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A nova Café Racer oferece o estilo original dos anos 60 por um preço bastante convidativo. Confira mais detalhes sobre a motocicleta

Como na Inglaterra dos anos 60, a Royal Enfield Continental GT atraiu a atenção de todos no Rockers Oficina Bar e Café
Carlos Patrício
Como na Inglaterra dos anos 60, a Royal Enfield Continental GT atraiu a atenção de todos no Rockers Oficina Bar e Café

Acredito que a maioria daqueles que acompanham esta coluna já sabem que as motocicletas de minha preferência são as japonesas da virada dos anos 60/70, já afirmei isso em várias ocasiões. Mas minhas origens com as motos vêm das européias, aquelas que me levavam para inesquecíveis passeios na garupa do meu pai. Das suas várias motocicletas, algumas das européias mais marcantes foram a BMW R50 de 1951 (a primeira), a Jawa 250, também de 1951 e, é claro, a HRD Vincent do mesmo ano. Ou meu pai tinha uma fixação pelo ano de 1951 ou então essa foi mesmo a safra das melhores motocicletas. Mas, a seguir, o assunto será a Continental GT, da Royal Enfield. 

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 Havia uma, no entanto, que era a melhor, a que eu gostava mais, que era a Ducati 250. Uma não, duas, uma Mk1 de 1966 e uma Mk3 de 1969. Minhas garupas preferidas, apesar de nem pedaleiras pro carona elas terem. Porque estou citando motocicletas italianas dos anos 60, quando o assunto é uma indiana do ano? Fácil, pela foto acima dá pra notar que a nova Royal Enfield Continental GT tem exatamente as mesmas características daquelas Ducati que me conquistaram para sempre. Tanque alongado, banco individual com rabeta e, o mais importante, um par de legítimos guidões tomazeli.

 A Royal Enfield Continental GT é uma café racer pronta para o consumo. Café instantâneo, eu diria, nada é preciso alterar nela pra estar up-to- date com o maior modismo do momento em termos de motocicletas. Poucos de nós viveram realmente o tempo das café racers, movimento do início dos anos 60 cuja característica era a reunião dos grupos de motociclistas em um café, principalmente na Inglaterra, mas o que importa agora é o estilo e não a história. Dizem que as “corridas” pelas ruas percorriam os principais cafés da cidade.

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 Eu disse que nada precisa ser alterado na GT para se tornar uma autêntica café, mas não disse que nada poderia ser mudado. Esse tipo de motocicleta é como qualquer custom, é personalizada por seu dono para ter a sua cara. Eu, por exemplo, alteraria quase nada, provavelmente apenas colocaria os tomazeli para baixo da mesa superior. Certamente iria prejudicar o bom conforto que essa motocicleta oferece, porém iria ficar mais parecida com aquela Ducati lá da minha infância. Os italianos chamam esse tipo de guidão de tomazeli, mas na Inglaterra ele é conhecido como “clip-on”, pois os dois semi-guidões vão presos diretamente nas bengalas da suspensão.

 A Royal Enfield Continental GT, quando foi lançada em 1965, tinha motor monocilíndrico de 250 cm 3 , exatamente como as minha belas Ducati, mas a atual, que é incrivelmente parecida com aquelas primeiras, tem motor monocilíndrico de 535 cm 3 . Era tida como a mais rápida 250 britânica da época. Só o pedal de câmbio mudou para o lado esquerdo, já que nos anos 60 as européias ainda utilizavam o câmbio do lado direito da motocicleta.

Como é acelerar da Continental GT

 A posição de pilotagem da Royal Enfield Continental GT é muito confortável, mesmo com as pedaleiras recuadas (não tem garupa), justamente devido à posição original do guidão. O motor de 29 cv roda suave em baixas rotações, com alguma vibração, sim, mas que faz parte das características originais da moto. Isso faz com que às vezes não dê para distinguir o que vem atrás, pela vibração dos espelhos. O câmbio, que não é muito preciso, tem 5 marchas e a moto tem ainda pedal de partida. Também não é muito fácil dar a partida no “feijão”, esse sistema é ligado ao eixo secundário do câmbio e não no primário, de forma que se a marcha estiver engatada, mesmo com a embreagem acionada, o pedal movimentará a roda traseira e não o motor. Minha Zundapp alemã de 1969 era assim.

 A GT tem algumas boas sacadas, como o cavalete central e uma enorme e interessante alça para puxá-la para trás. Nem precisaria, pois a moto é leve, mas tem seu charme. Diferentemente das outras duas Royal Enfield, a Classic e a Bullet, a Continental tem a trava do guidão incorporada à chave de ignição (as outras têm uma trava separada na mesa inferior da suspensão dianteira). Uma curiosidade: apesar da injeção eletrônica de gasolina, a Continental GT tem afogador, para auxiliar na partida a frio.

 Para dar um ar de época à Continental GT, fiz um passeio por São Paulo, passando por alguns cafés e chegando ao Rockers Oficina Bar e Café, onde posei para a foto acima. O local estava cheio e a café racer original fez bastante sucesso, reforçando o fato de que esse estilo de motocicleta é o mais desejado no momento.

 Além da novidade da marca e do estilo, a Royal Enfield Continental GT tem mais um atrativo, que é o preço. Custando R$ 23.000 (R$ 1.500 a mais pelo ABS), a GT tem uma relação custo/benefício bastante favorável, principalmente se comparada às concorrentes. A Triumph Thruxton, por exemplo, custa R$ 55.000.

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