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Evento poderá marcar época com nova era dos híbridos e elétricos, do mesmo modo que, em outros tempos, novidades causavam admiração

A segunda geração do Leaf, cem por cento elétrico, fará sua estreia no Salão do Automóvel de 2018
Divulgação
A segunda geração do Leaf, cem por cento elétrico, fará sua estreia no Salão do Automóvel de 2018

No dia 26 de novembro de 1960, o jornal Folha de S.Paulo estampou: “Inaugurou-se ontem o I Salão do Automóvel”. O texto, de uma época em que começavam a surgir os jornalistas especializados do setor, destacava a presença de onze montadoras no Pavilhão Internacional do Ibirapuera, em São Paulo.

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A grande atração do Salão do Automóvel , segundo a publicação, era o Willys Saci. O jornal descrevia o modelo como um carro esportivo, e alertava que o conversível, produzido pela Willys Overland do Brasil, estava na fase de estudos e experimentação. O texto pode ser consultado no acervo da Folha de S.Paulo na internet. É uma, verdadeira, viagem no tempo.

O conversível Willys Saci foi  a principal atração do primeiro Salão do Automóvel
Divulgação
O conversível Willys Saci foi a principal atração do primeiro Salão do Automóvel

Desde a primeira edição do evento, muita coisa mudou. O Salão do Automóvel cresceu e ganhou importância. Hoje, é o maior evento automotivo da América Latina. Está na trigésima edição e vai acontecer entre os dias 8 e 18 de novembro, no São Paulo Expo. O slogan é sugestivo: “a conexão nos move”. Certamente, engenheiros e jornalistas que participaram das primeiras edições do evento jamais imaginariam que estaríamos discutindo agora energia verde, carros autônomos, híbridos e elétricos.

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A triste notícia para este ano é que Jaguar, Land Rover, Peugeot, Citroen e JAC Motors anunciaram que não vão participar do evento. Antes, sinônimo de prestígio, o evento atrai menos interesse de marcas, que sabem que existem diversas plataformas para apresentar os modelos.

É uma questão de estratégia e priorizar investimentos. Mas, vale ressaltar, que essa não é uma exclusividade do Brasil. Decisões semelhantes já foram adotadas por grandes montadoras em salões no exterior.

De qualquer maneira, isso não deve afastar o público. O Salão do Automóvel de 2018 pode marcar época com a apresentação de novos veículos híbridos e elétricos. Eles marcam uma nova fase da indústria automobilística no Brasil. Alguns dos modelos 100% elétricos e híbridos esperados são o Nissan Leaf, o Chevrolet Bolt EV, o Toyota Prius e o Lexus CT200h. Isso para citar apenas alguns exemplos.

O Chevrolet Bolt EV, com previsão de lançamento em 2019, será mostrado no evento no São Paulo Expo
Divulgação
O Chevrolet Bolt EV, com previsão de lançamento em 2019, será mostrado no evento no São Paulo Expo


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Mas nem só de eletricidade vive o Salão. Carrões que enchem os olhos como o Audi R8 Spyder, a Ferrari 812 Superfast e a BMW X3 devem marcar presença por aqui. Como diria o velho ditado: só falta para esses carros falar. Pensando bem, muitos deles já falam. Então, não falta mais nada.

Os fãs da Ferrari poderão admirar a 812 Superfast, com motor de 800 cv, potência para atingir 340 km/h
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Os fãs da Ferrari poderão admirar a 812 Superfast, com motor de 800 cv, potência para atingir 340 km/h

 Viagem pelo Salão

VW Gol GTI foi uma das grandes atrações do Salão do Automóvel de 1988, com motor alimentado por injeção eletrônica
Renato Bellote/iG
VW Gol GTI foi uma das grandes atrações do Salão do Automóvel de 1988, com motor alimentado por injeção eletrônica

O primeiro Salão do Automóvel que participei profissionalmente foi o de 1978. Sempre foi um trabalho minucioso a montagem dos estandes e os carros escolhidos. Era a chance de apresentar ao público automóveis, que se tornariam objeto de desejo.

Ao longo das décadas, vieram muitas novidades, como o Diplomata, a Brasília quatro portas, o Corcel 1.6, o Santana, o Itamaraty, o Ford Galaxie, o Monza, o Voyage, o Gol, o Uno, além de diversos modelos de Ferrari, Audi, BMW e outras marcas de luxo. Todos esses carros que hoje estão nas mãos de colecionadores ou até desvalorizados por aí, já protagonizaram grandes lançamentos.

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O Gol GTI foi um desses sucessos no período da Autolatina, a fusão da Volkswagen e Ford. A capa da Quatro Rodas de 1988 trouxe: “Veja no teste como a injeção eletrônica faz este carro disparar na frente dos outros”. A injeção eletrônica aposentou o carburador, se tornou obrigatória, provocou uma grande revolução com o desenvolvimento de chips e sensores para alimentar o motor. O sistema se desenvolveu muito nas décadas seguintes, mas será que um dia será mais uma página virada?  O tempo é implacável!

Hoje, as pesquisas são voltadas para a duração das baterias de lítio cádmio, o uso matérias ultraleves formados por mini-partículas, a melhoria da autonomia dos elétricos e as vantagens do sistema híbrido plug-in. É um caminho sem volta para uma nova tecnologia. Espera-se que o Brasil acompanhe rapidamente a nova tendência, que estará presente no Salão do Automóvel .

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