Chevrolet Chevette Júnior
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O Chevrolet Chevette Júnior foi o primeiro modelo 1.0 da GM. Por conta da baixa nas vendas, teve vida curta

O ano é 1990, o primeiro do mandato do então presidente Fernando Collor. Apesar de todos os escândalos que viriam a estourar, é inegável que o político carioca que fez carreira em Alagoas surtiu grande impacto na indústria automotiva brasileira. Collor abriu as importações, incentivou a modernização dos veículos nacionais e reduziu impostos para os carros “mil”. 

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Para não perder a competitividade ante as marcas importadas que ganhavam força, as fabricantes brasileiras correram para lançar produtos mais baratos. O Fiat Mille foi o primeiro veículo 1.0 do nosso mercado, aproveitando uma tecnologia que já existia no motor 1.5 Fiasa (Fiat Automóveis S.A) - famoso pelos problemas na correia dentada. 

A Volkswagen lançou o Gol 1.000, uma adaptação do antigo CHT (Compound High Turbulence) que era da Ford. Seguindo as movimentações do mercado, a Chevrolet também alterou o propulsor 1.6 que já equipava o Chevette para reduzir a cilindrada. Eis que nascia o Chevette 1.0 Júnior, tataravô do Oni Plus Joy.

Ou seja, os primeiros motores 1.0 do Brasil eram adaptações de unidades mais potentes - realidade completamente oposta ao que vivemos nos dias de hoje. As fabricantes desembolsam grandes fortunas para o desenvolvimento de unidades cada vez mais tecnológicas, eficientes e dinâmicas nos propulsores “mil”.

Após quase trinta anos, o que mudou? Tomaremos dois modelos de uma mesma marca como exemplo: os populares Chevette Júnior e Onix Plus Turbo, da GM. O primeiro teve vida curta, enquanto o segundo será o grande responsável por uma nova família de produtos na próxima década.

Engenharia

Chevrolet 1.0 Turbo
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A nova família de motores Ecotec da GM conta com três cilindros e turbo para melhorar eficiência

Em tempos de baixa competitividade e pouca tecnologia, o Chevette já apareceu com versões 1.0, 1.4 e 1.6 que, na prática, usavam o mesmo motor. No caso do Júnior, eram quatro cilindros em linha com duas válvulas cada, na disposição longitudinal, alimentado pr cauburador simples e não tinha nem ventoinha elétrica acionada por sensor Vale lembrar que o câmbio manual de cinco velocidades leva a potência ao eixo traseiro. O Júnior desenvolvia apenas 50 cv de potência a 6.000 rpm e míseros 7,2 kgfm de torque.

Vinte e oito anos depois, a Chevrolet apresenta o Onix Plus, estreando uma família de motores completamente nova. Dessa vez, o motor 1.0 é transversal, com apenas três cilindros, e quatro válvulas para cada um, além de sobrealimentação e injeção direta de combustível. São 116 cv de potência a 5.500 rpm e 16,8 kgfm a 2.000 rpm.

Motores de três cilindros se mostraram muito vantajosos para veículos compactos nos últimos anos. Com uma câmara a menos, são montados com uma quantidade menor de peças, porém mantendo a cilindrada de um tetracilíndrico. Assim, a estrutura fica mais leve e reduz o atrito para produzir força ao motor em até 15%.

Segurança

A tecnologia dos anos 80 não permitia que os carros nacionais tivessem o mínimo de segurança. Quem viveu na época deve se lembrar que o uso do cinto de segurança não era uma obrigatoriedade do Código de Trânsito Brasileiro - algo que gera a penalidade de cinco pontos na CNH e pagamento de R$ 195,23 nos dias de hoje.

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No caso do Júnior, os cintos de segurança do banco traseiro eram apenas sub-abdominais. Vinte e oito anos depois, o Onix Plus conta com encosto de cabeça e cinto de três pontos para todos os ocupantes. Controle de estabilidade, seis airbags e sistema Isofix para a fixação de cadeirinhas de bebê como itens de série fizeram o novo Onix Plus adquirir nota máxima nos testes de colisão do Latin NCAP.

Desempenho

Chevrolet Onix Sedan
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Os números de performance do Chevrolet Onix Plus igualam modelos de categorias superiores

A Chevrolet diz que o Onix Plus 1.0 turbo pode acelerar de 0 a 100 km/h em 10,9 segundos com câmbio automático de seis marchas. O número está na média da categoria, não ficando muito distante de Virtus , Cronos e Yaris.

Em 1991, o Chevette Júnior demorava inimagináveis 21,6 segundos para atingir essa velocidade - com apenas uma pessoa no habitáculo. Motores “mil” já foram sinônimo de pouca potência, mas este pensamento está cada vez mais ultrapassado.

Eficiência

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O Chevette era bem econômico para sua época, mas o péssimo desempenho causou desinteresse

Além do veículo ficar mais econômico com motor de três cilindros, as respostas do acelerador são mais rápidas e as emissões de gases tóxicos são reduzidas. De acordo com as leis da termodinâmica, essa é a configuração mais eficiente para qualquer motor.

Isso ajuda a explicar os bons números de consumo do Onix Plus , aferindo 8,6 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada com etanol, além de 12 km/l na cidade e 15,7 km/l na estrada com gasolina. Para sua época, os números do Chevette Júnior também eram bons, marcando 9,2 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada com gasolina.

Equipamentos

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A central multimídia do novo Chevrolet Onix Plus é uma das melhores do mercado brasileiro

Todos os equipamentos que pudessem deixar o veículo minimamente mais caros eram eliminados na base da canetada. A disputa pelo melhor preço no início dos anos 90 fez a Volkswagen tirar o retrovisor externo do lado do passageiro do Gol 1.000, algo inimaginável nos dias de hoje. Mas os tempos dos veículos 1.0 depenados chegou ao fim, e o Onix Plus também é uma boa prova disso.

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A nova geração da central multimídia MyLink é um dos melhores sistemas do mercado, superando alguns modelos premium como Audi, Volvo e BMW. Há um pacote de conectividade wi-fi que parte de R$ 29,90, em parceria com a Claro, que pode chegar a 20 GB. Dessa forma, os passageiros podem até assistir um filme no Netflix pelo celular ou tablet. Na versão Premier, ainda traz sistema start/stop, acendimento automático dos faróis, câmera de ré, chave presencial, sistema de monitoramento de pressão dos pneus e controle de velocidade de cruzeiro.

Os carros “mil” dos novos tempos são tão equipados quanto modelos médios. Os números de eficiência e desempenho até fizeram a Volkswagen integrar um motor 1.0 de 128 cv de potência no Golf, mas o modelo acabou vendendo menos que o 1.6 MSI (de 120 cv) por conta do preconceito. Talvez tenha chegado a hora de reavaliar os critérios e considerar um veículo 1.0 na sua próxima compra.

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