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Kombi, Corsa, novas peruas... Há dez anos, pouco se revelava do que seria o mercado na década seguinte

No Salão do Automóvel de 2008, os carros eram mais simples e menos ousados, mas refletiam maiores poderes de compra
Reprodução/Corsa Clube
No Salão do Automóvel de 2008, os carros eram mais simples e menos ousados, mas refletiam maiores poderes de compra

Daqui a pouco mais de um mês, as portas do Salão do Automóvel estarão abertas no São Paulo Expo. Mas não vou falar dele ainda, e sim fazer uma viagem no tempo para dez anos atrás. Você se lembra do Salão de 2008? Sabe qual foi a estrela? Que protótipos se tornaram realidade? Quais as tendências davam as caras naquela época? No campo político, o evento teve na cerimônia de abertura o então presidente Lula e o governador paulista José Serra. Quanta coisa aconteceu depois... Vamos lá, segure-se nessa máquina do tempo e vamos aterrissar no Anhembi em novembro de 2008.

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Hyundai neste Salão do Automóvel, com Azera, Veracruz, SantaFe, Tucson desbancando as vendas e o lançamento do i30
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Hyundai neste Salão do Automóvel, com Azera, Veracruz, SantaFe, Tucson desbancando as vendas e o lançamento do i30

O ano seria de recorde de produção brasileira até então, com 3,2 milhões de veículos, mas a crise financeira nos EUA já assustava executivos do setor aqui no Brasil (dois meses antes o banco Lehman Brothers havia quebrado). Menos de um ano após o Salão do Automóvel , a GM decretaria falência e seria recuperada com a ajuda do governo norte-americano. No Anhembi , a marca ainda exibia modelos de origem Opel, como Corsa, Vectra e Omega, e a estrela do estande era o Malibu, sedã americano que seria importado logo depois, com resultados pífios. Mas o protótipo GPiX já sinalizava a futura linha dos Chevrolet compactos que hoje lideram o mercado, como o Onix e o Prisma.

Três anos antes do New Fiesta ser lançado, um conceitual fez a cabeça do público jovem do Salão do Automóvel
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Três anos antes do New Fiesta ser lançado, um conceitual fez a cabeça do público jovem do Salão do Automóvel

Outro estande emblemático no evento automotivo era o da Chrylser, com modelos da Dodge e da Jeep. O grande lançamento era o Dodge Journey, que teve um relativo sucesso depois, e continua em linha, resiliente. Mas, a exemplo da GM, o grupo entrou em colapso no ano seguinte, e acabou sendo incorporado pela Fiat numa jogada de mestre de Sergio Marchionne – falecido este ano após consolidar o grupo FCA, com destaque para o incrível salto da marca Jeep. Falando em Fiat, então líder de vendas no país, a atração era o lançamento do 500, que já veio e já foi embora, deixando fãs saudosos.

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Salão do Automóvel da diversidade automotiva

Otimismo entre empresários e importadoras como a Platinuss os faziam ostentar no Salão do Automóvel, sem medir gastos
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Otimismo entre empresários e importadoras como a Platinuss os faziam ostentar no Salão do Automóvel, sem medir gastos

Lembra-se das marcas Mahindra, Chana, Effa e SsangYong? Elas estavam no Anhembi, mas não resistiram às oscilações de mercado e de leis (como o super-IPI) que viriam na década seguinte. Outro estande que ainda brilhava há 10 anos era o da importadora Platinuss , com seus vistosos esportivos das marcas Lotus, Pagani e Koenigsegg. A empresa era uma aventura do filho de Natalino Bertin, dono do frigorífico Bertin, que depois seria vendido para uma certa JBS. O rapaz não conseguiu vender muitos esportivos e desistiu do negócio rapidamente. As três marcas jamais retornaram.

Neste Salão do Automóvel, Felipe Massa estava na Ferrari (antes da mola do Barrichello) e quase foi campeão mudial
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Neste Salão do Automóvel, Felipe Massa estava na Ferrari (antes da mola do Barrichello) e quase foi campeão mudial

Naquele Salão, apenas uma marca importante se ausentou: a Audi preferiu expor seus carros num museu paulistano, estratégia que se revelou um fiasco. Muito diferente da edição 2018, que terá a Audi, mas não verá Land Rover, Jaguar, Peugeot, Citroën e Volvo. Hoje em dia, muitas marcas resistem a participar de salões automotivos, preferindo eventos temáticos ou de tecnologia. Voltando a 2008, a Citroën tinha como lançamento o sedã e a perua C5, dos quais poucos se lembram. E a Peugeot apostava numa... perua. Sim, elas resistiam há 10 anos, e a marca francesa lançava no Salão de 2008 a 207 Escapade, que logo afundaria como todo o segmento das peruas.

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O Salão do Automóvel de 2008 ainda refletia os tempos em que montadoras customizavam os próprios carros de produção
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O Salão do Automóvel de 2008 ainda refletia os tempos em que montadoras customizavam os próprios carros de produção

Já a Volvo e a Jaguar, hoje ausentes, em 2008 foram das poucas marcas que anteviram o fenômeno que seriam os SUVs e crossovers. A marca sueca apresentou naquele evento o XC60, até hoje um sucesso. Já a inglesa tinha em seu estande o chamativo conceito LRX, que daria origem ao Evoque, campeão de vendas da marca. Ao lado dele, sob os holofotes, a fase antiga da Land Rover, na forma do (hoje finado) Defender 60 Anos. Outro conceito daquela feira que se tornaria realidade foi o Ford Verve, que em poucos anos se tornou o New Fiesta.

Ainda entre os destaques do Salão do Automóvel de 2008, estava o Ford Mustang Shelby Cobra GT 500
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Ainda entre os destaques do Salão do Automóvel de 2008, estava o Ford Mustang Shelby Cobra GT 500

Falando em Ford, o carro mais fotografado do Salão 2008 foi o Mustang Shelby GT 500. Curiosamente, o cupê da Ford só chegou oficialmente ao Brasil há poucos meses, quase 10 anos depois daquela “pré-estreia”. Outro queridinho do público foi o Lamborghini Murciélago, então carro do Batman. A Nissan revelava seu primeiro carro nacional, a minivan Livina, que não teve vida longa. Outros lançamentos importantes foram a segunda geração do Honda Fit, o Kia Soul, o BMW Série 7 e o Hyundai i30. Desses, só o último deixou de ser vendido por aqui.

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Nem precisou de 10 anos, a partir do Salão deste Automóvel, para que chegasse o fim das peruas no Brasil
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Nem precisou de 10 anos, a partir do Salão deste Automóvel, para que chegasse o fim das peruas no Brasil

Entre conceitos que não disseram a que vieram, destaque para o Renault Sand’Up e o Fiat Bugster, um bugue com motor elétrico (ao menos nisso foi visionário). Outra sensação naquele Salão foi o TAC Stark, fora de série catarinense (hoje cearense) que jamais se viabilizou comercialmente. A VW, em má fase no país, ainda fazia festa no Anhembi com a Kombi 50 anos, além de mostrar mais uma vez o cupê Eos, que jamais viria. Na seara tecnológica, a Mitsubishi exibiu o Concept-ZT, cuja maior novidade era o alerta de mudança de faixa (Lane Assistant), hoje opcional na maioria dos carros premium.

Quando Elon Musk ainda
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Quando Elon Musk ainda "usava fraldas", a marca que mais vendia vislumbrava um Buggy elétrico no Salão do Automóvel

Espremendo o caldo, 2008 foi um Salão do Automóvel de contrastes e de rupturas, numa fase em que o mercado nacional ainda estava consolidando quais marcas se estabeleceriam para valer em nosso país. Muito agito, muitos fiascos e pouca antevisão das tendências que se revelariam sucesso na década seguinte. Será curioso, na edição de 2018, imaginar o que se pensará dele em 2028...

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