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O mercado ainda é pequeno, mas alguns motoristas não se acanham na hora de trocar o carro a combustão por um modelo eletrificado

Prius
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O Toyota Prius é carro híbrido mais vendido no mundo e já está presente no mercado brasileiro

Você toparia desembolsar R$ 85 mil em um Toyota Prius 2017 que já sofreu sua depreciação mais abrupta? É quase o preço de um VW Polo Beats novinho. Muitas pessoas até consideram, mas ainda ficam apreensivas com os custos de se manter um carro híbrido seminovo no Brasil. Enquanto o debate sobre eletrificação ganha espaço entre as empresas de mobilidade, alguns motoristas já se arriscam na compra de um usado. Estes são os “early adopters” da nova tecnologia de segunda mão no Brasil.

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Apenas contextualizando o termo, os “early adopters” são os primeiros alvos de qualquer inovação. Eles estão na primeira etapa do que, no meio do marketing, é chamado de “curva de adoção”. Ou seja, pessoas que absorvem mudanças, se engajam em novidades e estão à frente de todos os avanços tecnológicos.

Portanto, ainda que o mercado de híbridos seminovos seja nebuloso, eles não têm medo de enfrentar as novidades. “É um segmento pequeno, de frota quase irrelevante no Brasil”, destaca Alessandro Rubio, supervisor de pesquisa e conteúdo do CESVI (Centro de Experimentação e Segurança Viária). “Entre os 65 milhões de veículos de passeio que circulam no território brasileiro, apenas 12 mil são híbridos ou elétricos. Ainda não temos um mercado sólido para compreender como ele funciona”

Os proprietários também explicam os seus motivos. “Eu gosto muito de tecnologia, e quis experimentar a dirigibilidade e o silêncio do motor elétrico”, diz Clayton Oliveira, de São Paulo (SP), proprietário de um Toyota Prius 2015 há cinco meses. “Levei em conta que economizaria combustível e não teria rodízio na capital paulista”

Clayton também diz que não teve medo de trocar seu Hyundai Elantra por um Prius, e conta com a popularização da nova tecnologia para o futuro. “O sedã marcava 8,5 km/l de média, enquanto o híbrido faz 18 km/l. Meu único receio é a hora da revenda. Sei que será mais difícil, pois é um gosto bem específico. Como carros elétricos e híbridos estão cada vez mais conhecidos, acredito que isso será acelerado com o tempo”, diz ele. “Só trocaria meu Prius por outro híbrido”.

De fato, o mercado de híbridos e elétricos está em uma crescente. De acordo com a Anfavea (Associação Nacional de Distribuição de Veículos), a categoria cresceu 5% entre janeiro e maio de 2019. A maior parte dos modelos mostrados no Salão do Automóvel de São Paulo no ano passado já chegaram às lojas, ou estão disponíveis para encomendas. Além disso, muitas frotas apostaram no Renault Zoe como opção de aluguel.

Prius de gravata

Lexus CT 200 h
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O Lexus CT 200h é o único hatch médio híbrido do Brasil. A Volkswagen virá atrás, com o futuro Golf GTE

Com tantas opções, muitas pessoas já se sentem confortáveis para comprar o segundo ou terceiro veículo híbrido. É o caso de Michiro Kaizu, morador de Curitiba (PR). “Fui proprietário de um Prius 2016. Minha real intenção era comprar o Corolla Altis, mas como conhecia a tendência dos modelos híbridos, acabei optando por ele”, conta. “Existem alguns pecados no que diz respeito ao refinamento interno e qualidade dos materiais do Prius. Acabei trocando o Toyota aos 46 mil quilômetros por um Lexus CT 200h , que tem o mesmo motor”.

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“Ainda que seja mais luxuoso, o CT 200h também peca em alguns tópicos. Seu consumo é um pouco pior na comparação com o Prius e o freio de estacionamento é um pedal, além de não contar com Apple CarPlay”, finaliza Michiro.

Nos classificados online, já encontramos unidades 2017 do CT 200h por algo na casa dos R$ 100 mil. O preço pode variar, de acordo com o estado de conservação e quilometragem, mas ainda pode ser uma boa escolha pelo custo-benefício.

Ele traz o confiável 1.8 a gasolina (com 99 cv de potência), junto de outra unidade elétrica que gera a força combinada de 136 cv. Por conta do ciclo Atkinson, o conjunto retarda ao máximo o fechamento das válvulas de admissão, reduzindo o esforço do pistão para chegar ao seu ponto mais alto. Dessa forma, o Inmetro diz que o CT200h é capaz de aferir números como 15,7 km/l na cidade - onde se sente mais confortável - e honestos 14,2 km/l na estrada.

Os números de consumo são ótimos, mas como foi dito pelo proprietário nos parágrafos acima, o Prius ainda é melhor com 18,9 km/l na cidade e 17 km/l na estrada.

Fique atento!

híbrido
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Alguns carros híbridos, como Mini Countryman e Porsche Cayenne, contam com kit de recarga

Para o supervisor de pesquisa do CESVI, existem alguns cuidados especiais na hora de adquirir um veículo híbrido seminovo. “Além de todos os detalhes sobre estado de revisões, conservação e funilaria, o cliente deve ficar atento à quilometragem e o tempo de uso da bateria”, diz Rubio. “Se for um veículo plug-in , o kit de recarga fornecido pela montadora precisa estar no porta-malas”.

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De acordo com ele, o futuro proprietário também precisa estar esperto aos componentes originais do carro. Se a roda de um veículo híbrido for trocada por outra de diâmetro diferente, por exemplo, ele poderá gastar mais combustível.

“Ainda é difícil apontar dados sólidos sobre reparabilidade uma vez que a demanda por eles é baixíssima. Mas os motores a combustão de veículos híbridos são menos acionados e, dessa forma, evitam desgastes mecânicos. Ou seja, o tempo de vida útil do motor a combustão de um carro híbrido é maior”, diz Rubio.

Híbridos nos aplicativos de corrida

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Parceiro do Uber conta suas experiências com o Toyota Prius 2013 e compara despesas com outros veículos

O motorista João Miguel, de Santos (SP), utiliza um Toyota Prius 2013 seminovo para suas corridas desde dezembro do ano passado. Além de dirigir para Uber e 99 há três anos, também presta serviço para uma seguradora e empresas de home care. “Iniciei nos aplicativos com um New Fiesta 2012 que era muito econômico e confortável, mas, infelizmente, me roubaram. Troquei por uma Chevrolet Spin LTZ, de sete lugares, que também agradou, mas acabei gastando uma fortuna na conversão para o kit-GNV”, diz o motorista. “O Prius já era um sonho de consumo antigo”.

No segundo mês com o veículo, João Miguel enfrentou os primeiros empecilhos mecânicos. “Tive um problema sério no sistema de tração e regeneração do Prius. Levei o carro até a oficina da Toyota, onde orçaram um reparo de R$ 20 mil”, lamenta o motorista. “Entrei em contato com a concessionária que me vendeu o carro e acabaram resolvendo o problema por completo, mas fiquei 30 dias sem ele. O prejuízo foi enorme.”

Apesar dos problemas, o motorista continua satisfeito com o seu Toyota Prius. De acordo com ele, a Spin tomava algo entre 35 e 45% dos ganhos brutos no mês em despesas, enquanto o Prius leva de 5 a 15%. “Mesmo com os problemas inconvenientes que tive no começo, eu compraria outro Toyota Prius no mesmo estado e condições. Não teria a Spin de volta”.

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As pessoas que conversaram com nossa reportagem, compartilhando suas experiências sobre seus veículos híbridos, parecem bem satisfeitas. Ao fim do ano, finalmente teremos um carro que figura no “top 10” do ranking de vendas do Brasil com uma versão híbrida, o novo Corolla. As vendas da categoria deverão ser alavancadas com a sua chegada, aumentando a confiabilidade dos modelos híbridos seminovos no futuro.