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A ascendência da "mother" Africa Twin pode explicar seu bom desempenho e sua grande atratividade

Honda CRF 1000L: Só pela observação visual já dá para notar todas as grandes semelhanças entre a Varadero e a Africa Twin
Gabriel Marazzi
Honda CRF 1000L: Só pela observação visual já dá para notar todas as grandes semelhanças entre a Varadero e a Africa Twin

Já faz quase dois anos que a Honda apresentou aquela motocicleta que seria a substituta da XL 700V Transalp aqui no Brasil, a Honda CRF 1000L Africa Twin. Ambas produzidas localmente em Manaus, AM. A Transalp, por sua vez, substituiria a Honda XL 1000V Varadero, que ainda é produzida na fábrica da marca na Espanha – local onde outrora se fabricavam as valentes Montesa –, apesar de um hiato de dois anos, pois a Varadero foi importada para cá apenas de 2007 até 2009.

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Já mostrei a antecessora da nova Honda CRF Africa Twin , após uma apresentação estática do modelo (sem possibilidade de experimentar as motocicletas). O impacto da chegada dessa nova motocicleta de histórica descendência da vencedora do Paris-Dakar nos anos 80 foi grande, com críticas e avaliações da imprensa especializada bastante favoráveis, porém ofuscadas por uma estratégia mercadológica mal sucedida. O alto preço foi o principal fator que não fez a motocicleta decolar em vendas.

Minha percepção, no entanto, depois que experimentei a Africa Twin , foi a de instintivamente compará-la à fugaz Varadero, já que sua sucessora Transalp não chegou a animar os adeptos desse tipo de motocicleta. Para melhor entendimento de quem me lê, devo informar que assim que pilotei pela primeira vez a Honda XL 1000V Varadero, lá nos idos anos 2007, quando foi lançada aqui, decidi comprar uma para meu uso e para guardá-la como futura colecionável. Assim como vejo hoje a Honda Africa Twin original.

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Similaridades entre a Honda CRF 1000L da “mãe” Africa Twin

Africa Twin, a antecessora da nova Honda CRF, carrega toda a essência que gerou a sua evolução
Divulgação
Africa Twin, a antecessora da nova Honda CRF, carrega toda a essência que gerou a sua evolução

A comparação entre essas duas representantes do mesmo segmento, separadas por mais de uma década, é inevitável. Mais surpreendente, no entanto, foi verificar que, apesar da defasagem temporal de seus projetos, elas são muito parecidas.

Visualmente, a foto acima já mostra que as duas motocicletas têm o mesmo porte. Analisando com maiores detalhes, até seus números são próximos: Varadero: 996 cm3, 94 cv, 1.560 mm de entre-eixos; Africa: 999 cm3, 90 cv e 1.574 mm de entre-eixos. A maior aptidão ao fora de estrada da Africa Twin explica algumas diferenças um pouco maiores em outros números: Varadero: 268 kg, tanque de 25 litros, altura do banco de 838 mm; Africa: 212 kg, tanque de 18,8 litros e altura do banco de 850 ou 870 mm.

Mais apropriada ao asfalto, a Honda Varadero tem rodas de alumínio com pneus 110/80-19 na frente e 150/70-17 atrás. A Africa Twin, pensada para se destacar em estradas não pavimentadas, tem rodas raiadas com pneus 90/90-21 na frente e 150/70-18 atrás, estes bem mais adequados para o off road.

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As semelhanças não param aí. Ao guidão, as duas têm as mesmas reações dinâmicas e o mesmo porte, com pequena diferença de altura do banco (ambas são bastante altas, os baixinho ficam pouco à vontade). E esse foi o maior motivo que me levou a fazer esta comparação. O banco da Varadero é mais largo que o da Africa, dificultando manobras com a moto parada apesar de pouca coisa mais baixo.

Os dois motores são bicilíndricos e têm cilindrada de um litro, com potências muito próximas. A arquitetura em “V” do motor da Varadero (daí o nome XL 1000V), no entanto, nos leva a pensar que suas reações seriam bem diferentes das reações do motor em linha da Africa Twin (daí o nome CRF 1000L), mas até mesmo nisso elas se parecem.

Pausa para uma oportuna explicação: antes de seu lançamento, o “L” do nome da Africa, a princípio, me fez pensar que ela teria também um motor em “V”, como a Africa Twin original e como a Varadero, já que essa letra nos lembra os motores em “L” das Ducati, que nada mais são que motores em “V” só que com cilindros a 90º. E mais: o “V” da Varadero também é de 90º.

Tanto Africa Twin quanto Varadero são motocicletas estradeiras, para longos percursos, e desse modo elas têm relações de câmbio bastante alongadas nas últimas marchas. Mesmo com muito torque em rotações mais baixas (9,3 kgfm a 6.000 rpm na Africa e 9,9 kgfm a 7.500 na Varadero), seus motores não se prestam para rodarem em baixas rotações, quando se tornam meio bruscos. Bom mesmo é sempre manter a aceleração, o que desqualifica a ambas serem motocicletas para passeios tranquilos.

Em relação a equipamentos, até seria injusto comparar as duas motocicletas separadas por quase duas décadas de projeto, mas até nesse aspecto elas empatam. A Honda Varadero já vinha com freios ABS e bolha frontal alta, para uma boa proteção aerodinâmica. A Africa Twin, logicamente, leva a vantagem de ter um painel de instrumentos bem moderno, todo digital.

São duas as versões disponíveis para a Honda CRF 1000L, a Africa Twin, que custa R$ 54.900, e a Africa Twin TE (Travel Edition), que custa R$ 64.400. Esta última vem com Top-Box (baú traseiro), duas malas laterais, protetor de tanque, parabrisa mais alto e cavalete central. A diferença de R$ 9.500 compensa para quem quer a moto equipada, uma vez que esses itens, se comprados à parte, somam R$ 13.560. Com esses valores, a Honda Africa Twin passou a ser mais interessantes para os adeptos das big trail, lembrando que, há dois anos, em seu lançamento, essa motocicleta custava R$ 10.500 a mais.

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