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Anfavea mantém previsão de alta de 11,4% nas vendas em 2019.Contra burocracia, carga tributária, entre outros entraves, entidade busca soluções

fábrica da Fiat
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Fábrica da Fiat em Betim (MG), que acaba de receber investimentos de R$ 500 milhões, apenas para fabricar novos motores

Além do balanço mensal, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) passa a mostrar algum estudo sobre as razões pelas quais a indústria automotiva não deslancha no Brasil. Dessa vez, apresentaram detalhes sobre como a burocracia e a alta carga tributária consome dinheiro e força de trabalho no País.

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Focando apenas no setor automotivo, a Anfavea calcula um gasto anual de R$ 2,3 bilhões só com esse custo burocrático-tributário, valor maior que o R$ 1,5 bilhão previsto com Pesquisa e Desenvolvimento no programa Rota 2030. “Ou acabamos com esse sistema tributário ou ele acaba com o Brasil”, afirma Luiz Carlos de Moraes, presidente da Anfavea.

O executivo citou como exemplo o fluxo de importação do airbag, item obrigatório nos veículos nacionais, que demanda 15 passos burocráticos de requerimentos, o que pode demandar 50 dias de processamento.

De fato, é um caso sério não apenas a questão da burocracia, quanto várias outras, entre as quais, a carga tributária. Para se ter uma ideia, os carros vendidos no Brasil com motor de 1.0 litro de cilindrada tem 37,2% de imposto. Isso siginfica que de R$ 33.290 que custa um Renault Kwid básico, R$ 12.300 é imposto. Achou muito? Então saiba que em modelos com motores acima de 1.0 até 2.0, a alíquota sobe para 43,7%.  Enquanto isso, no México, paga-se apenas 16% de imposto, independente do carro em questão.

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Se o caro leitor achou essa questão do imposto um absurdo, lamento informar que isso é apenas a ponta do iceberg , Existem vários outros entraves que tornam a indústria automotiva no Brasil pouco competitiva em relação a outros mercados. Mesmo assim, a Anfavea mantém a previsão de alta de 11,4% nas vendas em 2019 em relação ao ano anterior e divulga resultados positivos em maio em relação ao mês de abril.

 Setor automotivo continua marchando no País

linha de montagem
Divulgação
Fábrica da GM Brasil, também recebe investimentos para produção de novos produtos



No mês passado, foram vendidos 245,4 mil unidades de automóveis e comerciais leves, ante 231,9 mil de abril, o que representa um crescimento de 5,6%. Na comparação nos cinco primeiros meses de 2019 em relação ao mesmo período de 2018, houve uma alta de 12,5% (964,8 mil ante 1,085 milhão). Mas isso é atacado.

No varejo, segundo o presidente da Fenabrave,  Alarico Assumpção Júnior, em maio, o mercado apresentou estabilidade com relação ao mês de abril. "Ao analisar o desempenho, em dias úteis, sendo 22 dias em maio, contra 21 dias em abril, o mercado evoluiu 0,78%, no setor como um todo. Esta estabilidade é o reflexo da frustração da população, causada pela demora na aprovação das Reformas, o que resulta na queda das expectativas, tanto do consumidor, quanto do empresário", explicou

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Esta estabilidade é o reflexo da frustração da população, causada pela demora na aprovação das Reformas, o que resulta na queda das expectativas, tanto do consumidor, quanto do empresário", explicou o Presidente da entidade. 

E este voo de galinha em que anda a economia no Brasil acaba deixando o setor automotivo em compasso de espera em relação à provação das Reformas necessárias para o País não entrar em colapso, mas também leva à alternativas, como novos acordos comerciais, visando as exportações. De acordo com a Anfavea, existem conversas avançadas com a União Europeia, que deverá a passar a render frutos dentro de dois anos.

BMW X1 exportado
Divulgação/BMW
Com novos acordos comerciais, indústria automotiva deverá passar a exportar mais

Também há conversas com outros países, como o Canadá e o próprio México, com o qual o Brasil mantém atualmente um acordo de livre comércio para automóveis e comerciais leves que deverá ser ampliado com a inclusão de caminhões. São movimentações para deixar de depender da quase falida Argentina para exportar. A projeção para 2019 é que ocorra uma queda de 42,2% nas exportações em função, principalmente, na forte crise no país vizinho.

Diante de todos os problemas a serem enfrentados, pelo menos, os avanços em termos de eficiência e segurança dos carros vendidos no Brasil estão assegurados pelo novo regime automotivo, o Rota 2030, o que siginifica que virão modelos de melhor qualidade pela frente para o consumidor. Boa notícia também é que, apesar dos pesares, a Anfavea vem tendo boas impressões da equipe que cuida da aprovação da reforma da Previdência.

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Embora exista um caminho tortuoso pela frente, tudo indica que o setor automotivo deverá continuar se desenvolvendo no Brasil. Há muito no que avançar nas questões burocráticas, tributárias e de infra-estrutura, mas temos um potencial grande, o tal do "gigante adormecido" que precisa acordar e se dispor a caminhar a passos largos.