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Newspress
Salão de Paris é um dos eventos mais importantes do setor automotivo em todo o mundo. Depois da pandemia, porém, nunca mais será o mesmo


O Salão de Paris, uma das duas maiores mostras de automóveis do planeta, não acontecerá este ano — ou, no mínimo, o Mondial de l’Automobile não terá, em 2020, o mesmo formato que vigorou desde sua primeira edição, em 1898.

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A parte principal do evento, que estava agendado para os dias 1º a 11 de outubro, foi cancelada. Ou seja: nada de pavilhões com estandes cheios de lançamentos e carros-conceitos.

Na segunda-feira, a organização Plateforme Automobile (PFA), responsável pela exposição, emitiu um comunicado informando que “em vista da crise de saúde sem precedentes, em que o setor automobilístico foi atingido com força pela onda de choque econômico, somos forçados a anunciar que não conseguiremos manter o Salão de Paris em sua forma atual, na Porte de Versailles, para sua edição de 2020”.

Na nota, Luc Chatel e Frédéric Bedin, os diretores da exposição, ressaltam que os eventos paralelos Movin’On e Smart City, sobre mobilidade urbana, ainda têm chances de acontecer. São soluções alternativas voltadas para empresas (business-to-business , ou, simplesmente B2B), e não mais ao público em geral.

“Nada será como antes, e essa crise deve nos ensinar a sermos ágeis, criativos e mais inovadores do que nunca”, diz o texto. “No momento, porém, pensamos em todos os afetados pela pandemia, nos profissionais de saúde, e também em nossos clientes, cujas empresas enfrentam os impactos econômicos dessa crise sanitária”.

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Realizado nos anos pares, o Salão de Paris é o mais antigo evento do gênero no mundo. Em 2018, atraiu um público de 1 milhão de pessoas, ao longo de dez dias.

De Detroit a São Paulo

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Divulgação
O Salão de Detroit passou por mudanças significativas e deveria ser realizado em junho próximo, mas acabou sendo cancelado


Mesmo antes da pandemia do coronavírus, as mostras de automóveis já vinham dando fortes sinais de esgotamento por questões econômicas e mudanças na fórmula de vender carros.

Em janeiro foi anunciado que o Salão de Frankfurt , maior exposição de automóveis do mundo, deixará sua base fixa para ganhar forma itinerante pela Alemanha. É uma forma de tentar atrair interesse sobre o evento, cuja edição do ano passado estava muito esvaziada, com jeito de fim de festa. A edição de 2021 acontecerá em Munique.

Já o centenário Salão de Detroit , tradicionalmente realizado todo mês de janeiro, este ano foi adiado para junho (como forma de fugir da concorrência da CES — a feira anual de tecnologia Consumer Electronics Show, em Las Vegas). No sábado passado, porém, os organizadores anunciaram que Detroit 2020 foi cancelado de vez.

No fim de fevereiro, o Salão do Automóvel de Genebra foi cancelado faltando apenas uma semana para sua abertura. O governo da Suíça começava a tomar medidas de contenção à pandemia e proibiu eventos que reunissem mais de cem pessoas.

O Salão de Nova York, que tradicionalmente é realizado em abril, foi adiado para agosto. O Javits Center, onde acontece a mostra, virou hospital de campanha.

Em março, foi a vez de a Reed Exhibitions e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) anunciarem o cancelamento do Salão de São Paulo, que aconteceria em novembro. A medida se deu por absoluta falta de expositores, que reclamavam dos altos custos para participar do evento.

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Os gastos se tornaram exorbitantes, e as marcas já não querem dividir os holofotes com as rivais — em vez de torrar fortunas em uma única exposição, distribuem seu orçamento em muitos pequenos eventos e formas mais modernas de marketing, dirigidas diretamente ao público-alvo de cada modelo.

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