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Veja como os SUVs, que sempre fizeram sucesso nos Estados Unidos, inverteram a lógica em diversos países e passaram a desafiar os compactos

Ford EcoSport, primeira exibição da Ford em 2002 no Salão do Automóvel, no Anhembi, em São Paulo
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Ford EcoSport, primeira exibição da Ford em 2002 no Salão do Automóvel, no Anhembi, em São Paulo

 O mundo automotivo presencia um fenômeno que tempos atrás muitos duvidariam: o aumento, cada vez maior, das vendas dos SUVs, entre os quais o Ford EcoSport, o primeiro compacto do Brasil. Esses carros, que sempre fizeram sucesso nos Estados Unidos, inverteram a lógica em diversos países e passaram a desafiar os compactos.

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 Recentemente, o The New York Times destacou: “O mundo está abraçando os SUVs”. Argumentos não faltaram. O principal veio da empresa de pesquisas automotiva Jato Dymanics, que constatou que um em cada três carros vendido no ano passado no mundo era SUV. Resultado três vezes maior do que dez anos atrás, quando o Ford EcoSport já fazia sucesso. 

 Mas a reportagem lembra que esses carros emitem mais poluentes. Costumam ser 30% menos eficientes nas emissões de gases do que os automóveis menores. E o pior é que exigem mais investimentos em baterias e tecnologia para entrarem na era elétrica.

Tesla Model X é exemplo de SUV eficiente, mas que ainda não é vendido no Brasil, entre outros motivos, por causa do alto preço
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Tesla Model X é exemplo de SUV eficiente, mas que ainda não é vendido no Brasil, entre outros motivos, por causa do alto preço

 O Tesla X é um dos poucos eficientes nessa categoria de elétricos. Mas os interessados no Brasil precisam desembolsar cerca de R$ 980 mil para ter um em casa. Os americanos pagam menos, ainda assim, o valor é para poucos: US$ 100 mil.  O Tesla X, um eficiente SUV elétrico, custa 100 mil dólares nos Estados Unidos. Para os amantes dos SUVs, o jeito é esquecer os elétricos, por enquanto. Mas por que os utilitários se popularizaram tanto? Eles se tornaram mais econômicos e acessíveis. No Brasil, é impossível tocar no tema sem citar o pioneiro EcoSport.

A Ford criou grande expectativa no Salão do Automóvel de 2002. Participei da estratégia de divulgação numa época em que a internet ainda engatinhava e as publicações impressas atraiam os consumidores. Em outubro de 2002, a Quatro Rodas trouxe na capa o Audi A4 Cabriolet, o Volvo XC 90, o Citroen C3, o Astra GSi e em destaque o EcoSport com o título: “Mostramos em primeira mão a maior novidade do Salão”.

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O precursor

Ford EcoSport tinha entre os fortes argumentos para se dar bem no mercado o preço atraente para um SUV
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Ford EcoSport tinha entre os fortes argumentos para se dar bem no mercado o preço atraente para um SUV


O EcoSport foi mostrado no Salão de São Paulo, em 2002, abrindo o caminho no Brasil para os SUVs compactos. Na verdade, quem comprou a revista ou visitou o Salão do Automóvel conseguiu ver apenas fotos ou o carro de longe. Vários detalhes eram mantidos em segredo, o que só aumentou a expectativa no mercado que desejava um utilitário barato.

 Consumidores e jornalistas não sabiam os motores que seriam disponibilizados, e muito menos o valor. Tudo era especulação. Primeiro, surgiu a versão 4x2, 1.0 Supercharger, de 95 cavalos, motor que era também uma grande novidade. Custava R$ 30 mil. O SUV da concorrência era 60% mais caro. E aqui não estava muito em discussão a potência. O Eco era um carro que cabia no bolso, trazia conforto e era uma novidade.

Ao apostar no segmento, a Ford usou a plataforma do Fiesta e muitos se perguntavam se o Eco seria apenas um carro popular com suspensão levantada. Hoje, com o aumento da concorrência e tecnologia, muitos poderiam encarar assim, mas na época não foi essa a avaliação. Em janeiro de 2003, a mesma Quatro Rodas, finalmente, testou um protótipo na versão Duratec 2.0 16V de 143 cavalos e estampou: “Você gostou? Nós também!”

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O texto dizia que o EcoSport meses antes no Salão de 2002 “brilhou mais até que a Ferrari Enzo (...) As pessoas ficaram fascinadas pela perspectiva de ver uma grande montadora entrar num mercado tão atraente quanto inexplorado: utilitários esportivos pequenos”. A reportagem elogiou o carro e as avaliações de forma geral foram muito positivas.

Ford EcoSport Storm é a versão mais recente do SUV, com tração 4x4 e motor 2.0, com injeção direta de combustível
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Ford EcoSport Storm é a versão mais recente do SUV, com tração 4x4 e motor 2.0, com injeção direta de combustível

O consumidor também aprovou e fez filas nas concessionárias. Em um ano, foram vendidas cerca de 27.200 unidades. Atualmente, o EcoSport não está mal. Vendeu no ano passado 31.195 unidades e foi o 25º carro mais emplacado no país, segundo a Fenabrave. Por muitos anos foi líder da categoria e reinou absoluto. Agora, o bastão foi passado para o Jeep Compass.

No resto do mundo, são outras as estrelas. A Forbes, publicação de negócios e economia, também entrou nessa discussão com mais dados. Mostrou que, no ano passado, as vendas de utilitários esportivos aumentaram 12%, segundo a consultoria LMC Automotive. De 2013 a 2017, o resultado é ainda mais impressionante. O crescimento nas vendas desse segmento chega a 87%. Três SUVs estão no top 10 mundial: RAV4 Toyota, Honda CR-V e Ford Escape.

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O Escape, irmão maior do Ford EcoSport , está entre os top 10 mundial em vendas.  Aos poucos, fica claro que os elétricos têm seu público. Mas os tradicionais leitores de revistas e quem gosta mesmo de carro ainda está mais interessado nos modelos que queimam gasolina, de preferência, os maiores. Os números estão aí para comprovar. 

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