Tamanho do texto

Mercado cai 7,9% em 2019 na comparação com o acumulado de 2018. Previsões são otimistas para o cenário econômico em 2020

Chery Tiggo 2 arrow-options
Divulgação
Apesar dos resultados negativos das associadas, Caoa Chery, BMW e Volvo ainda registram alta nas vendas

As marcas associadas à Abeifa (Associação Brasileira das Importadoras de Fabricantes de Veículos) projetam crescimento de 34% nas vendas para 2020 após resultados decepcionantes em 2019. No ano passado, as importadoras somaram 34.597 emplacamentos, ante 37.582 em 2018 - configurando queda de 7,9%.

LEIA MAIS: Renault passa Ford no ranking das mais vendidas de 2019

José Luiz Gandini, presidente da associação que compreende quinze importadoras , diz que a alta do dólar inibiu os negócios, em especial no segundo semestre de 2019. “No segundo ano sem os 30 pontos percentuais adicionais do IPI, do Programa Inovar-Auto, esperávamos obter uma recuperação mais sólida e consistente”, diz o executivo, que também é presidente da Kia Motors.

“Foi um ano muito difícil para as importadoras. Todas as marcas associadas à Abeifa (BMW, Caoa Chery, JAC , Jaguar, Land Rover, Kia, Mini, Suzuki, Porsche, Volvo, entre outras) foram prejudicadas, mas algumas registram resultados positivos”, constata.

Na comparação com dezembro de 2018, a Abeifa registrou queda de 0,3% no último mês de 2019. Foram 3.380 unidades contra 3.389 no ano anterior.

Produção local é positiva

BMW Série 3 arrow-options
Divulgação
Nova geração do BMW Série 3 passou a ser fabricada em Araquari (SC) em agosto de 2019

As associadas que também têm produção nacional (BMW, Caoa Chery, Land Rover e Suzuki) fecharam o ano com 33.090 unidades licenciadas, representando alta de 39,6% na comparação com 2018 - quando foram emplacadas apenas 23.699 unidades. Muito disso se deve ao constante crescimento da Caoa Chery, que trabalha para a nacionalização de novos produtos em Jacareí (SP) e Anápolis (GO), além da importação de modelos da BMW para outros países.

Vale lembrar que a fábrica da Land Rover, em Itatiaia (RJ) produz apenas o Discovery Sport, que já foi atualizado na Europa e continua sem novidades  no Brasil. Por enquanto, o que está confirmado é que o SUV chegará renovado em meados deste ano de 2020, mas ainda não se sabe se a atualização será aplicada ao modelo nacional.  O Evoque, que era feito na unidade de produção fluminense, passou a ser apenas importado na nova geração. 

Quem sobe, quem desce

Lifan Motors arrow-options
Divulgação
A Lifan Motors abandonou o mercado brasileiro após baixa nas vendas; produção no Uruguai está parada desde 2018

Entre as marcas que registraram crescimento em 2019 na comparação com o ano anterior, pode-se destacar BMW, Caoa Chery, Lamborghini, Land Rover, Porsche, e Volvo. Já o grupo composto por JAC Motors, Jaguar, Kia, Mini, Suzuki e Lifan anota queda. A Lifan, por sua vez, deixou o grupo de associadas da Abeifa e encerrou suas operações no Brasil em 2019.

LEIA MAIS: Lifan encerra suas operações no Brasil e deixa a Abeifa

Previsão para 2020

dólar arrow-options
Divulgação
Presidente da associação diz que ainda é difícil sinalizar projeções para 2020 por causa da estabilidade do dólar

Gandini diz que é difícil prospectar qualquer resultado para 2020 por conta da alta do dólar. De acordo com o executivo, se a tensão entre Estados Unidos e Irã se estender aos próximos meses, a moeda americana poderia beirar R$ 5,00. “Esperávamos uma cotação na faixa de R$ 3,80, mas alguns bancos projetam R$ 4,00”, ressalta Gandini. “A cotação do dólar para 2020 continua imprevisível. Por isso, projetamos alguns cenários”.

A Abeifa divulgou que, considerando o câmbio médio de R$ 3,80, seria possível emplacar 45 mil unidades no Brasil. Se a previsão de R$ 4,00 dos bancos se concretizar, será aguardado o volume de 42.500. Por fim, no pior cenário, com o dólar na faixa dos R$ 4,20, a Abeifa deverá emplacar apenas 35 mil unidades no Brasil.

LEIA MAIS: Oficial: Kia Rio será vendido em janeirode 2020 com duas versões

Por mais que o dólar a R$ 3,80 pareça uma realidade distante, Gandini diz que é possível sonhar. “Em 2020, teremos a aprovação da Reforma Tributária. Também podemos contar com uma melhora da avaliação de risco do Brasil para o grau de investimento, além de uma retomada do crescimento da economia”, projeta o executivo.