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A aparência tenta sugerir uma velha senhora dos anos 70, mas a tecnologia entrega que não é bem assim. Parte de R$ 48.990

Uma diferença de 45 anos entre a primeira Z1 (no detalhe) e a nova Kawa Z900RS
Guilherme Marazzi
Uma diferença de 45 anos entre a primeira Z1 (no detalhe) e a nova Kawa Z900RS

Parece que aqueles tempos românticos do jornalismo especializado já não existem mais. Refiro-me àquelas histórias contadas em uma mesa durante os também românticos eventos de lançamentos de motocicletas e automóveis, nas quais um jornalista mais ousado “roubava” um veículo para avaliá-lo, ou, pelo menos, para fazer algumas fotografias exclusivas. Já vivi alguns desses episódios, inclusive, depois de pilotar motos da Kawasaki.

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Não posso deixar de ressaltar, no entanto, que há exatamente um ano, ao final do Salão Duas Rodas, eu me esforcei para ser o único jornalista a experimentar a nova Kawasaki Z900RS, para mim a maior estrela daquela mostra.

 Está certo, não “roubei” a motocicleta, mas consegui um “jeitinho” de conhecê-la nas dependências da empresa, quando fiquei ainda mais aguadopara poder pilotá-la de verdade. Se alguém lembra, tentei a mesma coisa com a Honda CB 1100RS , outra nova motocicleta vintage/retrô exposta no salão, mas sem sucesso. Ainda mais retrô que a Kawa, pois tinha até suspensão traseira de dois amortecedores, aquela CB não “vingou” e agora vimos a chegada de outro modelo vintage, a Honda CB 1000R, tão tecnológica quanto a Kawa que experimento agora.

 A Kawasaki Z900RS foi lançada já há alguns meses, bem antes do prometido, mas eu estava esperando o melhor momento para rodar com ela por aí. E isso aconteceu durante esse “feriadão”, que apesar das intensas chuvas, permitiram que eu travasse um contato bastante íntimo com a motocicleta.

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Apenas para lembrar, a motocicleta homenageada pela nova Z900RS é a Kawasaki Z1, que fez sua primeira aparição mundial em 1972. A Z1, cujo projeto de fins dos anos 60 pretendia se tornar a melhor motocicleta até então produzida, estava quase pronta para ser lançada com um motor de quatro cilindros de 750 cm 3 em 1968, quando, de surpresa, a rival Honda apresentou a sua motocicleta mais importante, a CB 750 Four .

Os projetistas da Kawasaki, então, voltaram às pranchetas para repensar a sua motocicleta, que ao final chegou com um motor de quatro cilindros porém com duplo comando de válvulas e cilindrada de 900 cm 3 . Também conhecida como Z900, a Kawasaki Z1, a nova Kawa era melhor em tudo e arrasou a concorrência, inclusive a rainha Honda CB 750 Four, que reinou por apenas alguns poucos anos.

Para quem conhece bem a Kawa Z1, o tanque arredondado e com a icônica pintura Candytone Brown, assim como a rabeta inconfundível da RS são uma verdadeira máquina do tempo, levando a mente àqueles inesquecíveis anos 70. Só isso já vale a motocicleta, que tem ainda uma mecânica super atual, a mesma da streetfighter Kawasaki Z900, apenas com um pouco menos de potência para que a pilotagem seja mais suave e agradável.

Acelerando a Kawasaki Z900 RS

Kawasaki Z900 RS tem pegada esportiva  e conjunto bem acertado entre os principais destaques
Divulgação
Kawasaki Z900 RS tem pegada esportiva e conjunto bem acertado entre os principais destaques


Mesmo assim são 109 cv de potência, com controle eletrônico de tração desligável e dois modos de intervenção. Um quadro de treliça, bem diferente dos convencionais utilizados nos anos 70, freios superpotentes, com ABS, e suspensões de ponta, a dianteira com garfo invertido e a traseira monoamortecida, permitem que a Kawa Z900RS, mesmo com sua aparência retrô, ofereça uma pilotagem impecável, quase igual à de sua irmã streetfighter.

Pilotando, realmente não dá pra se sentir nos anos 70, devido à modernidade do projeto, mas estamos quase lá. Visualmente, chegar com uma RS é quase que chegar com a Z1 original: todos vão olhar para você. A posição de pilotagem é quase a mesma da original, com as pernas um pouco mais flexionadas para trás.

Uma questão de gosto: o guidão é largo e confortável, passa grande controle ao piloto e deixa a motocicleta bem ágil, mas eu arriscaria um guidão menor, mais esportivo. Um tomaseli? Quem sabe... O painel de instrumentos é analógico, mas tudo é eletrônico. Alguém aí lembra da canseira quando quebrava um dos cabos, o do velocímetro ou o do conta-giros?

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O motor, mesmo um pouco amansado, é uma delícia, acelera forte e o som do escapamento, especialmente projetado para um ronco parecido com o dos motores de quatro cilindros da época, é estimulante. Assim, quadro, suspensões, freios e pneus são suficientes para garantir uma pilotagem realmente esportiva. Apesar de que o melhor mesmo é desfilar por aí fazendo a turma virar seus pescoços acompanhando-a com o olhar.

A Kawasaki Z900RS custa R$ 48.990 e há ainda a opção da Z900RS Café, a mesma motocicleta só que na cor verde Kawasaki, o Lime Green, alguns componentes em preto fosco, uma carenagem de farol ao estilo Café Racer, banco rabeta e guidão mais baixo. Essa custa R$ 49.990.

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