os exclusivos banco elétrico, câmera de ponto cego (útil com motoqueiros) e partida remota. E há um recurso dos Civic que faz bastante falta no VW T-Cross: o freio de mão elétrico com auto-hold.

Na cabine, o Civic é melhor. O VW T-Cross se destaca entre os compactos pelo entre-eixos, mas no Civic ele é maior. Afinal, o VW T-Cross tem uma base de compacto (a MQB A0 do Polo) espichada, e a do Civic é média-grande, compartilhada até com o Accord, e mais sofisticada (equivaleria no mínimo à dos VW Golf/Jetta). Assim, o sedã é mais largo, com bancos maiores e cabine mais espaçosa, console alto e largo, um bom porta-objetos – e espaço similar ao do VW T-Cross no banco traseiro – sem as saídas de ar-condicionado, mas com um pouco mais de largura para levar um quinto passageiro.

Painel do Honda Civic
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Honda Civic conta com interior moderno que inclui quadro de instrumentos digital entre os itens de série


O VW T-cross é bem menor que o rival no comprimento (44 cm!), e isso pode ser visto por alguns como uma vantagem na hora de manobrar na cidade. Mas, por causa disso, seu porta-malas é menor. No Civic são ótimos 519 litros, contra razoáveis 373 no VW T-Cross – mexer no encosto do banco traseiro o aumenta para 421 litros, mas, como vimos, fica incômodo viajar atrás.

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A contrapartida do SUV está na versatilidade: rebatendo bancos, há espaço para objetos maiores, como pranchas ou bicicletas (o Civic tem banco rebatível, mas leva no máximo objetos longos, pois a abertura fica pequena).

Já no acabamento interno, a diferença é gritante, embora não seja essa obrigatoriamente uma característica dos segmentos em si. O interior do VW T-Cross é bonito, mas com tudo de plástico duro, enquanto o Honda tem emborrachados e cromados, com construção mais sólida e aparência muito mais sofisticada.

E isso mesmo na versão EXL – enquanto o VW T-Cross Highline “básico”, sem painel digital e multimídia “top”, perde bastante no visual (veja o comparativo anterior). Esses dois itens são mais bonitos e têm mais opções de visualização no Volks do que no Honda, além de serem mais fáceis de usar, como a maioria dos comandos do VW T-Cross. Para completar, o teto solar do Civic fica pequeno diante do panorâmico do VW T-Cross, com cortina elétrica, e o VW tem iluminação com LEDs.

AO VOLANTE

VW T-Cross de traseira na estrada
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VW T-Cross se sai bem pela pegada esportiva, um pouco acima da média dos SUVs compactos à venda hoje em dia


Em movimento, os dois são bem diferentes. Um atrativo dos SUVs é a posição de dirigir alta, que dá mais sensação de segurança, seja por permitir enxergar mais longe, seja por deixar ver melhor o piso, ou, ainda, por outros fatores, subjetivos. Mesmo que no VW T-Cross o motorista não fique tão alto, ele fica projetado para a frente, mais “sentado”.

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É uma sensação “diferenciada”, principalmente com relação ao Civic, que “veste” o motorista. Outras vantagens dos SUVs estão no vão livre do solo e nos ângulos de ataque/saída. Características que importam no off-road, mas dependendo dos buracos e valetas de sua cidade, fazem diferença: mesmo que não encare estradas de terra, evita raspar o fundo e passa mais tranquilo nos buracos.

Mas há quem dê uma demasiada importância a esses fatores e não veja que algumas dessas vantagens são relativas: a aerodinâmica piora e a carroceria mais alta exige suspensões mais firmes ou menos estáveis – às vezes uma combinação das duas coisas. Assim, por mais que o VW T-Cross tenha suspensões boas para sua categoria e elas nem sejam tão altas assim, são mais duras que as do Civic.

E o Honda ainda tem sistema independente multilink na traseira, enquanto o Volks usa eixo de torção – o controle em curvas é maior no sedã, cuja carroceria inclina bem menos em curvas. Para finalizar, as suspensões do Civic têm batentes hidráulicos, com melhor amortecimento, revelando bem menos do piso aos ocupantes e sem nunca dar pancadas secas. Enfim, a dinâmica e o conforto de rodagem do Civic são notavelmente superiores àqueles do rival aventureiro.


Honda Civic Touring de traseira
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Honda Civic também está entre os modelos feitos no Brasil melhores para dirigir, até em trechos sinuosos


Já na mecânica, pelo preço do VW T-Cross Highline, o Civic EXL tem um 2.0 de até 155 cv que não é nada ruim. Mas gasta mais que o Volks e tem bem menos torque, com desempenho similar ao do T-Cross 1.0 . Já pelo valor desse  VW T-Cross Highline completo das fotos, o Civic Touring tem o 1.5 turbo mais potente (173 cv contra 150), mas com menos torque (22,4 kgfm contra 25,5) e não flexível.

No fim, o desempenho do Civic Touring é ligeiramente superior e ele ainda é mais econômico – também por causa do câmbio CVT, contra um automático tradicional no Volks. O consumo do PBEV está nas fichas técnicas; na prática, com gasolina e no Modo Eco (de série no Civic e opcional no T-Cross) fizemos 10 km/l com o Civic e 9,0 com o VW T-Cross na cidade (mesmo com start-stop) e 16,5 e 14,5 km/l, respectivamente, na estrada andando a 120 km/h – ambos a 2.200 rpm, mas com mais ruído no VW T-Cross, principalmente de vento.

As transmissões dos dois carros têm aletas para interferências pontuais ou trocas manuais. A do Volks tem seis marchas de verdade, enquanto a do Civic simula sete no modo manual ou ao afundar o pé direito, para quebrar o “efeito enceradeira” do CVT.

Em uma condução mais esportiva, o Civic responde mais prontamente aos comandos – e também mais progressivamente, enquanto no Volks, há um pequeno atraso ao comando do acelerador. Já dirigindo “na boa”, o SUV vai bem: prioriza consumo, adiantando as trocas para 2.000 rpm – uma faixa que o Honda também quase não ultrapassa, e entregando a potência com ainda mais sutileza.

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Em relação a prazer ao volante, portanto, não há comparação: o VW T-Cross 250 TSI sem dúvida se destaca em relação aos tradicionais SUVs compactos, ficando entre os melhores em dirigibilidade. Mas não se compara ao Civic, principalmente o turbinado. Além do apontado, a direção do Honda é bem mais precisa e direta (com relação variável), a posição de dirigir é mais envolvente… Não estando em uma estrada de terra, você será melhor recompensado no sedã .

CONCLUSÃO

A decisão, como dissemos, depende também de gosto pessoal. Fatores emocionais e subjetivos, como design e status, podem justificar a opção pelo SUV da Volks. Ele é melhor que os demais utilitários compactos em quase tudo, e, na faixa de R$ 110 mil, o Civic EXL 2.0 fica devendo ao VW T-Cross 1.4 em desempenho e consumo, então a balança até pode pender para o SUV.

Ainda assim, o sedã é superior em espaço, conforto de rodagem, acabamento, dinâmica e dirigibilidade. Afinal de contas, ele tem a mesma suspensão, a mesma direção… a mesma plataforma do Civic Touring. De carro médio, superior à de compacto “espichada” usada pelo VW T-Cross.

Então, a não ser que você realmente encare estradas de terra com frequência – e ache que um SUV 4×2 como esse resolve sua situação –, o Civic é a escolha mais racional a se fazer. Já o VW T-Cross “completão”, como avaliado, não vale mesmo a pena. Em uma visão mais técnica e racional, se é para gastar R$ 125 mil, como carro familiar ou para quem busca economia, espaço e conforto ao rodar, o Civic Touring faz mais sentido.

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Porque, além das vantagens construtivas e de dirigibilidade já citadas do sedã, com o 1.5 turbo ele fica ainda melhor nesses pontos, e vence o VW T-Cross também no desempenho e no consumo, além de ganhar equipamentos exclusivos (para compensar os que o rival tem). Fugimos do comum. Optamos pelo sedã. E você, precisa mesmo de um SUV?