
A Stellantis iniciou na Europa a substituição dos motores equipados com correia dentada banhada a óleo pelos propulsores Firefly com comando por corrente.
A mudança ocorre após uma série de relatos de desgaste prematuro no sistema anterior, especialmente nas versões 1.0 e 1.2 turbo de três cilindros.
Veja também: Stellantis estuda manter motores a diesel na Europa
O problema da correia banhada a óleo
A correia dentada banhada a óleo foi adotada como solução para reduzir ruído, atrito e emissões. No entanto, em determinados casos, houve degradação do material antes do previsto, o que podia provocar perda de sincronismo do motor, falhas de funcionamento e, em situações mais graves, danos internos.
O desgaste ocorria principalmente por contaminação do óleo e fragmentação da correia, afetando componentes como bomba de óleo e sistema de lubrificação.
O motor mais associado ao problema foi o 1.2 PureTech, amplamente utilizado em modelos da Peugeot, Citroën, Opel e Fiat na Europa.
Firefly com corrente passa a ser padrão
Com a mudança, a Stellantis passa a priorizar os motores Firefly, desenvolvidos originalmente pela Fiat. Esses propulsores utilizam corrente metálica no comando, solução considerada mais robusta e com menor necessidade de manutenção preventiva.
A corrente tende a ter maior durabilidade e não depende da integridade química do óleo para preservar sua estrutura, reduzindo o risco de desgaste prematuro.
A substituição ocorre dentro de um processo de atualização técnica da linha de motores térmicos do grupo, que segue produzindo modelos a combustão enquanto amplia sua oferta de híbridos e elétricos.
Impacto nos modelos
Na Europa, a substituição dos motores com correia banhada a óleo pelos Firefly com corrente metálica deve atingir principalmente modelos das marcas Peugeot, Citroën, Opel e Fiat que hoje utilizam o 1.2 PureTech.
Entre eles estão Peugeot 208, 2008, 308 e 3008, Citroën C3, C4 e C5 Aircross, Opel Corsa, Mokka e Astra, além do Fiat 600. A estratégia é migrar gradualmente essas linhas para motores da família Firefly adaptados às normas Euro 7, priorizando os compactos e SUVs de maior volume no mercado europeu.
A decisão ocorre em meio à revisão estratégica do portfólio térmico da companhia, que recentemente sinalizou ajustes no ritmo de eletrificação diante da demanda ainda consistente por veículos a combustão em diversos países europeus.