
Os funcionários da Hyundai Motor iniciaram a semana com uma greve parcial de três dias na Coreia do Sul. A paralisação acontece após as negociações salariais entre a montadora e o sindicato, iniciadas em maio, terminarem sem um acordo. A decisão acende um sinal de alerta para o mercado automotivo brasileiro.
Até quarta-feira (15), os trabalhadores irão parar a produção por quatro horas por dia. Segundo o sindicato, os turnos diurno e noturno serão paralisados por duas horas cada durante a greve.A principal reivindicação da categoria é o reajuste de salários, além do aumento dos bônus por desempenho e da ampliação da idade de aposentadoria. Com isso, os funcionários querem permanecer mais tempo na ativa e garantir uma remuneração maior antes de deixarem a empresa.
Em declaração à AFP, um representante sindical confirmou como será a paralisação. "Os turnos diurno e noturno vão parar por duas horas cada, de segunda (13) a quarta-feira (15)", afirmou.
O porquê da greve?
Além da discussão sobre salários, a greve também ocorre em um momento de mudanças na indústria automobilística, com o avanço da inteligência artificial e de novas tecnologias.
Com a transformação do setor, muitos trabalhadores demonstram preocupação com seu emprego e querem melhores condições de trabalho e garantias para o futuro.
Empresa pode perder quase R$ 690 milhões
Além de afetar a produção, a paralisação pode causar um impacto milionário nas operações da montadora.
Segundo o jornal sul-coreano Maeil Business Newspaper, a greve pode gerar prejuízos de aproximadamente 200 bilhões de wons, o equivalente a cerca de R$ 689 milhões.
A expectativa é saber se sindicato e empresa conseguirão retomar as negociações nesses próximos dias. Se um acordo não for fechado, pode haver novas paralisações, o que levará impactos para a fabricante.
A Hyundai é uma multinacional sul-coreana fundada em 1967 é considerada uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo. Com sede em Seul, a empresa vende veículos em quase 200 países e conta com uma das maiores fábricas de automóveis do planeta, localizada na cidade de Ulsan.
Reflexos no Brasil
O impacto mais imediato tende a recair sobre os modelos premium e elétricos importados diretamente da matriz, como o Palisade e o Ioniq 5, que podem registrar atrasos nas entregas aqui no país e redução de estoque nas concessionárias caso a paralisação se prolongue. Já para os líderes de vendas nacionais fabricados em Piracicaba (SP), como o HB20 e o Creta, a produção segue normalizada no curto prazo, mas permanece sob o risco de gargalos futuros na cadeia de suprimentos caso o fornecimento de componentes eletrônicos e peças globais vindas da Coreia seja interrompido por um período mais longo.
*Estagiária sob supervisão