
A Chery vê o Brasil como um mercado estratégico de longo prazo e mantém a meta de crescer até entrar no grupo das dez marcas mais vendidas do país. A avaliação foi feita por Zhang Guibing, vice-presidente executivo da Chery Auto e presidente da Chery International, em agenda exclusiva com a imprensa brasileira na sede da Chery International, em Wuhu, na China, acompanhada pelo iG.
Na conversa, o executivo tratou de temas como produção local, chegada de novas marcas do grupo, expansão da gama da Omoda & Jaecoo, estrutura de pós-venda, inteligência artificial e o futuro dos carros eletrificados e inteligentes da companhia no Brasil.
Brasil segue no radar de longo prazo
Questionado sobre o risco de investir em um mercado com muitas marcas e forte concentração de produtos em segmentos como SUVs compactos e médios, Zhang disse que a Chery já acumula experiência no Brasil e considera o país importante demais para ficar de fora.
Segundo ele, a operação local passou por momentos difíceis no passado, mas a empresa procurou novos caminhos para entender melhor a demanda do consumidor, o ambiente tributário e as condições de mercado.
Esse mercado é muito importante. Precisamos entrar e fazer o cliente gostar de nós. E também queremos deixar o governo satisfeito. Zhang Guibing, presidente da Chery International
O executivo afirmou ainda que a meta de colocar a Chery entre as dez maiores do Brasil existe e foi tratada de forma direta.
“Claro, esse é meu objetivo.”
Produção local ganhou urgência
Um dos pontos mais objetivos da conversa foi a produção local. Zhang afirmou que a alta da tributação para importados torna a manufatura brasileira uma necessidade, e não apenas uma alternativa estratégica.
Segundo o executivo, com a carga chegando perto de 35%, a companhia precisa acelerar a definição de uma solução industrial no país para preservar competitividade.
“Agora a política do governo e a tarifa tornam a produção local obrigatória. Eu preciso pressionar a mim mesmo para finalizar isso rapidamente.”
Exeed avança com cautela
Sobre a chegada da Exeed ao Brasil, Zhang adotou tom mais cuidadoso. Disse que a marca desperta interesse no público brasileiro, mas afirmou que uma entrada só fará sentido se houver condições de sustentação de longo prazo para clientes e concessionários.

Segundo ele, a preocupação é evitar um lançamento apressado que comprometa rede, suporte e continuidade da operação.
“Quando entramos em um mercado, preciso ter certeza de que podemos ter um desenvolvimento sustentável no longo prazo.”
O executivo observou ainda que a Exeed hoje tem muitos SUVs grandes em sua gama, enquanto o mercado brasileiro também demanda veículos menores, o que exige equilíbrio antes de qualquer decisão definitiva. Apesar do tom de mistério, a marca já confirmou chegada ao Brasil.
- Veja também: Chery confirma chegada da Exeed ao Brasil
Lepas terá posicionamento separado
Zhang também falou sobre a Lepas, outra marca do grupo. Segundo ele, a estratégia é manter identidades bem distintas entre as bandeiras da companhia, sem misturar proposta, comunicação e público-alvo.

Ao explicar a lógica, citou a diferença entre as apresentações promovidas pela empresa na China para mostrar como cada marca busca um ambiente e uma linguagem próprios.
A avaliação do executivo é que essa separação será central para evitar sobreposição interna no portfólio da Chery e posicionar, pelo menos até o momento, a Lepas como "marca mais cara" da Chery no Brasil.
Omoda 2 e carros menores seguem em estudo
Na parte de produto, Zhang indicou que a empresa quer equilíbrio entre modelos de maior valor agregado e carros mais acessíveis. Ao comentar a evolução da Omoda & Jaecoo no Brasil, disse que a marca não pretende trabalhar apenas com veículos mais caros.

O executivo afirmou que modelos como o Omoda 2 seguem em desenvolvimento e que o Brasil precisa ser analisado com atenção por questões de taxa, subsídio e adequação comercial.
A leitura da companhia é que preço mais amigável não significa, necessariamente, perda de imagem de marca, desde que o produto preserve design, conteúdo e posicionamento corretos.
Pós-venda é tratado como prioridade
Ao responder sobre a preocupação do consumidor brasileiro com assistência técnica, durabilidade e suporte após a compra, Zhang disse que o pós-venda está no centro da estratégia local.
Segundo ele, a companhia montou equipes técnicas, operação de peças, estrutura de rede e sistemas de monitoramento para responder rapidamente a falhas e casos críticos. O executivo afirmou ainda que a empresa acompanha de perto o desempenho da rede e mantém metas duras de satisfação.
“O pós-venda é um objetivo regulatório de longo prazo da nossa companhia.”
Ele acrescentou que a expansão da operação no Brasil já exige instalações maiores e mais diversidade de peças, justamente porque há mais carros circulando e a exigência de serviço sobe na mesma proporção.
iCar é vista como marca com espaço no Brasil
Outro ponto abordado foi a iCar, marca do grupo que trabalha com veículos de desenho mais quadrado e proposta mais emocional. Si Fengshuo, Vice-Presidente da Chery International, ao ser questionado sobre o potencial da bandeira no mercado brasileiro, o executivo sinalizou que enxerga espaço para esse tipo de produto.

A iCar é uma marca feita para criar conexão emocional. Muitas pessas já tiveram carros tradicionais a combustão, mas agora querem algo que entregue uma experiência diferente. Sim (se enxerga o iCar com potencial no Brasil). Esse carro tem uma força muito própria, e acredito que o consumidor se aproxima dele justamente por essa ressonância emocional e pela experiência que ele oferece. Si Fengshuo, vice-presidente da Chery International
IA e carros inteligentes estão no centro da estratégia
Na parte tecnológica, Zhang afirmou que a Chery investe em inteligência artificial há vários anos e que já usa IA em desenvolvimento, design, produção e sistemas digitais. Segundo ele, a empresa também mantém cooperação com universidades chinesas em laboratórios voltados a robótica e novas aplicações.
Ao falar do futuro, o executivo indicou que a transformação do carro não passará apenas pela eletrificação. Na visão dele, a próxima grande disputa da indústria estará na capacidade de tornar o veículo mais inteligente e mais integrado ao dia a dia do usuário.
“Hoje, quando você realmente dirige um veículo de nova energia, um mês depois já não quer voltar para um carro a combustão. O próximo passo será o carro ser mais inteligente.”
Na avaliação do presidente da Chery International, o avanço dos veículos eletrificados será acompanhado por funções cada vez mais sofisticadas de assistência, conectividade e automação de tarefas do uso diário, como manobras e estacionamento.